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| "Precisamos perceber quando estamos
tendendo a simplesmente "reagir" ao mundo, de acordo com
uma emoção condicionada. Precisamos pensar, usar a razão
para reavaliar a situação e correr o risco baseados
na pessoa que somos HOJE, checar, acreditar que agora pode ser diferente
do que foi lá atrás" |
Muitas vezes em nossas vidas sabemos exatamente como
deveríamos agir ou nos comportar, e ainda assim nos sentimos
incapazes de fazer o que deve ser feito. |
Como se fios invisíveis nos amarrassem e aprisionassem, limitando
nossos movimentos, só nos resta a sensação de impotência,
um gosto amargo de frustração e a repetição
de cenas já conhecidas que nos impedem de ir em direção
à felicidade.
Como se fôssemos prisioneiros de nós mesmos, ficamos lá,
paralisados, embora tudo em nós grite:
- Mova-se!
Quem já se sentiu assim sabe o quanto é difícil.
- Se sabemos que devemos nos mover, por que não seguimos adiante?
É a pergunta que não nos deixa dormir em paz.
É claro que se fôssemos seres puramente racionais, nada disso
aconteceria. É facil resolver as coisas no campo da teoria e daquilo
que é meramente racional:
- Esse relacionamento lhe faz mal? Então deixe-o e busque algo
mais saudável... Parece simples não?
Mas o fato é que não somos só uma cabeça que
pensa e analisa. Somos também seres emocionais, como se dentro
de nós existisse um lago feito das mais diversas emoções.
A nossa cabeça pensante é como uma pedra lá no meio
do lago, muitas vezes parcialmente submersa, outras vezes totalmente coberta
pelas emoções, a ponto de nem mesmo conseguirmos enxergá-la.
Lago das emoções
O lago das emoções começa a surgir muito cedo na
vida, a partir de nossas primeiras interações com o mundo
que nos cerca. Esse lago é formado por tudo o que sentimos, desde
a infância até hoje. Assim, diferentemente do lado racional
que se baseia em analisar a compreensão dos fatos, num entendimento
lógico do mundo; o nosso lado emocional é feito de uma mistura
confusa de sentimentos. Lá no seu lago está o que você
sentiu quando alguém brigou com você pela primeira vez na
vida, está o seu medo do escuro, a raiva do coleguinha que grudou
chiclete no seu cabelo, a tristeza que sentiu quando seu gatinho morreu,
a alegria de andar na sua bicicleta nova e tantos outros sentimentos.
A partir desses sentimentos, sem se dar conta, você foi aprendendo
a reagir ao mundo.
O saudável seria que razão e emoção conversassem
entre si e que ambas tivessem espaço em nossas vidas, em nossas
decisões. Mas se o lago transborda, se a sua razão se torna
uma pedra submersa, lá no fundo, tão no fundo que você
mal consegue ver... então a emoção se tornará
a condutora de sua vida. E a sua emoção irá sempre
pelo caminho já demarcado anteriormente. Como um rio, que segue
sempre pelo leito escavado na terra, a água flui por onde já
passou muitas vezes, instituindo a repetição como regra
em nossas vidas. E assim ficamos lá, repetindo, repetindo, repetindo.
Para que você entenda de forma prática, imagine que quando
criança você sempre tenha se sentido menosprezado por seus
coleguinhas na escola. Você aprendeu lá atrás a sentir-se
frágil, pequeno, indefeso e inferior. A sua emoção
continuará fazendo com que você se "sinta" assim.
Mesmo que hoje você tenha crescido, se tornado muito forte, capaz
e mais poderoso do que qualquer um de seus ex-coleguinhas; se você
se deixar guiar pela emoção, talvez evite entrar em situações
de confronto, esperando perder, como acontecia no passado.
MEDO (BASEADO EM EXPERIÊNCIAS PASSADAS) + GENERALIZAÇÃO
= PARALISIA
Em geral ficamos paralisados porque somos prisioneiros de um passado,
de uma visão distorcida de nós mesmos que nega a verdade
de nosso ser.
Ficamos paralisados porque sentimos medo. Pense por um instante:
- O que você teme?
Fora alguns medos que são inatos (presentes desde o nosso nascimento
e que tem a função de preservar a nossa integridade física),
a maioria de nossos medos relaciona-se às nossas experiências
passadas (por exemplo, um dia você foi rejeitado ao tentar brincar
com um grupo de coleguinhas, e a partir daí se retraiu e passou
a temer se expor em relações sociais).
Nossas emoções tendem a generalizar indevidamente as experiências
que vivemos. Assim, o medo somado às generalizações
acabam nos aprisionando.
- "Um dia foi assim , logo... acontecerá assim novamente!"
Para sair dessa prisão precisamos correr o risco de testar a vida
novamente. Precisamos perceber quando estamos tendendo a simplesmente
"reagir" ao mundo, de acordo com uma emoção condicionada.
Precisamos pensar, usar a razão para reavaliar a situação
e correr o risco baseados na pessoa que somos HOJE, checar, acreditar
que agora pode ser diferente do que foi lá atrás.
É o seu racional que pode lhe ajudar a enxergar quem você
é hoje. O seu racional poderá lhe fazer raciocinar, perceber
que hoje você é um adulto bem diferente daquela criança
que foi. O seu racional pode lhe mostrar fatos que comprovem sua capacidade
e pode instigar você a testar o mundo com base no presente, e não
no passado.
Assim, se você se encontra paralisado em alguma situação
da sua vida, faça uma lista prática de todos os medos que
consegue associar a essa questão, e depois, racionalmente, perceba
se existem experiências passadas associadas a eles. Avalie se esses
medos são reais ou são generalizações de experiências
passadas. E enfrente-os! Comece pelos mais fáceis, até que
vá se sentindo mais seguro e confiante.
Você é capaz de mudar sua vida. Não desista. Mova-se!
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