Mente na Terceira Idade
Informações sobre funcionamento da mente na terceira idade e gerontologia

Não existe limite de idade para planejar metas

por Elisandra Vilella G. Sé



"As metas são para viver um estado de felicidade no futuro, é o que impulsiona o indivíduo no curso de vida, mas ela é estabelecida no presente. É preciso também viver o presente, no presente, pelo presente. As metas como tudo que se pensa e se realiza na vida, são consideradas tarefas evolutivas, tarefas de desenvolvimento. Planejar faz parte da vida, do presente e do futuro, viver para o planejamento é um desafio adaptativo no presente. Somos o que acreditamos ser, quando você diz “sim”, o “não”, não existe"

Neste texto iremos fazer uma reflexão em torno das metas de vida que todo ser humano estabelece para o seu desenvolvimento.

As metas fazem parte da vida, do processo de viver sempre com esperança e expectativas. Metas e investimentos pessoais são apontados pela Psicologia do envelhecimento como importantes preditores da saúde mental. Os objetivos ou metas de vida constituem componentes da saúde mental e do envelhecimento bem-sucedido, uma vez que planejar a realização de tarefas, conquistas, empreender um esforço para alcançar um objetivo representam um comportamento de perspectivação no curso de vida.

Quem nunca planejou algo na vida? Estabelecer metas de vida para alcançar objetivos, realizar algo significativo ou conquistar algo no âmbito profissional e pessoal faz parte do desenvolvimento da vida adulta.

E com o avançar da idade, os idosos mantêm seus investimentos, suas metas em vários domínios da vida?

O que as pessoas esperam alcançar de suas vidas?

Os conteúdos das metas pessoais dos adultos mais velhos e idosos são semelhantes às dos mais jovens?

Viver planejando algo traz felicidade?

Essas são questões levantadas por pesquisadores da área da psicologia do envelhecimento que estudam as metas de vida e bem-estar psicológico na velhice.
Pesquisadores como NERI e FREIRE (2005), afirmam que mesmo em momento de insegurança e incerteza, pessoas idosas continuam estabelecendo metas de vida a serem atingidas a curto, médio e longo prazo, cujos conteúdos estão relacionados a domínios de vida como realização profissional, autonomia, manutenção da própria saúde ou de contatos sociais significativos. À medida que envelhecem, estabelecem novas metas ou alteram os esforços que empreenderam no decorrer da vida para alcançar o que desejam.

Porém, só de as pessoas alterarem seus esforços para continuar a perseguir uma meta, já significa que planejar não necessariamente irá acontecer como se espera. Portanto, quando se estabelece uma meta de vida, ela sempre vem acompanhada de muita importância e afeto, e probabilidades. As pessoas atribuem grande significado nos objetivos a serem alcançados, e mesmo com muita dificuldade, modificam o percurso para tentar alcançar o que há tempo não tem saído como planejou. Isso quer dizer que as metas são estabelecidas, mas nós seres humanos não temos consciência no momento de criar nossos objetivos, de que vivemos no mundo das probabilidades. Mas as metas são importantes. Elas se articulam ao estilo de vida, à personalidade e a conteúdos sócioculturais vivenciados pelos indivíduos. Por meio desses se adquire conhecimentos que permitem lutar para alcançar o planejado.

As metas de vida se relacionam com a ideia de propósito de vida e têm o poder de dirigir o comportamento para um fim. Essa orientação da mente para planejar coisas na vida, é um processo mental e lógico, de tomada de decisão, de ter domínio sobre o curso de vida.

Mas não podemos esquecer que planejar metas, se engajar em atividades que orientem uma realização, envolve uma perspectivação sobre algo na realidade, isto é, pensar o futuro com aquilo que se deseja conquistar e, que nem sempre irá funcionar de modo como sempre planejou. É preciso saber a dose certa do planejamento. Saber fazer uso do tempo social e cultural para viver a realidade. Isso significa saber fazer uso do tempo presente e não esquecer da vida presente e viver só para a meta futura.

A extensão de tempo futuro abrangido pelas metas nos diz muito sobre como as pessoas estão envolvidas com os conteúdos de suas metas. Investir uma meta para comprar um carro, por exemplo no futuro próximo, e já sabendo dirigir, é diferente de planejar aprender ainda a dirigir, para depois comprar o carro e depois começar a andar com o carro e depois a viajar de carro. As metas e os interesses dos indivíduos refletem as tarefas das etapas da vida. Por isso, que muitas vezes elas se diferenciam de acordo com as idades e fases da vida (adolescência, vida adulta e velhice).

À medida que as pessoas envelhecem, as pessoas tornam-se menos interessadas nos domínios de vida geralmente considerados controláveis e, mais interessadas nas áreas sobre as quais julgam ter pouco controle (como a saúde e vida dos filhos). De acordo com pesquisas da área, a meta final de todo processo é o autodesenvolvimento.

As metas são para viver um estado de felicidade no futuro, é o que impulsiona o indivíduo no curso de vida, mas ela é estabelecida no presente. É preciso também viver o presente, no presente, pelo presente. As metas como tudo que se pensa e se realiza na vida, são consideradas tarefas evolutivas, tarefas de desenvolvimento. Planejar faz parte da vida, do presente e do futuro, viver para o planejamento é um desafio adaptativo no presente. Somos o que acreditamos ser, quando você diz “sim”, o “não”, não existe. Muitas vezes estamos onde estamos pensando. Mas vivemos no mundo das probabilidades, das possibilidades. Nunca sabemos se tudo o que planejamos e estabelecemos irá acontecer como queremos. Então, podemos estabelecer metas de vida até os últimos instantes, mas viver o presente em cada presente é diferente de viver um futuro que ainda não aconteceu. Só isso já leva a felicidade.



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Elisandra Vilella G. Sé
é Fonoaudióloga, Mestre em Gerontologia e Doutoranda em Linguística
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