| Coluna Dinheiro - Dicas para a mulher usar bem o seu dinheiro |
O que representa mulheres ganharem 30% menos do que os homens
Por Eliana Bussinger
Em 22 de maio, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), lançou pela primeira vez, em parceria com a Secretaria Especial de Política para as Mulheres, um sistema de indicadores denominado de Sistema Nacional de Informações de Gênero (SNIG), que confirmou o que já sabíamos: as mulheres brasileiras ganham 30% menos do que os homens, em média.Segundo dados ainda do IBGE publicados em 2003, mulheres com mais de 11 anos de escolaridade ganhavam 56% a menos do que seus pares masculinos.
Mas o que significa ganhar 30% a menos do que os homens, considerando apenas os aspectos financeiros e deixando de lado ilegalidades e discriminação?
Essa
porcentagem representa quase um terço a mais de remuneração
para eles. Vejamos algumas coisas que esse um terço pode significar:
Anos e meses mais curtos
É como se
eles tivessem que trabalhar apenas 240 dias do ano, ou 20 dias do mês, considerando
finais de semana.
Anos e meses mais
longos
Sob a ótica feminina, as mulheres que são
vítimas dessa discriminação salarial, teriam que trabalhar
40 dias para receber o mesmo salário deles, ou seja, 480 dias.
Salário
muito mais curto que o mês
O salário
delas, se utilizado exatamente como o dos homens, duraria apenas 20 dias do mês
- 240 dias do ano.
O salário mais curto do que o mês, que é um fenômeno social no Brasil, é de fato bem mais curto do que mês deles para muitas mulheres.
Vejam
o exemplo:
Imaginemos um homem e uma mulher, ambos solteiros, sem
filhos, que ilustrem a desproporcionalidade salarial da média de 30%, e
que por hipótese, utilizem exatamente a mesma quantia para viver (casa,
transporte, roupas, tudo absolutamente idêntico).
Vamos supor que o salário dele é R$1.000 e o dela R$700. E que ambos, com despesas idênticas, gastem 600 por mês (usei esses números apenas por serem simples, e permitir que visualizemos melhor a porcentagem de 30%)
A parte poupada por ele é de
R$400. Já ela poupará apenas R$100 por mês.
Vamos
ainda imaginar que ambos fizessem uma aplicação em um produto financeiro
cuja rentabilidade anual fosse 10% ao ano, e que essa quantia mantida mensalmente,
fosse utilizada apenas 40 anos depois, para a aposentadoria.
Em 2046,
eles teriam as seguintes quantias para utilizar na aposentadoria:
Ele – R$ 2.224.664,84
Ela – R$ 559.560,65
A recompensa foi maior porque ele poupou quatro vezes mais do que ela, o que torna a conta óbvia. Se ela tivesse poupado os mesmos R$400 teria chegado ao mesmo resultado.
A questão é que ganhando menos as mulheres poupam menos.
Além disso das contas que eu fiz, muitos outros fatores estressantes se
somam a essa situação. Um exemplo: ir para o trabalho todo dia e
sentar por oito horas, ao lado de homens que exercem a mesma função
que você. Mas ganham 30%, 40% a mais.
Discriminação
salarial nos EUA é de 20%
Estudo realizado pelo Ministério do Trabalho norte-americano, constatou que a discriminação salarial de gêneros nos Estados Unidos é de 20%. Essa diferença 'usurpa' da mulher americana 250 mil dólares em média, ao longo da vida. Essa é uma perda anual de renda de mais de 200 bilhões de dólares para as famílias americanas. O governo americano já constatou que está perdendo um bom dinheiro em impostos.
Atenção governo brasileiro, mulheres que ganham igual aos homens pagam muito mais impostos e podem gastar mais, estimulando as vendas e a economia.
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![]() | Eliana
Bussinger é mestre em Economia de Empresas pela Fundação
Getúlio Vargas. Mais informações clique aqui |
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