| "O medo é o amigo silencioso
que nos faz planejar ações e preparar nosso corpo e
mente para o enfrentamento. Veja o caso de bons escaladores de montanha,
antes de iniciarem qualquer expedição, planejam cada
estratégia, movimento e tudo o mais" |
Semana passada participei de um programa de televisão
cujo tema era o medo no esporte. No programa, atletas de surfe, ginástica
olímpica, escalada e outros relataram suas diversas experiências
em relação ao medo e suas maneiras de conviver com esse
fenômeno tão comum ao homem, seja na vida esportiva ou
em qualquer momento. |
Minha participação se resumiu em explicar de alguma forma,
como o medo faz parte do cenário do esporte e suas correlações
no desempenho do atleta e por extensão em outras situações.
Primeiramente é possível aceitar o medo como algo natural
e, portanto, criar resistências perante o medo é perda de
tempo e infrutífero, pois se não houvesse o medo para que
serviria a coragem. Lutar contra o medo só serve para criar resistência,
produzir ansiedade, nervosismo e insegurança, e com isso diminuir
a qualidade da nossa tarefa.
Portanto, o medo deve ser absorvido com naturalidade e transformá-lo
em algo positivo. Assim sendo, o medo nos servirá para mantermos
em alerta e mostrar o quanto devemos ser precavidos e nos preparar. Além
disso, o medo nos ajuda a autoavaliar treinamentos e competências,
checar estratégias, equipamentos e procedimentos. Sem medo, podemos
ficar impulsivos, arrogantes e negligentes. Como consequência, experimentar
derrotas e, em alguns casos, tragédias inesperadas.
| Em muitas situações é
o medo que nos faz aprender e pesquisar informações
e com isso absorvemos e o dominamos naturalmente. Sem informações
adequadas o desconhecido ganha forças ilusórias e potencializa
o medo. |
O medo é o amigo silencioso que nos faz planejar ações
e preparar nosso corpo e mente para o enfrentamento. Veja o caso de bons
escaladores de montanha, antes de iniciarem qualquer expedição,
planejam cada estratégia, movimento e tudo o mais.
Nós temos no esporte muitos casos frustrantes e tristes em função
de atletas e treinadores não terem escutado a “voz do medo”.
Derrotas que vieram porque não temeram o adversário e por
isso não se prepararam adequadamente. Desastres na montanha, em
situações de pouco risco por que atletas não checaram
o equipamento de segurança ou dispensaram o “back-up”
(um segundo equipamento de segurança, ou simplesmente uma reserva
de segurança).
Enfim, ao aceitar o medo o atleta vai em frente, porque ele se prepara
para o desafio, ao desprezá-lo ele fracassa porque negligencia
a realidade.
Uma dica que sempre dou aos atletas que sentem medo por algo e não
conseguem transcendê-lo é responder algumas perguntas:
Tenho medo por quê...?
Será que estou realmente preparado?
O desafio é proporcional às minhas habilidades psicofísicas?
Tenho um bom plano de ações?
Meus equipamentos são adequados?
Conheço bem as adversidades que enfrentarei?
Sob risco, consigo vislumbrar o sucesso?
Quando o atleta responder positivamente a essas perguntas o medo será
um grande aliado e deixará de ser um obstáculo.
Por fim, lembre-se, todos os atletas sentem medo, os mais corajosos, aceitam
o medo como parte integrante da vida, aliam-se a ele e, por conseguinte
preparam-se disciplinadamente para o desafio e com ímpeto vão
em frente. Como resultado esses atletas conhecem o outro lado do medo:
a liberdade!
Artigos relacionados - clique no título
>>> O
que eu faço com o medo?
>>> Sentimento
de medo pode ser utilizado a seu favor; reflita
>>> Saiba
por que seus medos são imaginários
>>> Por
que esportes de alto risco atraem tanto os atletas?
|