| "... quando o atleta reúne
esses três componentes (físico, emocional e mental) em
níveis elevados de desempenho e consegue, de maneira funcional
e intensa, desempenhar suas funções utilizando todo
esse potencial, o atleta, enfim, estará mobilizado" |
A UNIVERSÍADE é uma competição
mundial entre universitários. São os Jogos Olímpicos
Universitários. Apesar de muitos atletas olímpicos de
vários países participarem, sobretudo da Europa e Estados
Unidos e também do Brasil, nossa mídia não repercute
essa sensacional competição, mas nem por isso deixa
de ser um evento esportivo extraordinário. |
Este ano a competição será na cidade de Belgrado
na Sérvia entre os dias 29 de junho a 13 de julho. Muitas competições
de diversas modalidades serão vistas por milhares de pessoas, principalmente
da Europa e envolverá toda a Sérvia em mais um evento olímpico
mundial.
Em competição desse nível muitas disputas são
decididas em frações de segundo, como no caso do atletismo
ou em pequenos detalhes como na ginástica olímpica. Desse
modo vem à minha mente uma pergunta de vários atletas: o
que mais preciso fazer para intervir bem nas competições?
Respondo: mobilização psicofísica.
Essa é uma expressão que por si só não quer
dizer muita coisa, embora seja muito utilizada nos meios esportivos e
acadêmicos. Então vamos a uma breve explicação:
Mobilização psicofísica
Um estado psicofísico de mobilização é a
totalidade de habilidades psíquicas (emocionais e mentais) e físicas
mobilizadas (reunidas e interligadas) para uma intervenção
esportiva específica. Em poucas palavras é um modelo de
estado atlético ótimo. Portanto, quando o atleta reúne
esses três componentes (físico, emocional e mental) em níveis
elevados de desempenho e consegue, de maneira funcional e intensa, desempenhar
suas funções utilizando todo esse potencial, o atleta, enfim,
estará mobilizado.
O componente físico é determinado pelas capacidades físicas
concretas para a atuação do atleta na competição.
Significa dizer, por exemplo, que ao falar de uma atleta de ginástica
olímpica, força, flexibilidade, coordenação,
resistência orgânica e outras capacidades físicas,
são capacidades essenciais.
O componente mental é definido como o programa preciso do comportamento
pretendido pelo atleta. É justamente esse programa que representa
as formações de estruturas táticas de competição.
O componente emocional é o nível mais adequado de excitação
emocional, que possibilita o melhor modo de intervenção
do atleta. Um atleta emocionalmente mobilizado não se irrita e
tampouco ele fica apático, nas mais diversas situações
de disputa esportiva.
Em conclusão, a preparação do atleta deve ter uma
orientação integrativa para proporcionar uma rigorosa interrelação
e interdependência entre os componentes acima.
Para a facilitação de um estado de mobilização
psicofísica, o passo mais importante é a qualidade dos treinamentos
integrativos. Para tanto, é preciso que os treinamentos sejam realizados
com:
• Níveis ideais de intensidade e desafios:
são treinos que exigem o máximo do atleta sem esgotamento
e com desafios harmônicos – não são fáceis
e nem extremamente difíceis.
• Exigência psicomotora compatível com o atleta:
é oferecer ao atleta apenas aquilo que, ao menos ele tenha possibilidade
de realizar ou aprender.
• Controle do estímulo – descanso:
as cargas de treinamento precisam ser controladas (para evitar excessos
ou precariedade) e conter períodos de descanso de qualidade.
• Ritmo ideal: o volume de treinamento (duração
e quantidade de sessões de treino), o controle da intensidade,
exigência técnica, tática e psicológica associados
ao período de descanso, ditam basicamente o que chamamos de ritmo
ideal.
Por fim, volto à Universíade e torço para que nossos
atletas consigam uma mobilização psicofísica ótima
até o fim da competição.
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