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A inveja, cuja origem latina da palavra é "invidere"
que significa "não ver", é um sentimento antigo na
história da humanidade. Muitas guerras foram deflagradas e injustiças
foram cometidas movidas pela inveja. Hoje, ela atrapalha a vida de muitas
pessoas, incluindo mulheres, principalmente no mundo corporativo.
O Cristianismo inclui a inveja nos Sete Pecados Capitais,
como um dos sentimentos mais danosos que um ser humano pode ter em relação
a outro. Na Bíblia, a história dos irmãos Caim e Abel
é clássica - a inveja de Caim levou-o a matar o próprio
irmão.
Para São Tomás de Aquino, a inveja - "tristitia de alienis
bonni" ou "a tristeza em relação às coisas
boas dos outros" - é um sentimento traiçoeiro, que se disfarça
de inúmeras formas para atacar a vítima e atingir seu objetivo
final.
A inveja é um sentimento "democrático", pois existe
em todas as classes sociais. Pode envolver familiares, amigos e pessoas que
convivem com certa proximidade, principalmente nas relações
entre iguais.
Melanie Klein, psicanalista inglesa, tem a inveja como conceito central de
sua teoria e explica: "A inveja surge a partir do sentimento de impotência,
que se insere na direção da aspiração de um bem
que outro possui (...). É suficiente que uma coisa seja possuída
por outro, para que isto nos pareça uma privação, gerando
raiva".
Para o psicodramatisma argentino Dalmiro Bustos, a inveja surge no ser humano
a partir da vivência fraterna, quando o indivíduo ainda criança
deve aprender a compartilhar e renunciar à fantasia de que tudo lhe
pertence. A equação que se forma para ele é: "destruir
aquele que tem o que se deseja".
É a partir daí que surge a rivalidade, e ela impulsionará
o bloqueio do caminho do rival para se ganhar dele. Competir faz parte da
espécie humana, mas competir sem escrúpulos, é uma artimanha
usada por quem tem medo de perder.
No cotidiano - relações familiares, grupos de amigos, esportes
e etc - é possível perceber a inveja pelas brigas sem sentido
entre irmãos, pelo afastamento repentino de alguém, pelas brincadeiras
de mal gosto de uma amiga expondo outra frente a um grupo, pelas mudanças
de regras repentinas no meio de um jogo, etc.
Entre as mulheres, nas quais a vaidade é mais evidente, a inveja surge
pelo desejo e impossibilidade de ter um corpo como o da colega, fazer a plástica
ou a lipoaspiração, ter um marido ou namorado tão lindo
e poderoso, entre outras.
Na prática clínica psicoterápica, a inveja aparece através
do desprezo, ironia, raiva, competitividade exagerada e sem escrúpulos
e egoísmo das escolhas. Aparece também através do gosto
pela vingança ou pelo fracasso do outro e até pela violência.
Na área profissional, pode-se perceber a inveja de várias formas:
fofocas, excesso de exigências por parte de alguém, boicote de
informações, negativa de férias ou de promoções
e benefícios, "frituras" de determinados funcionários,
piadas ou ironias em reuniões onde o profissional estará mais
exposto. Enfim, a inveja está nas ações depreciativas,
e ainda pode ser constatada pela diferença entre o falar e agir da
pessoa invejosa, que é muitas vezes dissimulada.
Patrícia Tomei, doutora em RH pela FEA/USP realizou um trabalho pioneiro
e escreveu o livro "Inveja nas organizações", apontando
que ambientes competitivos são propícios à inveja. Ela
sugere a importância da cooperação entre equipes, gestão
participativa e a eliminação da politicagem, com combate às
mentiras e à boataria.
Patrícia também propõe quatro perguntas para ajudá-lo
a descobrir se sente inveja de alguém e ainda não percebeu:
1º)Você freqüentemente se compara aos outros?
2º) Já menosprezou suas competências e talentos?
3º) Sente-se irritado quando alguém ganha uma promoção
ou consegue mudanças?
4º) Já se sentiu tentado a falar mal ou sabotar alguém?
Caso tenha respondido sim para todas as perguntas, há inveja, porém
disfarçada. É preciso tratá-la e tratar a si mesmo, buscando
transformar esse sentimento em algo positivo, em motivação para
o crescimento e renovação pessoal.
A inveja faz parte do lado pouco nobre e real do ser humano. Portanto, é
necessário identificá-la, admiti-la e controlá-la. Numa
sociedade pautada pelo "ter", ditada por regras consumistas de poder,
ela encontra terreno fértil e acaba deteriorando valores importantes
aos seres humanos: empatia, solidariedade, compaixão, amor e respeito.
Ser mais forte que ela é produto de autoconhecimento, maturidade e
compromisso, não apenas consigo mesma, mas com um mundo menos hostil
- virtudes típicas e esperadas em uma mulher atual.
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assédio moral no trabalho
Valéria
Meirelles é psicóloga, psicoterapeuta
e Mestre em Psicologia Clínica
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