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Tenho “percepção bipolar” do casamento o que eu faço?


por Anette Lewin

Sou casado há quase uma década e nos últimos dois anos tenho tido o que chamaria de uma percepção bipolar do casamento. Estou de forma constante alternando insatisfação com gratidão. Ora acho o casamento uma prisão, ora acho uma redenção. Sinto me preso a certos padrões dos quais não consigo sair. Sinto muita dificuldade em dividir tudo o que se tem que dividir na vida a dois: administração da casa, dinheiro e tentar uma vida sexual satisfatória... Enfim, tenho muita dificuldade de sair do "eu" para "nós". Será que não tenho vocação para o casamento? Afinal, qual dessas percepções poderia ser a mais verdadeira: a da insatisfação ou a da gratidão?

"... se o ser humano em seu inerente egoísmo e recente imediatismo pudesse enxergar o casamento depois de uma década... talvez não se casasse" Resposta: Sua percepção do casamento está correta! Se você tem ou não vocação para ele... aí são outros quinhentos.

Não se esqueça que as pessoas, em geral, quando se casam estão apaixonadas. E a paixão distorce a realidade.

No inicio de um relacionamenteo amoroso, dividir, partilhar, abrir mão, presentear, são as palavras de ordem. Parece muito fácil fazer tudo isso e sentir apenas... prazer. Com o passar do tempo e o diluir do estado apaixonado, essas atitudes começam a retomar sua real dimensão e podem se tornar desconfortáveis com maior ou menor frequência. Afinal, a tendência natural dos seres humanos é pensar no singular. Mesmo quando se une aos outros, seja socialmente, seja amorosamente,a pessoa está pensando em ganhos para si próprio em primeiro lugar. O ser humano é por essência egoista e as leis estão aí para frear essa tendência e tornar o convívio social viável.

Por outro lado, voltando à sua questão, a sensação de conforto, gratidão e por que não, amor, são conquistadas na medida em que o casal vai construindo suas vivências em conjunto e conquistando a confiança no outro. Na sua percepção, parece ser estranho conviver com sentimentos tão ambíguos em relação a uma mesma pessoa, não é? Mas essa ambiguidade é bastante natural. Quanto mais se ama uma pessoa, mais se odeia essa mesma pessoa quando ela nos frustra no campo do "eu"; quanto mais conforto uma pessoa nos proporciona maior a possibilidade de desejarmos que ela nos proporcione alguma inquietação; quanto mais bonita for essa pessoa, maior a possibilidade de pensarmos que uma pessoa mais feia nos daria mais segurança, e por aí vai...

Sua percepção não é bipolar; nós é que somos iludidos pela imposição de uma percepção romântica de casamento que ainda perdura; uma percepção que se baseia no inicio de um relacionamento amoroso mas não conta como ele continua; uma percepção que envolve juras de amor constante e linear até que a morte os separe. Essa imposição sim é questionável mas tem lá suas razões. Sim, porque se o ser humano em seu inerente egoísmo e recente imediatismo pudesse enxergar o casamento depois de uma década... talvez não se casasse. E a sociedade de consumo perderia seus alicerces baseados no modelo familiar. Já está perdendo? Talvez...

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Esta coluna trata exclusivamente de RELACIONAMENTO AMOROSO, não trata de astrologia, pedimos a gentileza de enviar somente perguntas pertinentes ao tema RELACIONAMENTO AMOROSO.

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Anette Lewin
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