Cyber Carreira
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Pontos positivos e negativos mencionados na entrevista são relativos


por Roberto Santos

Meu ponto positivo é que não sou muito tolerante quando vejo alguém fazendo um trabalho de forma incorreta. Mesmo que isso venha me prejudicar, acabo interferindo, com boa intençao é claro, pra mostrar àquela pessoa o correto. Meu ponto negativo é que não me sinto seguro pra fazer algo que não tenho experiência sem alguém experiente ao lado, até que aquela pessoa me diga que estou fazendo certo e que já posso fazer sozinho. Pega mal dizer isso numa entrevista?

"Por exemplo, o aspecto que você atribui como negativo -- dependência da aprovação de outros quando você não está muito seguro -- pode ser uma grande qualidade para um chefe que adora subordinados dependentes para que não cometam erros desnecessários e para que ele(a) se sinta útil" Resposta: Primeiramente, sugiro que você visite a coluna de Cyber Carreira (clique aqui e leia) e cheque respostas anteriormente dadas sobre o tema de como se comportar em entrevistas, inclusive uma sobre o que falar sobre pontos positivos e negativos.

Porém, sua consulta traz uma questão que vai além do que "abrir" numa entrevista -- o que é ponto positivo e negativo?

Existem aspectos de nosso comportamento que são absolutamente bons ou ruins? Positivo ou bom pra quem? Negativo pra quem?

Por exemplo, o aspecto que você atribui como negativo -- dependência da aprovação de outros quando você não está muito seguro -- pode ser uma grande qualidade para um chefe que adora subordinados dependentes para que não cometam erros desnecessários e para que ele(a) se sinta útil.

Nesse caso, o ponto negativo pode ser do chefe. Por outro lado, há um conceito validado cientificamente que tem suas origens há 2.500 anos, descrito por Heráclito, um filósofo grego, chamado de "enantiodormia". Esse "palavrão" trata do "fenômeno que faz com que uma coisa excessiva se transforme em seu contrário." No mundo corporativo, isso ficou conhecido como "descarriladores de carreira" -- aspectos de nossa personalidade que se manifestam em comportamentos que podem ser pontos fortes mas se exagerados, podem se transformar em riscos para o desempenho, sem nos darmos conta, e sem dar-nos conta deles, podemos ser vítimas de algo bom praticado em excesso.

Você pode ler em minha coluna sobre Gestão Pessoal do Vya Estelar (clique aqui e leia), uma série de artigos sobre os descarriladores mais comuns no mundo do trabalho. Portanto, ser atento aos erros dos outros, interferir em sua execução, apontando-os, com a melhor das intenções, pode ser um ponto positivo, sem dúvida, dependendo da abertura e expectativa do outro para sua interferência, mas pode ter o efeito contrário. Essa característica revela um dos 11 descarriladores que descrevo nos artigos que é o Perfeccionismo.

Ser preocupado com a precisão e qualidade na execução dos trabalhos é um ponto positivo, quando se transforma em perfeccionismo (apesar de ser comumente usado como um exemplo de ponto forte em entrevista...) você está usando um ponto forte em excesso e passa a ser disfuncional. No caso citado, se a pessoa que está fazendo o trabalho erroneamente lhe pede ajuda, ótimo, mas interferir sem ser chamado, pode ser rechaçado e criticado.

O outro exemplo -- precisar de alguém para aprovar o que está fazendo quando não se sente seguro também se assemelha ao descarrilador denominado "Cauteloso" (em excesso). Essa insegurança indica, acima de tudo, um medo de ser criticado que faz com que deixe de tomar iniciativas e se arriscar, agindo em detrimento de sua reputação profissional. Daí, fica a pergunta, se sou intolerante com os erros dos outros, devo estar sendo mais ainda intolerante com os meus.

Quando a preocupação com acertos e qualidade ajuda meu trabalho e minha carreira, ela é positiva; quando ela pode me prejudicar, é porque estou exercendo-a em excesso e preciso colocar limites. O que falar na entrevista é consequência do que você quer ver refletido na reputação a ser projetada em suas interações.

Esta coluna trata exclusivamente de ASSUNTOS PROFISSIONAIS, pedimos a gentileza de enviar somente perguntas pertinentes a esse tema.

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ATENÇÃO: As respostas do profissional desta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um profissional de psicologia e não se caracterizam como sendo um atendimento

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Roberto Santos
é profissional de Recursos Humanos, com 30 anos de experiência, inclusive como executivo em grandes organizações multinacionais
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