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Coluna Vida Saudável
- Dicas para a sua saúde e para uma vida saudável |
Mau hábito alimentar de crianças e adolescentes impõe novo papel à pediatria
Por Jocelem Salgado
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O
momento em que a medicina pediátrica atravessa atualmente sugere
análise e reflexão sobre as suas possibilidades futuras.
Desde o aparecimento dessa especialidade médica na Europa há
200 anos, a pediatria voltou-se quase exclusivamente para o controle de
doenças infecciosas e contagiosas das crianças e adolescentes,
além do combate à desnutrição, o que colaborou
muito para a diminuição da mortalidade infantil. Contudo,
os profissionais dessa área que antes atendiam seus pequenos pacientes
com queixas de febre, tosse, dor de ouvido, diarréia, etc, estão
se deparando agora com um novo quadro que está obrigando-os a reverem
seu papel.
Dez dicas para ajudar seu filho a ter uma vida saudável |
Pesquisa revela sobrepeso em 16% dos estudantes paulistanos entre 10 e 15 anos |
O
estilo de vida inadequado nas grandes cidades que leva ao sedentarismo e à
má alimentação, mais a predisposição genética,
estão fazendo com que o número de crianças e adolescentes
com doenças crônico-degenerativas, antes consideradas típicas
de pessoas que já passaram dos 50 anos, aumente assustadoramente. Colesterol
alto, hipertensão, diabetes do tipo 2, etc, são problemas que
os pediatras estão tendo que enfrentar em seus consultórios diariamente.
Como se não bastasse, problemas mentais como ansiedade e depressão
que antes eram descritos somente em adultos, são cada vez mais comuns
entre as crianças nos dias de hoje. Os especialistas em saúde
infantil acreditam que a competitividade, o estresse e ambiente familiar muitas
vezes hostil, fazem com que as crianças se sintam cada vez mais inseguras
e revelem esses sintomas prematuramente.
Entretanto, o que chama mais atenção da classe pediátrica
ainda é o grave problema da obesidade, que leva à síndrome
plurimetabólica, ou seja, a combinação de hipertensão,
dislipidemia (aumento do nível de colesterol e de triglicérides
no sangue) e diabetes tipo 2.
Uma pesquisa realizada recentemente em São Paulo com 8.020 estudantes
de 10 a 15 anos revelou que 16% estão na faixa de sobrepeso e 10% têm
diagnóstico de obesidade. Além do alto consumo de guloseimas,
o estudo, coordenado pelo prof. Dr. Mauro Fisberg da Universidade Federal de
São Paulo, mostrou um dado alarmante: 81% dos alunos de escolas particulares
e 65% dos alunos de escolas públicas são sedentários, ou
seja, realizam menos de dez minutos de atividade física por dia.
Nova pediatria
Esse momento em que a medicina pediátrica atravessa atualmente pede um
redirecionamento da ação do profissional que cuida da saúde
infantil. O médico que atende hoje uma criança em seu consultório
deve ficar atento aos problemas de saúde relacionados ao estilo de vida
inadequado que os tempos modernos trazem consigo. Trata-se de uma nova pediatra
voltada para a prevenção, uma mudança necessária
para cuidar de crianças que possivelmente chegarão aos 100 anos,
se depender do crescente aumento da expectativa de vida.
Os especialistas que já atuam dessa forma afirmam que medidas de prevenção
devem ser tomadas nos primeiros 20 anos de vida e que isso pode ser decisivo
para o futuro das crianças. Recentemente, descobertas da medicina mostraram
que muitas doenças comuns nos adultos têm suas raízes na
infância, por isso, essa tem sido considerada a fase da vida mais crítica
para a prevenção eficaz de muitas enfermidades. Problemas que
surgem na infância, avançam silenciosamente durante décadas
e só vão se manifestar 40 ou 50 anos mais tarde, afetando a qualidade
de vida dos adultos.
