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Coluna Mulher Atual
- Dicas para o bem-estar da mulher de hoje
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Razões para se preocupar com as tendências do
futuro
Por Valéria Meirelles
Um novo ano está começando e junto com ele, surgem
esperanças de um amanhã melhor e mais permeável às
novas possibilidades de melhoria da qualidade de vida humana e do planeta. Começo
agora a série "Tendências", cuja proposta é mostrar
aos leitores quais serão os próximos comportamentos, valores e
movimentos mundiais que afetarão suas vidas no futuro - um futuro que
começa no próximo minuto e pode ir até o ano de 2030.
Pensar no futuro não é uma prática comum e apenas alguns
de vocês sabem com clareza o que estarão fazendo daqui dois ou
três dias. Isso porque as pessoas tendem a evitar o assunto, já
que um dia o futuro simplesmente acontece e aí então se pensa
no que fazer.
Informação e tecnologia caminham num ritmo difícil de serem
acompanhadas e rapidamente algo se torna obsoleto. As mudanças estão
ocorrendo mais rápido do que se consegue assimilar e isso gera desconforto,
preocupação e angústia, dificuldades que sequer se imaginava
viver.
Muitas perguntas povoam sua mente, como por exemplo: se o século passado
presenciou a ida do homem à lua, a adoção dos automóveis
como meio de transporte local, assim como os aviões, a chegada da televisão,
progressos da tecnologia e informática na área médica e
doméstica, a integração dos computadores aos lares, Internet,
entre tantas mudanças, o que mais poderá acontecer?
Ira Matathia e Marian Salzman, autoras norte americanas de um livro sobre tendências,
ensinam a pensar nessas tendências como um ciclo de vida no qual "são
semeadas ou fertilizadas, germinam, crescem, amadurecem, envelhecem e um dia
morrem. Algumas tendências são reencarnadas após uma década
ou mais, porém, muitas vezes de forma um pouco diferente", curiosamente,
como os valores e crenças de uma família e da sociedade.
Fritoj Capra, físico e autor do consagrado livro "O Ponto de Mutação"
ensina: "Vivemos hoje num mundo globalmente interligado, no qual fenômenos
biológicos, psicológicos, sociais e ambientes são todos
interdependentes. (...) Conceitos e atitudes dominantes em vários campos
refletem a mesma visão desequilibradora do mundo, que ainda é
compartilhada pela maioria de nossa cultura, mas que agora está mudando
rapidamente". Ou seja, qualquer alteração em um sistema levará
a alteração em outros e assim sucessivamente, ocorrendo a quebra
de paradigmas e o surgimento de novas tendências, pois existe a necessidade
do novo, quando o antigo perde sua função e dificulta o crescimento
de um sistema. Tanto que as palavras-chave na atualidade são: flexibilidade,
mudança, complexidade, feedback, equilíbrio, compatibilidade e
interdependência. O diferente passará a somar e não a dividir,
uma vez que "(...) Nenhuma teoria ou modelo será mais fundamental
do que o outro e todos eles terão que ser compatíveis". (Capra)
Talvez vocês estejam se perguntando para que se preocupar com tendências.
Há várias razões para isso: vivemos numa sociedade em constante
transformação que chega a colocar o homem em risco, como explica
o sociólogo inglês Anthony Giddens através da expressão
"risk society" (sociedade de risco). Somos diariamente confrontados
com mudanças aceleradas que assustam e retiram do ser humano a sensação
de conforto e segurança, expondo-o a novas situações e
desafios. Negar essa situação é manter-se apegado ao passado,
sem se libertar de hábitos e preconceitos, é assinar uma sentença
de isolamento, dificultando seus contatos e o próprio desenvolvimento.
É preciso ter clareza que a globalização e as novas tendências
afetam diretamente a vida cotidiana: pequenos hábitos, a educação
de seus filhos, a necessidade de constante atualização profissional,
compra de produtos de uma parte distante do planeta, a troca de informações
pela Internet, e tudo isso em escala planetária.
Compreender a mudança implica em não se deixar levar cegamente
pelas inúmeras novidades e refletir sobre o significado de cada uma delas
na própria vida e na sociedade. Não é buscar um controle
sobre algo incontrolável, mas encontrar um lugar de conforto e equilíbrio
num mundo pautado por turbulências e guerras insanas.
Por detrás dessa atitude há algo muito importante que poucos percebem:
a profilaxia ou a prevenção de dificuldades que podem comprometer
a vida das pessoas nos mais diversos aspectos (físico, orgânico,
emocional, afetivo, social, cultural, religioso e intelectual) e que interferem
diretamente na saúde e na adaptação social e profissional,
favorecendo o surgimento de inúmeras síndromes contemporâneas
como pânico e depressão, além de contribuírem para
o aumento do consumo de medicamentos antidepressivos e ansiolíticos,
conforme dados da Organização Mundial da Saúde.
Contraditoriamente, ainda que seja o próprio homem que tenha causado
tantas transformações, esse mesmo ser continua buscando referências
estáveis aos quais possa se agarrar e confiar. Uma das razões
para o grande valor que as inúmeras religiões vêm adquirindo
é justamente a oferta de tranqüilidade e esperança em meio
ao caos que tem se tornado a sobrevivência humana.
Sendo assim, para compreender as tendências, a mulher atual deverá
ficar atenta aos múltiplos processos que regem sua vida e ao mundo, pois
tudo que acontecer a ele, não importa onde, também acontecerá
a ela, mesmo que de forma indireta.
Identificar as tendências e posicionar-se frente a elas, representa estar
atenta aos múltiplos processos da vida, sabendo que não existe
mais uma única referência para se viver; é buscar reintegrar
os fragmentos de si mesmo que a globalização dividiu; é
se permitir aos poucos realizar a transição entre o passado e
o futuro, sem perder suas raízes nem sua identidade. Um exercício
inteligente e desafiador para o ano que se inicia.
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Valéria
Meirelles é psicóloga, psicoterapeuta
e Mestre em Psicologia Clínica Mais informações - clique aqui |