| Coluna Mente Feminina - Dicas para a saúde mental da mulher |
Importância
da psicologia intuitiva e profissional no esporte
Psicologia
no esporte - clique aqui
Por Dr. Joel Rennó Jr.
O futebol é um esporte coletivo. Por isso, não adianta ter grandes jogadores se vaidades pessoais ou interesses individuais prevalecerem. O favoritismo excessivo sempre precisa ser trabalhado. Não gosto da terminologia 'titular' e 'reserva', principalmente, se critérios rígidos de permanência neste status forem estabelecidos. Isso só segrega o grupo. Essa é uma mazela da Seleção Brasileira.Espero que os jogadores brasileiros e o próprio Parreira não fiquem justificando a permanência de atletas, sem as melhores condições técnicas e físicas atuais, apenas pela história e nome que cada um tem na Seleção. Devemos gratidão e respeito a todos eles.
Mas o melhor time tem que entrar sempre em campo para se evitar arrependimento futuro. No jogo contra o Japão, com cinco novos jogadores reservas (Cicinho, Gilberto, Gilberto Silva, Juninho e Robinho) o time se transformou, com maior mobilidade, dedicação, solidariedade, esforço e talento. Com tais alterações, assistimos a um Brasil muito melhor, o que obviamente até favoreceu o Ronaldo a marcar seus dois gols que o tornaram um recordista.
Fico temeroso pelo excessivo conservadorismo do técnico Parreira. Ele só fez todas aquelas alterações porque o jogo não valia nada, o Brasil já estava classificado. Ele deveria manter no mínimo três ou quatro jogadores desse último grupo. Parece que infelizmente, todos os antigos titulares tendem a permanecer nos jogos da fase decisiva e eliminatória.
Cabe aqui valorizar as lições que o técnico Felipão continua dando ao mundo do futebol. É destemido e arrojado. Com uma seleção portuguesa limitada tecnicamente e com um histórico de ser individualista e repleta de vaidades, ele dá um show, mostra a importância da doação, do equilíbrio emocional, da obediência tática e da determinação coletiva rumo às grandes vitórias da vida.
Realmente, assim como ele fez em 2002 com o Brasil, consegue ser decisivo nos momentos mais difíceis da fase do mata-mata - gíria do futebol, onde a única opção é ganhar ou, se perder, voltar para casa. Não é sorte, é pura competência e talento. Ele é um psicólogo nato. E tem também a assessoria de ótimos profissionais da área. Pode não ganhar o título, mas já levou Portugal limitadíssimo aos oito melhores do mundo, um feito histórico.
O Brasil precisaria entrar em campo, em um momento tão decisivo como este, com sua melhor condição técnica e tática, com o grupo mais competente e eficiente. As chances para a nova e brilhante geração de jogadores precisariam ser mais concretas e assumidas por seu comandante maior. Não acredito sinceramente que os melhores atletas estejam sendo realmente os escolhidos pelo conservador técnico Parreira. Pode até ganhar a Copa devido ao alto potencial brasileiro, mas na prática o futebol nacional não está sendo nitidamente representado pelo seu melhor grupo de atletas, infelizmente porque há 'intocáveis', por interesses que todos nós desconhecemos ou apenas presumimos.
Portanto, além da formação acadêmica voltada à psicologia do esporte, os psicólogos do esporte precisam conhecer a história, a linguagem e a cultura do futebol para que realmente consigam participar desse sistema. O inverso também é verdadeiro, ou seja, toda a comissão técnica e os próprios jogadores também precisam se engajar de corpo e alma em tal processo psicológico.
A psicologia no esporte intuitiva e profissional
O esporte entendido
enquanto fenômeno social tem se destacado como uma das grandes instituições
coletivas do final do século passado, sendo objeto de investigação
em várias áreas. Entre estas se destaca a psicologia do esporte,
que, apesar de ter surgido no início do século XX ainda é
percebida como área emergente. Em termos sucintos é definida por
Kátia Rubio como "o estudo científico de pessoas no contexto
do esporte ou do exercício" (RUBIO, 2000:15). Conforme a American
Psychological Association, o enfoque dos psicólogos esportivos esta
direcionado para dois campos distintos, mas interconectados:
1- a otimização das performances
2- a investigação de como a inserção em atividades
físicas e esportivas transforma o âmbito psíquico e a saúde
das pessoas.
Relacionada à educação física e à fisioterapia, a psicologia do esporte tem buscado ser reconhecida, atualmente, como uma disciplina da psicologia, entendida como psicologia aplicada. Tradicionalmente, porém, o que acontece é a relativa ausência da disciplina nas grades curriculares dos cursos de graduação em psicologia no Brasil. Recentemente, a tendência tem sido a elaboração de uma 'Ciências do Esporte', que congregaria então a biomecânica, a sociologia, a antropologia, a medicina e a psicologia do esporte, bem como outros campos do saber diretamente voltados para a prática esportiva (DISHMAN, apud RUBIO, 2000).
Uma das condições
básicas para o rendimento máximo do atleta nas competições,
é que ele também consiga o controle de seus estados mentais e
emocionais: além de recuperá-lo da falta de motivação
e energia, dos quadros de estresse, os programas de treinamento psicológico
se utilizam da reabilitação para que o atleta consiga retornar
mais rapidamente às competições, depois de uma lesão.
A psicologia do esporte incluindo o futebol, vai muito além de simples
palestras motivacionais e de auto-ajuda. Deve levar em consideração,
ao planejamento e adoção de estratégias, avaliações
individuais e coletivas. O perfil psicológico e estrutura de personalidade
de cada atleta, incluindo a sua interação com os companheiros
e capacidade de agregação e solidariedade, é um fator relevante
que deve ser considerado pelos profissionais - especialistas ou outros - como
o próprio técnico e fisioterapeuta.
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Dr. Joel Rennó Jr -
Doutor em Psiquiatria pela Faculdade de Medicina da USP. Coordenador do
Projeto de Atenção à Saúde Mental da Mulher-Instituto
de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP Mais informações clique aqui |