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Conheci um brasileiro nos EUA que
faliu. Ele passava os dias em frente à TV pensando no que iria
fazer da sua vida. Um dia viu a notícia de um sujeito indenizado
por ter sido mordido pelo cachorro do vizinho. Na mesma hora teve um estalo.
Passou uma semana planejando como seria mordido pelo cachorro bravo do
vizinho. Conseguiu e deu “tudo certo”, ele recebeu 50 mil
dólares e com esse dinheiro se recuperou.
Nos Estados Unidos existe um monstro frankenstein criado pela montagem
perversa de uma mídia vampiresca, um judiciário viciado
e uma opinião pública sedenta de sangue. Creio que deve
ter sido isso que aconteceu com o Michael Jackson. Certamente ele foi
alvo desse monstro.
Michael sofria de uma ingenuidade patológica, uma espécie
de regressão emocional, um alvo fácil para esse monstro
devorador da criança que ele se tornava frequentemente. Mas não
foi o único, na verdade esse “monstro” não se
especializa em criancinhas mesmo crescidas, todo famoso e poderoso serve.
Farah Fawcet que também se foi, passou pelos mesmos perrengues
com o “monstro” que não a poupou nem mesmo em sua doença
terminal. E ainda comentam que Michael não tinha motivos para estar
triste ou infeliz. Outros queridos do “público” também
foram devorados pela abominação social: John Lennon, Marilyn
Monroe, Lady Dy e tantos outros.
O outro braço do monstrengo são as manifestações
de pesar midiáticas. A câmera se aproxima e uma mulher estende
um cartaz onde se lê I LOVE YOU MICHAEL, I WILL NEVER FORGET YOU,
como se ele estivesse do outro lado da lente sentado num sofá e
sorrindo complacente. Tudo é show, tudo é frenesi para aparecer,
não se chora o ídolo no particular, nem pensar em derramar
lágrimas furtivas quando as câmeras estão ausentes.
No país do show business qualquer dor famosa serve para vender,
comprar, e quem sabe até para se tornar o famoso da vez. Triste
Michael deve estar perguntando onde estavam essas multidões quando
foi acusado (talvez injustamente) de molestar as criancinhas que tanto
gostava de ter por perto? Por que não ouviu o clamor público
quando foi morto tantas vezes pela imprensa e pelos advogados sedentos
do “sangue verde” que tinha a infelicidade de possuir em abundância?
A polícia agora está empenhada em saber quem matou Michael
Jackson. Não gastem mais um centavo do contribuinte americano rapazes:
quem matou o astro black and white foi o “monstro”
sanguinolento que vocês mesmos criaram e que alimentam a cada dia
com o seu mórbido e esquizofrênico desejo de devorar aqueles
a quem amam e admiram. Prendam todos os policiais! Prendam os jornalistas
de tablóides, os milhares de “fãs” que consomem
esses jornais pútridos, os paparazzis que infernizam a vida dos
famosos como carrapatos, os advogados vampiros que não perdem uma
oportunidade de usar o sistema de forma perversa. Prendam todos os sanguessugas
sem talento que não perdoam a genialidade, porque suas vidas são
tristes e medíocres, e por isso alimentam o “monstro”.
Os verdadeiros admiradores do Michael devem se alegrar, ele está
melhor agora. Longe do alcance do Frankenstein sanguinolento ele deve
estar fazendo uma coisa que sempre quis: Caminhando na Lua cercado pelas
crianças esquecidas e agora felizes pelo coleguinha que acaba de
chegar.
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