De acordo com o cardiologista Francisco Fonseca, especilista da Unifesp e um
dos editores da primeira diretriz de prevenção da aterosclerose
na infância e na adolescência, elaborada pela Sociedade Brasileira
de Cardiologia, "o problema é que muitas enfermidades como a aterosclerose,
por exemplo, avançam sem alarde até a idade adulta e, em um terço
dos casos, sua primeira manifestação é um infarto fatal".
Crianças que apresentam história de doenças crônicas
na família, como as cardiovasculares, devem ser orientadas pelo pediatra
a moderarem o consumo de gordura e açúcar e praticar uma atividade
física regular.
Orientando os pais
Pesquisas que estudam os hábitos alimentares das crianças mostram
que a missão dos pais em orientar seus filhos em relação
a uma alimentação saudável está sendo desempenhada
com displicência. Muitos acham natural que as crianças prefiram
batata frita, salgadinhos, hambúrguer, sorvete, etc... do que comer uma
salada de cenoura, agrião ou um pedaço de peixe grelhado. Esquecem
que a responsabilidade pela saúde da criança é sobretudo
deles e que são os pais que devem escolher os cardápios dos filhos
e programar suas atividades físicas.
A nova pediatria tem como missão principal orientar esses pais de como
devem agir, a fim de prevenir inúmeras doenças que poderão
comprometer a qualidade de vida de seus filhos, principalmente na fase adulta.
A família deve ser reeducada para melhorar a qualidade das refeições
consumidas e, exercício físico deve ser o "lema" de
todos os componentes da casa. Com essas medidas, é possível reduzir
entre os pequenos o risco da obesidade, das altas taxas de colesterol no sangue,
hipertensão e diabetes.
Dez dicas para ajudar seu filho a desenvolver uma vida
saudável
A American Heart
Association (Associação Americana do Coração) divulgou
no início de julho, dez dicas para os pais ajudarem seus filhos a terem
hábitos mais saudáveis. Aqui estão elas:
1. Seja um modelo positivo. Se os pais não praticam hábitos
saudáveis não conseguirão convencer seus filhos.
2. Envolva a família. Planeje atividades em que todos os membros
da família participem. Vale caminhadas, passeios de bicicleta, natação
e até mesmo brincar de esconde-esconde, todos irão se beneficiar.
3. Limite o tempo em frente da TV, videogame e o computador. Estas atividades
levam a uma vida sedentária e lanches em excesso, o que aumenta o risco
de obesidade e doenças vasculares.
4. Encoraje atividades físicas, mas que as crianças gostem.
Cada uma é diferente e elas podem não gostar de determinadas atividades.
Deixem que elas experimentem e escolham do que gostam.
5. Seja positivo. Se foque sempre no lado positivo. Todos gostam de ser
paparicados por um bom trabalho.
6. Estabeleça metas. Como uma hora de atividades físicas
por dia, apenas uma sobremesa após as refeições. Quando
as metas são arbitrarias ou muito restritivas as chances de sucesso diminuem.
7. Não recompense as crianças com comida. Doces e salgadinhos
como prêmio encoraja maus hábitos. Encontre outras maneiras para
comemorar bons comportamentos.
8. Faça do jantar a hora da família. Quando todos se sentam
juntos existe uma menor probabilidade da criança abusar de determinados
alimentos. Desta maneira todos desenvolvem costumes saudáveis.
9. Informe brincando. Ao descobrir o que é bom pra elas de forma
divertida as crianças costumam adequar as informações a
sua vida.
10. Se envolva. Acompanhe o que seu filho come na escola, certifique-se
que a instituição oferece serviços que pensem no bem-estar
do seu filho. Faça com que te ouçam.
Informações podem ser obtidas no site www.jocelemsalgado.com.br
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Jocelem
Salgado - Profª. Titular
em Nutrição LAN/ESALQ/USP/Campus, Piracicaba Mais informações clique aqui |