| "A ideia vulgar que apregoa qualquer
atividade esportiva, em qualquer lugar com "qualquer pessoa" e que atende
às crianças, é simplesmente primitiva. Caso contrário,
nós continuaremos enterrando os nossos possíveis "futuros"
atletas e reinventando programas de reabilitação psicossocial juvenil" | Proporcionar
condições facilitadoras para a motivação de praticantes
de esportes (desde a iniciação ao treinamento) a fim de construirmos
uma nova cultura esportiva no país, é assunto em voga. |
No último texto (clique
aqui), ao escrever sobre nossas pretensões de rendimento olímpico,
principalmente nos jogos do Rio de Janeiro em 2016, ficou claro, que; para atingirmos
um nível de desenvolvimento de alto desempenho, e ao mesmo tempo, para
a prática esportiva e o exercício físico se tornarem parte
definitiva na vida do brasileiro, precisaremos de uma mudança radical a
respeito de tudo que envolve o esporte: do lazer ao alto rendimento.
Em resumo, para se construir uma cultura esportiva de tradição vencedora
nós necessitamos de um processo complexo de ações que leva
tempo e muita dedicação de alta qualidade. Algumas pessoas
me perguntaram então qual deveria ser a primeira estratégia para
que possamos construir uma nova concepção de cultura de esporte
olímpico? Vou começar com uma frase que um antigo professor
especialista em revelação de talento esportivo me disse certa vez
em Moscou: "Presumo que no Brasil morrem todos os dias centenas de possíveis
atletas de alto desempenho. Morrem sem ao menos saberem de seus potenciais para
o esporte". Essa expressão figurativa diz respeito a algumas
questões que desencadeiam facilitadores da motivação para
o esporte: Quais esportes são oferecidos às pessoas (crianças,
em princípio)? Onde praticar determinado esporte? E sob qual orientação
e supervisão é oferecida a prática esportiva? Em resumo,
proporcionar às crianças brasileiras a oportunidade de descobrir
e experimentar várias modalidades olímpicas em espaços apropriados.
Pergunto: Como saber, se em uma determinada cidade por exemplo, esgrima,
salto ornamental e atletismo podem ser instrumentos de vivência esportiva,
psicossocial, educacional ou de revelação de talento esportivo,
se na mesma não existe equipamentos esportivos para a prática desses
esportes? Ao responder essa primeira pergunta, respondo a segunda e levanto
um dos principais problemas do esporte no Brasil: investimento na construção
de equipamentos esportivos com qualidade e atender as exigências físicas
e materiais das mais diversas modalidades olímpicas. Esse investimento
é caro, muito caro! Porém, é mais barato do que a crescente
tendência de uma juventude obesa, sedentária, viciada, violenta,
desesperada, inoportuna e outros fenômenos, sem falar que o espaço
esportivo é possibilidade de vivências para todas as idades. Por
que, de uma maneira geral, adultos só praticam futebol nos fins de semana?
Simples, há outro esporte para praticar? Portanto, o investimento
maciço na construção de equipamentos esportivos, facilitar
e exigir o mesmo das entidades esportivas privadas deveria estar em qualquer programa
de governo, a partir de agora, em todos os níveis: municipal estadual e
federal. A outra questão está intimamente ligada às
primeiras. Tão fundamental como a estrutura física, recursos humanos
de qualidade são essenciais para o desenvolvimento esportivo. Não
cabe aqui discutir se as faculdades de educação física do
Brasil devem cumprir esse papel ou não. E se devem, será que o fazem
adequadamente ou é precário tal como nossos equipamentos esportivos?
O fundamental é que a sociedade brasileira tenha uma profissão
que seja valorizada, atraente para que mentes brilhantes a sigam e ao mesmo tempo
seja exigente. A ideia vulgar que apregoa qualquer atividade esportiva, em qualquer
lugar com "qualquer pessoa" e que atende às crianças,
é simplesmente primitiva. Portanto, excelência em recursos
humanos e infraestrutura esportiva geral de alta qualidade são fontes motivadoras
para a construção da base de uma cultura olímpica brasileira.
Em conjunto a esse processo surgem as políticas e metodologias
de revelação de talentos, desenvolvimento das competições
olímpicas regionais e em nível nacional, oportunização
do desenvolvimento cultural esportivo nas escolas, aumento do investimento privado
em todos os níveis de prática esportiva (da iniciação
ao rendimento) e outros. Não há mágica, assim fizeram,
para citar alguns países, os Estados Unidos, Rússia, Alemanha, França,
Itália e mais recentemente China e Austrália. Caso contrário,
nós continuaremos enterrando os nossos possíveis "futuros"
atletas e reinventando programas de reabilitação psicossocial juvenil.
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