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Coluna Mulher Atual
- Dicas para o bem-estar da mulher de hoje
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Vai morar sozinha? Pese os prós e os contras
Dados do Dieese mostram que 7,5% da família paulistana é
unipessoal - é o segundo tipo de composição mais freqüente,
após a tradicional
Por Valéria Meirelles
Dentre as inúmeras mudanças que vêm ocorrendo
nas famílias nas últimas décadas, uma das mais evidentes
é o aumento do número de pessoas que moram sozinhas - as chamadas
famílias unipessoais.
De acordo com o IBGE, entre 1991 e 2000 houve um aumento de 70,5% no total
de pessoas solteiras, viúvas ou separadas nessas condições.
Em números, são mais de quatro milhões de pessoas, maioria
mulheres, alocadas principalmente no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Goiás.
Dados do Dieese mostram que 7,5% da família paulistana é unipessoal
- é o segundo tipo de composição mais freqüente,
após a tradicional.
A Fundação Seade também fornece informações
interessantes: mulheres jovens e adultas que moram sozinhas têm maior
participação no mercado de trabalho, a taxa do desemprego é
bastante inferior - o que revela maior necessidade de sobrevivência
e manutenção do domicílio - e ainda revela que o salário
médio dessas mulheres teve o menor decréscimo no período
entre 1988 e 2001, chegando a ultrapassar os salários dos homens. Estatísticas
nada ruins, considerando-se que há 30 anos, as mulheres ainda lutavam
pela igualdade de direitos.
Vários fatores provocaram todo esse crescimento: aumento da expectativa
de vida; maior número de divórcios; avanço na urbanização,
que proporcionou melhoria na infra-estrutura e na qualidade de vida; a crescente
escolaridade das mulheres, que trouxe melhores condições para
a disputa do mercado de trabalho e também a autonomia financeira.
Muitas mulheres vão morar sozinhas após o divórcio ou
depois de adquirirem certa estabilidade na carreira. Em termos etários,
isso está por volta, em média, dos 30 anos, o que não
exclui as viúvas ou divorciadas cujos filhos já saíram
de casa.
Mas há outras razões que mobilizam uma mulher a buscar seu próprio
espaço, que vão desde a necessidade de diferenciação
da família de origem (pais e irmãos), projetos pessoais, desejo
de mais liberdade e de um espaço só seu, até a mudança
de cidade para estudar ou trabalhar.
Vantagens e desvantagens
Existem vantagens e desvantagens para as mulheres que optam por viver sozinhas. As principais vantagens devem-se à independência e autonomia para fazer o que tiver vontade, a hora que quiser, sem se preocupar em atrapalhar a irmã, a mãe ou o pai, sem se sentir "vigiada" pela família, e não ter que dar satisfação de sua vida. A mulher também se torna mais "dona de tudo", inclusive da própria vida. Por um lado, é maravilhoso, por outro, isso traz mais responsabilidade para a mulher, pois ela deve fazer um pouco o papel de seus próprios pais.
Prós e contras
As desvantagens estão nos aspectos financeiros,
pois ao morar sozinha, não há com quem dividir despesas - o
que pode se tornar um ônus elevado, dependendo da área de atuação
profissional da mulher - e dinheiro pode se tornar uma preocupação
constante. Questões relativas à saúde também preocupam,
pois caso ela venha a adoecer, não há alguém diretamente
ligado ao seu cotidiano para o seu cuidado e então é hora de
pedir ajuda. Por isso, quem mora sozinha costuma dar atenção
especial à sua saúde.
Às vezes, morar sozinha pode assustar, por causa da solidão
e da melancolia. Esses sentimentos inoportunos surgem quando menos se espera.
Se por um lado é ótimo viver longe dos pais, da rotina e do
olhar de uma família, por outro, também dá saudades (inclusive
do irmão chato que sempre pegava seus CDs sem avisar) e é nesse
momento que a mulher precisa se conhecer bem, para evitar maiores sofrimentos
e até envolvimentos amorosos que não contribuem para seu crescimento.
Muitas mulheres sem um relacionamento se queixam de que não é
fácil encontrar alguém idôneo e que não queira
se aproveitar da situação, do conforto de seu apartamento, por
exemplo, e que muitos imaginam que terão uma relação
sem envolvimento sério com elas, pois não precisarão
conhecer suas famílias. Ou seja, as mulheres se percebem mais expostas
aos "oportunistas de plantão", portanto, não devem
abrir mão de seus valores. Elas devem deixar claro seus pontos de vista,
devem se respeitar, sem medo da solidão.
O principal antídoto para enfrentar essa situação e ter
uma vida agradável e com qualidade, é manter uma sólida
e diversificada rede social. Ter muitos amigos, praticar esportes, um hobby,
desenvolver multiplicidade de interesses, ir a exposições, festas,
viajar, reunir pessoas em casa para tomar um bom vinho, seguir uma fé,
realizar trabalho voluntário, enfim, não ficar parada dentro
de casa - o que é bom de vez em quando. Tudo isso é fundamental
para se manter o bom humor e ter apoio em momentos críticos da vida.
Diz Noely Moraes (psicóloga colaboradora do Vya Estelar -
coluna amor) que "O risco de quem está só é,
na verdade, o encontro e o apaixonamento", frase com a qual concordo
e amplio para: um encontro verdadeiro consigo mesma e um apaixonamento por
tudo que a vida oferece de bom.
Certa vez ouvi algo muito bonito, para se pensar:
"Viver sozinha ajuda você a conhecer mais sobre o seu ritmo de
vida, seus rituais e seus gostos, pois é um ambiente totalmente construído
por você, enquanto que a convivência com os outros acaba influenciando
no ritmo de uma casa e não se tem certeza do que é seu, o que
é do outro e qual o acordo da relação."
É importante saber que morar sozinha não significa ser sozinha.
A solidão hoje em dia já tem novo sentido, e não se aplica
a alguém só por morar sem companhia. Felicidades a todos os
unipessoais.
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Valéria
Meirelles é psicóloga, psicoterapeuta
e Mestre em Psicologia Clínica Mais informações - clique aqui |