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A escassez de tempo é um problema que atinge muitas
mulheres atualmente, principalmente as que vivem nos grandes centros urbanos.
O tempo, ou melhor, a falta dele, tornou-se uma aflição constante,
principalmente para quem trabalha em período integral e tem uma carreira.
Afinal, são tantos os papéis - profissional, mãe, esposa,
namorada, dona de casa, filha, amiga, aluna, esportista, entre outros - que
o cotidiano está se tornando muito desgastante, a ponto de 24 horas
serem insuficientes para tantas demandas.
Existe uma grande diferença entre o tempo medido (o do relógio)
e o tempo vivido. Todas nós temos o mesmo dia de 24 horas, porém
nem sempre o vivemos de acordo com as nossas necessidades. Muitas tecnologias
foram criadas para pouparem o tempo, desde a Internet até produtos
que facilitam o preparo dos alimentos. Mas, contraditoriamente são
essas tecnologias que nos colocam sob uma avalanche de informações,
e muitas vezes não há tempo para processá-las.
O tempo passa e a exigente mulher atual fica com a desconfortável sensação
de que nem tudo está sendo realizado a contento. Chega a se sentir
pressionada e até incompetente, afinal, o tempo tornou-se escasso para
ficar mais perto dos filhos, namorar, sair com amigos, fazer aquele curso
que tanto deseja, ginástica, médico, supermercado, fazer as
unhas, ler uma revista, um livro ou simplesmente relaxar.
As conseqüências da falta de
tempo
Em primeiro lugar, a auto-estima começa a sofrer "arranhões", pois a mulher começa a duvidar de sua competência. Sinais de estresse começam a aparecer: irritabilidade, impaciência, insônia ou muito sono, dores de cabeça, perda de apetite, diminuição do desejo sexual, tristeza e até algumas doenças de origem emocional. Pode aparecer também uma desmotivação pela vida, identificada popularmente como "falta de pique".
Causas da falta de tempo
Várias são as causas da falta de tempo na vida
da mulher moderna. A expansão de papéis que ela viveu a partir
do momento em que entrou no mercado de trabalho é uma delas. Antes,
o papel da mulher se restringia aos de esposa, mãe e dona de casa.
Essa mudança hoje custa à mulher algumas horas de sono e impacta
na qualidade de sua própria vida e de sua família.
A sociedade e os governos também têm sua responsabilidade
nesse problema. Há poucas creches e uma pequena rede institucional
de apoio à mulher que precisa trabalhar e tem filho. Ainda é
pequeno o número de empresas que oferecem aos funcionários horários
mais flexíveis, creches e outras políticas para facilitar a
maternidade sem perder a produtividade e o compromisso social.
Essa é uma questão tão séria, que países
da Europa e os Estados Unidos já se preocupam com a falta de tempo
interferindo na vida privada das pessoas, na qualidade de suas relações
e no cuidado com suas famílias.
Como mudar?
Em primeiro lugar, tire a roupa de Mulher Maravilha
que infelizmente muitas mulheres vestem com orgulho. A partir daí,
divida suas responsabilidades com o marido para olhar os filhos, buscá-los
na escola, estudar juntos e fazer supermercado. Não esqueça
que vivemos num mundo em processo de mudança acelerado e temos a possibilidade
de escolher entre diversos modos de vida, bem diferentes da antiga ordem social
tradicional, aquela na qual viveram nossas mães e avós.
Também é importante uma negociação
com o chefe a respeito de alguns horários, buscando um pouco de autonomia
- ainda que isso pareça irreal no mercado competitivo de hoje.
Se tudo isso for difícil, sugiro uma reflexão
muito séria, sobre os valores em que cada uma de vocês baseia
sua vida, principalmente numa época de tanto consumo material. Pense
na qualidade de vida que tem se proporcionado nos últimos tempos. Está
compatível com seus desejos? Se a resposta for negativa, posso dizer
que está na hora de abrir mais espaço para você mesma
e fechar outros que possam ser dispensados ou, principalmente, partilhados.
Tente encontrar no cotidiano um tempo para cinco minutos a mais de sono, para
um banho relaxante, ou passar no corpo aquele creme que ganhou no Natal e
ainda não usou. Há quanto tempo não tem uma conversa
descontraída com uma amiga, mesmo que por telefone? Há quanto
tempo não namora com tranqüilidade, ou não passa a tarde
com seu filho brincando descompromissadamente, sem olhar para o relógio
ou notebook?
O tempo nos pertence
O tempo nos pertence e o negociamos e administramos de acordo
com nossas necessidades - as quais nem sempre representam nossos desejos.
Diz um ditado popular que "Quem não tem tempo,
não tem vida" ou tem, mas mal administrada. Portanto, reflita
sobre o que é realmente importante, focando o seu bem-estar e celebrando
a vida.
Convido vocês a pensarem no sentido de suas vidas e em como querem ser
e estar no presente e no futuro. Convido-as a resgatar algum sonho adormecido.
Lembrem que a felicidade pessoal envolve o trabalho e a carreira, mas também
advém do pertencimento social, aquele que é produto de um investimento
na rede familiar e de amigos. Desejo a vocês um tempo de muita qualidade!
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Valéria
Meirelles é psicóloga, psicoterapeuta
e Mestre em Psicologia Clínica
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