| Nos dias atuais a luta por emprego,
qualificação e bons salários parecem ser os resumos
para a dita vida de sucesso. Em conseqüência, há uma
tendência exagerada das pessoas se esforçarem em fazer apenas
as coisas que claramente trarão algum proveito imediato.
| "A palavra autotélica originou-se
da união de duas palavras gregas: auto, que significa por (ou
de) si mesmo, e telos, que significa finalidade. Portanto, uma experiência
autotélica refere-se a uma atividade sem a expectativa de algum
benefício imediato ou futuro, a finalidade da tarefa está
nela mesma. Ou seja, a realização da tarefa é
a própria recompensa" |
Já escutei várias vezes pessoas de
meia-idade, por volta dos 40 anos, afirmarem que não praticam
esporte porque não vão ganhar nada com isso, apenas
lesões e aborrecimentos, já que “seu tempo”
para praticar esporte já se foi. Outras, vão mais longe
e dizem que a atividade física “rouba” um tempo
de dedicação ao trabalho irrecuperável e mesmo
considerando que a atividade física é benéfica,
não há como se dedicar a um programa de exercícios
físicos. |
Além disso, existem aqueles que querem usufruir dos benefícios
e dos “ganhos” do exercício físico imediatamente.
Em outras palavras, se pretendem emagrecer, que isso seja de imediato.
Em texto publicado anteriormente pelo Vya Estelar sobre
Flow-feeling (clique
aqui), escrevi a respeito da característica autotélica
na realização de tarefas e como ela é positiva para
nossas vidas. Ao entender o significado de uma atividade ou experiência
autotélica nós acreditamos proporcionar uma oportunidade
para as pessoas se motivarem a praticar esportes e exercícios físicos
“a troco de nada” (para usar uma expressão do “mundo
estressante”).
A palavra autotélica originou-se da união de duas palavras
gregas: auto, que significa por (ou de) si mesmo, e telos, que significa
finalidade. Portanto, uma experiência autotélica refere-se
a uma atividade sem a expectativa de algum benefício imediato ou
futuro, a finalidade da tarefa está nela mesma. Ou seja, a realização
da tarefa é a própria recompensa.
A princípio, é óbvio que a prática de exercícios
físicos, por exemplo, tenha um objetivo específico (por
ex. emagrecer). E isso é importante, afinal de contas, nos sentimos
motivados ao buscarmos objetivos próprios. No entanto, a atividade
quando é autotélica nos faz liberar energia psicofísica
(ex. concentração) para o momento específico da execução
da tarefa e não perdemos tempo em preocupações ou
projeções futuras, que podem desviar nossa concentração
e gerar ansiedade.
Portanto, as conseqüências ou resultados não são
objetos da concentração da pessoa. Toda energia psicofísica
despendida é liberada exclusivamente para a execução
da atividade. Isso não quer dizer que os objetivos a serem alcançados
não sejam importantes, acontece que o envolvimento (esforço)
da pessoa com a experiência não dá “espaço”
em sua mente para preocupações com os resultados futuros.
Com isso, executar a tarefa presente é o que realmente importa.
As conseqüências serão os produtos desse esforço.
Logo, nossos objetivos são atingidos espontaneamente e naturalmente.
É por isso, que quando perguntamos uma criança por que ela
gosta de jogar bola ou andar de skate durante horas, ela simplesmente
responde: “porque eu gosto!” E mesmo para aquele atleta que
treina exaustivamente para se tornar um campeão, no fundo o motivo
principal que o mantém em treinamento é sua satisfação
em praticar esporte e é isso que o absorve em sua rotina. Se diariamente
ele ficar pensando em seu futuro ou como se tornar um campeão ele
possivelmente irá desistir.
Em minhas palestras e consultorias para atletas ou mesmo para pessoas
não-atletas, tento conscientizá-los que o prazer desenvolvido
na execução das tarefas e os esforços dedicados a
estas, são nossos maiores incentivadores e tudo que pretendemos
atingir é uma conseqüência natural de nosso envolvimento.
Assim, se quero emagrecer, não fico liberando energia psíquica
(concentração, tensões, preocupações,
etc.) em direção ao meu objetivo, simplesmente procuro fazer
e me envolver com a própria execução diária
da tarefa. Realizá-la dia após dia, usufruir do sentimento
de recompensa, e gerar alegria no processo de execução torna-se
a finalidade propriamente dita.
Jogar futebol (“pelada”) ou praticar outro esporte nos finais
de semana, possivelmente não trará nenhum sucesso ou recompensa
concreta a ninguém, mas a simples satisfação de participar
e fazer o melhor possível já é suficiente para sentirmos
bem-estar e alegria. Ao praticar exercícios físicos regulares
e praticar esporte, não é preciso esperar por resultados
pretendidos, eles virão ao seu tempo. E quando esse momento chegar
você irá perceber que o melhor de tudo é usufruir
dos esforços dedicados à própria tarefa.
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