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Ao longo dos séculos, o espaço definido no mundo
ocidental para homens e mulheres foi rigorosamente demarcado: aos homens,
cabia o domínio público e, conseqüentemente, a escolha
de uma profissão e às mulheres, cabia o domínio privado:
cuidar dos filhos e da casa, tendo sua imagem associada à candura,
zelo e submissão.
Com a entrada das mulheres no mercado de trabalho e
com o movimento feminista na década de 70, essa posição
mudou. O trabalho assalariado se tornou o caminho para a independência
feminina, para a ascensão social e, principalmente, possibilitou a
construção e realização de projetos individuais
não vinculados ao espaço doméstico.
Casamentos, uniões estáveis e vínculos
afetivos sofreram várias transformações com essa nova
realidade. Uma delas envolve o dinheiro, o qual segundo a terapeuta de casais
norte-americana Cloé Madanes "Desempenha um papel importante e
muitas vezes secreto na determinação de nossos relacionamentos,
pois ele pode nos deixar mais próximos ou mais distantes daqueles que
nós amamos, uma vez que tudo que nós fazemos com o dinheiro
tem conseqüência para os outros".
Com a mulher trabalhando fora de casa, o dinheiro deixou
de sair exclusivamente da mão do homem, e ela também passou
a dividir o poder. Nós terapeutas sempre lembramos que os casais devem
negociar quem vai ter poder sobre o quê e dividir áreas de responsabilidade.
O dinheiro pode determinar quem terá ou não mais peso nas decisões
familiares.
Nos casamentos atuais, nos quais ambos os cônjuges exercem alguma profissão
ou carreira, normalmente as decisões são tomadas conjuntamente
e o dinheiro tem uma função construtiva, de realização
de projetos e aumento da qualidade de vida de todos.
Porém, existem situações em que a mulher tem maior ganho
financeiro que o marido, ou ele fica desempregado. Nesses casos, a mulher
se torna a principal provedora financeira, e está criada uma situação
potencial de conflito, na qual muitas vezes, a mulher passa a dominar a relação.
Maciel Jr, em sua dissertação de Mestrado na (PUC-SP), perguntou
aos homens de sua pesquisa como seria se suas mulheres ganhassem mais do que
eles. Todos responderam que gostariam muito, pensando no aumento da renda
familiar, mas ninguém explicou como seria a relação do
casal a partir daquela mudança, o que demonstra a dificuldade do homem
em se imaginar numa posição financeiramente inferior à
mulher.
Em consultório, pude observar que nas relações onde as
mulheres assumiam a responsabilidade pelas contas domésticas, até
em função do sucesso profissional, houve desgaste entre o casal.
Elas mesmas se sentiam incomodadas e até exploradas, como se estivessem
fora de seu papel social e sem retaguarda. Já o homem se sentia "sem
lugar", impotente e infeliz, comprovando dados dos pesquisadores Gray-Little
e Brucks, de que casamentos onde a mulher domina a relação,
são os mais infelizes.
Isso ocorre porque, o fato do homem ter uma posição social superior
à da esposa parece estar de acordo com a ordem social tradicional,
enquanto o inverso nem sempre parece natural. O sucesso infelizmente continua
sendo apreciado segundo a lógica do masculino.
Ainda está muito arraigada em nossa sociedade, a importância
do homem pagar as contas, como se ele representasse uma segurança à
mulher. Uma segurança que ela mesma pode se proporcionar, mas "abre
mão" disso.
Uma relação corre riscos quando o dinheiro se transforma em
poder - incluindo o da mulher - e o casal deve conversar muito. Para sobreviverem
a essas circunstâncias de vida, sugiro a eles:
Seis dicas para lidar com
a situação
- Resolverem juntos todas as questões relacionadas ao dinheiro, incluindo
a manutenção de um fluxo de caixa conjunto.
- Estabelecerem metas possíveis de serem atingidas.
- Tomarem decisões por um determinado período, estipulando "prazo
de validade" para os acordos, afinal, a vida muda rapidamente.
- Estarem atentos a questões importantes e não esperarem que
um adivinhe as satisfações ou insatisfações do
outro.
- Reverem seus valores e serem muito flexíveis (aceitar que cada um
tem expectativas diferentes em relação ao dinheiro)
- Tentar perceber que os conflitos em relação ao dinheiro não
são, na maioria das vezes, sobre o dinheiro em si. Pensar no que estará
por trás deles.
Para concluir, é importante saber que existem mitos
e regras sociais que embora ultrapassadas, estranhamente norteiam as relações,
e que não é tão fácil conviver como moderno.
A você leitora, que faz a maioria dos cheques em sua
casa ou em seu relacionamento e se sente desconfortável, sugiro que
repense com seu companheiro a forma como estão levando essa realidade.
Enxerguem o dinheiro como uma força equilibradora, a fim de transformar
essa vivência em uma alavanca de crescimento, transformação
e união do casal.
Clique aqui e
leia artigo sobre assédio sexual no trabalho
Clique aqui e leia artigo sobre
assédio moral no trabalho
Valéria
Meirelles é psicóloga, psicoterapeuta
e Mestre em Psicologia Clínica
Mais informações - clique aqui