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Eu sei que ninguém escolhe - pelo menos conscientemente - que
seja assim: mas muitas vezes em nossos relacionamentos passamos por períodos
difíceis de crises e desajustes, onde tudo parece levar ao conflito.
Não importa qual tenha sido o estopim, uma guerra é sempre
uma guerra!
Se você já passou por isso, não terá
dificuldade em reconhecer o que digo. Cada parceiro se desloca para um
lado do campo de batalha e de repente, de parceiros, se tornam adversários.
As mínimas coisas se tornam irritantes, coisas absurdamente sem
importância são percebidas através de uma cruel lente
de aumento. Acredite, coisas como um inocente pigarro perece ser uma arma
secreta usada pelo outro para atrapalhar nossa leitura, um sutil movimento
na cama é percebido como uma invasão intencional de nosso
espaço noturno, um atraso como um confronto aberto.
É enlouquecedor!
O casal está em guerra e bem sobre suas cabeças sobrevoam
mísseis de cinismo, explodem bombas de agressão, granadas
de ironia, ou pior... ocorre um terrível ataque de gás gélido
paralisante (classificado como DesPRez0XN pelas forças armadas,
considerado pelas forças da inteligência como a arma de grau
máximo de destruição em massa).
E, se o casal não for capaz de agir a tempo, se a guerra durar
tempo demais, é inevitável que em algum momento olhem ao
redor e se vejam em meio a um monte de destroços, pessoas feridas,
corações partidos e muitas vezes congelados.
Mesmo em meio a esse cenário triste e assustador, algumas vezes
o amor resiste e sobrevive como uma pequena chama de esperança
que nos faz perguntar a nós mesmos, e ao nosso parceiro:
- Será que é possível reconstruir uma relação?
Reconstruir "esta" relação?
Para responder a si mesmo essa pergunta, pense em uma cidade no pós-guerra,
ou após um desastre natural e devastador. É possível
reconstruí-la?
A princípio, é claro que sim. E ainda melhor do que era
antes! Quando tudo cai por terra, ao mesmo tempo somos abençoados
com a rara oportunidade de criar algo completamente diferente, mais organizado,
mais funcional, mais belo. Mas para fazer isso, algumas condições
me parecem necessárias. Pense na reconstrução de
uma cidade. Sem dúvida existem dois fatores fundamentais para que
isso seja possível. Se você está em um pós-guerra
em seu relacionamento, avalie esses dois fatores com cuidado:
1) Avaliação dos danos e um planejamento
do que se deseja construir
Para que um bom planejamento seja feito, é preciso
que você e seu parceiro avaliem o que aconteceu. O que levou a tanta
destruição? Quais eram os problemas reais dessa relação
(e não aqueles problemas superficiais que em geral levam a culpa
pelo desastre!).
Aqui estou falando de possibilidade de uma troca não defensiva
entre vocês. Estou sugerindo que por um momento vocês baixem
as armas e se tornem parceiros de novo, unindo suas forças na direção
de uma busca por mais compreensão.
- O que falhou? Como andava a comunicação entre vocês?
O grau de intimidade? O respeito? O companheirismo? A amizade? Os planos
comuns?
Olhem para tudo isso da maneira mais aberta e cristalina que conseguirem
e não hesitem em buscar ajuda, se necessário. Acreditem,
nunca existe um inocente e um culpado!
LEIAM E RELEIAM ESSA AFIRMAÇÃO: NUNCA EXISTE UM CULPADO!!!!
Vocês dois são co-responsáveis por essa guerra, e
por tudo o que aconteceu. E cada um de vocês precisa perceber, assumir
e se responsabilizar por sua parte na criação dessa realidade.
É importante que vocês não se apressem demais nessa
etapa. Pode até ser que, ao avaliar e compreender todo o ocorrido,
cheguem à conclusão de que preferem não estar mais
juntos, mas mesmo nesse caso, esta etapa é fundamental para que
cada um de vocês não carregue as distorções
desse relacionamento para os próximos. Para que criem mais paz
em suas vidas.
Acreditem, se vocês quiserem reconstruir tudo rápido demais,
correrão o risco de fazer uma simples réplica do que já
existia. E se não funcionou antes... por que funcionaria agora?
2) Capital e mão-de-obra disposta a fazer um trabalho pesado
e braçal
Uma cidade precisaria de dinheiro para ser reconstruída. Um relacionamento
precisa de algo parecido, algo que vou chamar de 'energia'. Muitas vezes,
após um período difícil e destruidor, as pessoas
simplesmente se sentem cansadas demais para fazer qualquer coisa. Se esse
for o caso, dificilmente a reconstrução se dará.
Um pós-guerra de um relacionamento é um período difícil,
a sensibilidade do casal está à flor da pele, ainda há
feridas abertas...é um momento delicado que requer uma delicadeza
ainda maior. Requer um enorme envolvimento. Comprometimento. Requer cuidado
e atenção.
Então, se você for do tipo que não quer ter trabalho,
ou que não se sente forte para fazer mais nada, esqueça...
um relacionamento maduro não é para você!
É claro que tudo o que estou escrevendo aqui parte do pressuposto
de que a etapa 1, de avaliação/planejamento, foi cumprida
e que o casal chegou à conclusão de que quer de verdade
tentar essa reconstrução!
Muitas vezes o melhor mesmo é uma separação. Muitas
vezes as pessoas precisam seguir por caminhos diferentes para que continuem
seu processo de crescimento pessoal, e nesses casos, o melhor a fazer
é cada um seguir em frente com clareza e consciência, sem
responsabilizar a si ou ao outro por essa mudança de direção.
Uma separação com esse grau de consciência nunca pode
ser considerada um fracasso. Essa relação foi bem sucedida
enquanto durou.
Mas uma separação consciente é um movimento muito
diferente daquela separação motivada pela busca ilusória
de perfeição!
Ouça. Se você ainda tiver a ilusão de que existe o
relacionamento perfeito, em que não terá que se esforçar;
se ainda acreditar que é possível encontrar alguém
que concorde em tudo com você e viver uma relação
de puro conforto e prazer, tem todo o direito de fazer a sua escolha e
sair por aí em busca desse paraíso perdido. Com certeza
encontrará muitos que pensam como você pelo caminho. Pessoas
que saltam de uma relação para outra quando as coisas ficam
difíceis e pedem crescimento e transformação. Se
esse for o seu caso, eu não estou escrevendo para você, ok?
Reconstruir é para aqueles que decidiram que querem ficar juntos.
Reconstruir é para aqueles que estão dispostos a realizar
o trabalho que precisa ser feito em si mesmos e que já sabem que
para isso precisarão aceitar o fato de que ainda têm muito
a crescer.
Reconstruir é para aqueles que já descobriram que paraísos
são construídos com uma boa dose de transpiração,
e não magicamente 'encontrados' em alguma montanha do Tibet.
Se esse for o seu caso, se você for corajoso assim, e tiver a seu
lado alguém tão disposto como você, vale a pena seguir
em frente. As recompensas serão proporcionais aos seus esforços,
eu lhes garanto! Por mais trabalhoso que seja, talvez um dia você
olhe para trás - de dentro de sua nova e iluminada cidade - olhe
para todo o caminho percorrido, e sinta orgulho de si mesmo, e se perceba
maior, mais sábio, mais belo.
E olhe nos olhos de seu parceiro e lá enxergue a chama viva de
seu próprio coração.
E se sinta mais perto dessa palavra tão desperdiçada e pouco
compreendida, chamada Amor.
Eu desejo a todos que um dia possam ter essa visão!
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