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| "Para manter a autoestima ao longo
da vida, é necessário um exame contínuo em nossas
crenças para saber se são adequadas ou não à
nossa realidade. Se elas estarão contribuindo para nossa satisfação,
realização de planos e felicidade" |
Autoestima significa gostarmos de nós mesmos,
nos apreciarmos, aceitar nossas habilidades e nossas limitações,
de forma realista e genuína, sem excessos de valorização
da nossa própria pessoa. É a percepção
subjetiva que a pessoa faz de si mesma. |
A autoestima se desenvolve como parte da nossa personalidade, que se
forma muito cedo e é bastante complexa. Ela se forma a partir da
construção social e psicológica da nossa personalidade.
Envolve crenças sobre si mesmo. Como por exemplo: sou capaz/incapaz;
competente/incompetente, assertividade/medo. Ela pode se expressar em
uma dimensão específica, particular ou geral, coletiva.
Para gostar de nós mesmos precisamos saber quem somos, exercitar
o autoconhecimento, autoaceitação, isto é, conhecer
a própria identidade. E isso se forma com o tempo, conforme crescemos
e desenvolvemos.
Desde criança percebemos o que as pessoas esperam de nós,
que comportamentos são apreciados ou reprovados. Isso nos dá
a ideia do que é certo e errado. Por isso é natural que
ao longo da vida formemos uma imagem a nosso respeito, do que somos capazes,
de como somos enquanto pessoa e como as pessoas nos veem. E muitos dos
julgamentos qualitativos que se faz de si próprio podem às
vezes corresponder com a realidade ou não, podem ser positivos
ou negativos.
Ao longo da vida, adquirimos informações, valores, regras,
comportamentos, compartilhando sentimentos que contribuem para a nossa
identificação e avaliação que fazemos dela.
A maneira como percebemos nossas emoções, sentimentos, comportamentos
e capacidades se devem sempre a um tipo de valor. É assim que definimos
quem somos. Por isso é impossível se ter uma opinião
neutra sobre si mesmo. A nossa autoestima é permeada pelo nosso
meio social como também é o nosso autoconceito e tudo na
vida. Não existe desenvolvimento fora das interações
humanas.
Suponhamos que uma criança possui pais superprotetores demais que
a impeça de vivenciar vários acontecimentos na infância,
como subir em árvores, andar descalço, não tomar
chuva para que não fique doente, pais que fazem tudo pela criança,
fazem a tarefa da escola para que ela não erre, não a deixa
comer sozinha, fazer nada sozinha, recebendo uma proteção
em excesso a ponto de a criança acreditar que realmente é
frágil, que realmente precisa de toda proteção. Assim
sendo, essa criança pode se tornar um adulto frágil, um
adulto que terá sua autoestima negativa.
| Tudo o que vivenciamos e
aprendemos, vemos e ouvimos é sempre filtrado pelo nosso sistema
de crenças. Dizemos a nós mesmos o tempo todo o que
estamos vendo e ouvindo e isso é registrado como nossa versão
da realidade. |
Agora suponhamos um adulto que vivenciou vários eventos negativos
ao longo da vida, sofrimentos sem apoio e sem recursos. Esse adulto pode
acreditar que os fatos acontecem independentemente de suas ações,
atribuindo tudo à “força do destino”, ou que
ele é impotente diante das adversidades, acabando por comparar
a vida com as de outras pessoas e creditando que tudo acontece com ele
e não com os outros. E assim se configura um adulto que não
acredita na sua capacidade, que não adianta se esforçar
e desiste facilmente dos desafios. Aí sua autoestima fica prejudicada.
Plasticidade psicológica: reformule suas crenças
sobre si mesmo
Essas ilustrações são para mostrar de forma simples
como pode se formar uma autoestima negativa. Lógico que uma pessoa
com uma autoestima baixa não será dessa maneira para o resto
da vida, o ser humano possui uma plasticidade psicológica que lhe
permite reformular suas crenças sobre si mesmo.
E como podemos fazer então para preservar a autoestima ao longo
da vida?
Acontece que quando definimos quem somos, exercitamos o autoconhecimento
nos tornamos menos sensíveis à opinião alheia. Uma
vez estabelecida nossa identidade, nossas ações no mundo
e nossos papéis, tendo noção do que somos, do que
queremos e do que fazemos, mantemos uma coerência interna.
Segundo estudiosos da área de psicologia, a autoestima pode ter
uma ligação muito forte com nossos propósitos que
estabelecemos ao longo da vida, isto é, nossos objetivos de vida,
nossas metas, planos e escolhas. E ao longo da vida esses objetivos vão
se modificando. Uma vez atingidos, estabelecemos novos objetivos e assim
sucessivamente eles requerem mudanças. E estamos sempre adequando
os objetivos a cada nova realidade. Então, em qualquer fase da
vida a autoestima pode ser mantida, melhorada e adaptada.
Muitas coisas contribuem para a preservação da autoestima,
nossas crenças, nossos, valores, nossos relacionamentos, objetivos,
adaptações, regras sociais e comparações.
Mas o mais importante são suas crenças sobre si mesmo e
seus objetivos de vida.
Para manter a autoestima ao longo da vida, é necessário
um exame contínuo em nossas crenças para saber se são
adequadas ou não à nossa realidade. Se elas estarão
contribuindo para nossa satisfação, realização
de planos e felicidade. Se suas crenças estiverem a favor da insatisfação
você precisa reprogramá-las, para que você desenvolva
a capacidade de gerenciar sua vida.
Para as pessoas e profissionais que cuidam de adultos e idosos e querem
manter elevada a sua autoestima, é preciso gostar deles. A autoestima
também envolve sentir-se íntegro, respeitado. Os idosos
têm direitos adquiridos sobre sua própria vida, são
pessoas responsáveis pelos seus atos, exceto pessoas acometidas
por patologias neurológicas degenerativas como o caso de demência.
E cuidados pessoais também são indicativos de uma boa autoestima.
Todo seu autoconceito está baseado naquilo que você faz com
você, em prol da sua mente e do seu corpo, baseado no que você
acredita ser bom pra você de forma realista e satisfatória.
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