| "Afastar os pais nem sempre resolve
o problema. A questão não é essa. Os pais podem
ficar próximos ou longe desde que deixem seu filho à
vontade, a tal ponto que com o tempo o mesmo perceba que com os pais
por perto ou não, sua experiência esportiva será
plena" |
É senso comum que a geração
atual de pais considera a prática esportiva uma grande aliada
na criação dos filhos. Mesmo considerando que o esporte
não é uma panacéia para resolver todos os problemas
no processo formativo dos filhos. O fato é que a prática
esportiva tomou uma dimensão sensacional na vida dos jovens. |
Em conversa com pais de jovens que estão iniciando ou mesmo escolhendo
qual esporte a praticar, insisto na orientação da influência
dos pais na vida esportiva dos filhos. Particularmente sobre aqueles que
visam o futuro regime de treinamento e, por conseguinte, competições.
Escrevi tempos atrás aqui mesmo no Vya Estelar (Pais
e esporte infanto juvenil - clique aqui)
como os pais influenciam nas relações causais de desempenho
de seus filhos esportistas e no nível de satisfação
desses em ralação ao esporte através de seus comportamentos
diante do fenômeno esportivo. A influência dos pais pode ser
mais ou menos impactante, independentemente da presença física
no local de treinamentos e competições.
Todos nós sabemos, no entanto, que essa influência nem sempre
é positiva para os jovens e repercute em consequências positivas.
Aliás, costuma-se dizer que os pais atrapalham mais do que ajudam...
opinião, aliás, que não concordo. Embora eu reconheça
que quando os pais prejudicam as crianças com seu comportamento
indevido, o impacto da influência é muito negativo. Daí
o preconceito de que os pais devem sempre se manter distantes das crianças
no lócus da atividade esportiva.
Mas afinal, quais os comportamentos que acabam por prejudicar
os filhos em suas atividades esportivas?
Abaixo faço um comentário que considero “clássico”
quando nos referimos a esses comportamentos negativos:
Durante as aulas ou treinos, ficar ao lado do campo, quadra ou piscina
(típico do futebol e natação), dando “instruções”
constantes ao filho, reclamando de algo, corrigir movimentos e outros.
Isso não funciona, pois, mesmo que a pretensa “instrução”
seja boa (dificilmente é), a criança não percebe
tanta informação ao seu redor, já que o professor
está lhe orientando. Além disso, pode criar um ambiente
hostil e constrangedor para todos os presentes.
Lembre-se: afastar os pais nem sempre resolve o problema. A questão
não é essa. Os pais podem ficar próximos ou longe
desde que deixem seu filho à vontade, a tal ponto que com o tempo
o mesmo perceba que com os pais por perto ou não, sua experiência
esportiva será plena.
Crianças abaixo dos 12 anos: estratégia
Com crianças (principalmente abaixo de 12 anos), aconselho a seguinte
estratégia. A presença dos pais deve ser intermitente, ou
seja, nem sempre deverão estar por perto. Além disso, quando
da presença, por vezes é oportuno ficar próximo ao
campo (ou piscina) às vezes ficar longe. O importante é
que sempre quando acabar a atividade os pais devem estar prontos para
acolhê-los com alegria, espontaneidade e de preferência com
um copo de água ou uma toalha nas mãos.
Quanto ao rendimento não há o que se preocuparem, nessa
idade fatores como divertimento, alegria (sinal de que não há
distúrbio psicofísico) e espontaneidade são o que
importa. Ademais, o futuro aprendizado complexo e rendimento dependerão
desses fatores.
Em resumo, a questão não é a presença dos
pais no ambiente esportivo mas, sobretudo, a qualidade dessa participação.
Portanto, aconselho os pais: antes de matricular ou inscrever filhos em
algum tipo de esporte, pense que seu melhor apoio, por vezes, é
o silêncio.
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