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Dificuldade em manter diálogo com o outro?
Saiba as possíveis razões
Todos reclamavam da dificuldade em manter um diálogo
com Anália. Alguns chegavam a se irritar com a moça por
não encontrarem espaço de troca, quando não obtinham
resposta, ou a participação dela consistia apenas em um
sinal afirmativo de cabeça, um sorriso inexpressivo, ou expressões
prontas, como as tão desgastadas “com certeza” e “sem
dúvida”. O que a impedia de se colocar, frente ao seu interlocutor?
Problemas de cognição estavam descartados, já que
na escrita, ou em outras formas de comunicação, ela se saia
muito bem. A questão, então, poderia estar relacionada a
diversos outros fatores. Um, entre eles, seria a presença do outro
exercendo pressão sobre ela. Antecipava uma imagem de si que não
gostaria que fosse revelada. Travava-se ao acreditar que poderia parecer
ridícula, óbvia, medíocre. Nesse caso, ou se menosprezava,
ou não se sentia convicta de suas idéias, portanto, insegura
para passá-las adiante.
Outra possibilidade seria que Anália fizesse parte daquele grupo
formado pelos “desligados”, gente que presta pouca atenção
ao que o outro diz. Acaba juntando pedaços daqui e dali e, quando
solicitada, tenta, de maneira monossilábica, não contrariar
o falante, evitando ser envolvida, sem querer, na conversa.
Poderia acontecer, também, que ela de fato não se interessasse
pelos temas em discussão, ou pelo tipo de abordagem a que eram
submetidos. Estaria ali obrigada pelas circunstâncias: por educação,
para cumprir compromisso social, ou outros. Ou, ainda, considerava que
os participantes da conversa nada tinham a acrescentar ao que ela já
sabia.
A preocupação aqui é com o indivíduo muitas
vezes sujeito a críticas, por não mostrar desempenho satisfatório
no contato oral com o outro, com seus grupos, ou mesmo com um público
maior. A questão é pessoal, devendo a cada um avaliar o
quanto está sendo prejudicado, ou prejudicando os outros. Quem
está de fora não ajuda em nada apontando como defeito o
fato de alguém ser mais reservado, preferir mais ouvir que falar,
ou mesmo ter mais dificuldade que outros para expor suas idéias.
Cada um sabe onde a fivela aperta.
Se no contato direto, embora Anália não conseguisse se expressar
a contento, mantivesse ativamente um diálogo interno com seu interlocutor,
elaborando e reelaborando pontos de vista, estaria, sim, aproveitando
a conversa. O outro poderia reclamar da falta de troca. Mas quem garante
que a troca precisa ser imediata? No seu tempo, do seu jeito, ela encontraria
canais de comunicação com os quais se sentisse mais à
vontade para oferecer ao outro suas descobertas.
Deixemos as Análias serem como são; se se sentirem incomodadas,
correrão atrás do prejuízo.
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