| Se mesmo antes de
conhecermos uma pessoa, alguém nos fala sobre ela; no primeiro
encontro, a tendência será procurarmos em suas atitudes sinais
que correspondam à imagem pré-construída. Da mesma
maneira lidamos com os rótulos dados àqueles com quem nos
relacionamos; em tudo o que falam ou fazem, encontraremos algo que justifique
o chato, o bobo, o infantil, o metido, o irritado, seja qual for.
| Quebra de rótulos - "Ao
se empenhar para o sucesso da relação, ele evita os
pontos que já conhece como vulneráveis do colega; assim
como observa o que, durante a interação, provoca-lhe
alterações de humor, podendo conduzir o diálogo
de maneira mais aproveitável e menos desgastante" |
Tomemos “o irritado” como exemplo. Já
paramos para pensar em que circunstâncias ele foi rotulado?
Bastou ter se alterado duas ou três vezes com a mesma pessoa,
ou uma vez com pessoas diferentes? Carrega uma enorme responsabilidade
ou pressão no trabalho? Enfrenta questões pessoais que
o têm deixado mais sensível? É impaciente apenas
com o que considera desperdício de tempo? Ou realmente tem
o pavio mais curto do que se espera da maioria? |
Suponhamos que você vem tratando o seu superior
imediato como “uma pessoa irritada”. Significa que em todo
contato entre vocês haja uma tensão maior que a normal. Quem
se aproxima de “o irritado”, em condição subalterna,
vai medir as palavras, ou mesmo deixar de dizer o que precisa ser dito.
Aliás, já chega com medo da sua reação, o
que é percebido por ele, gerando-se, então, um clima desagradável.
Pode ocorrer, ainda, um desvio na comunicação, quando, ao
contrariarem a expectativa do interlocutor, as colocações
do superior, tomadas como resultado de sua irritação, perdem
seu real valor. Mesmo que não se mostre irritado naquele momento,
tudo o que diz vem impregnado pela forma como ele é visto. E, desse
modo, o outro se isenta da responsabilidade sobre os sentidos produzidos
na conversa.
Por outro lado, nessa mesma situação, quem procura quebrar
rótulos, independente de seu grau de veracidade, poderá
se surpreender. Ao se empenhar para o sucesso da relação,
ele evita os pontos que já conhece como vulneráveis do colega;
assim como observa o que, durante a interação, provoca-lhe
alterações de humor, podendo conduzir o diálogo de
maneira mais aproveitável e menos desgastante. É possível
retomar com mais leveza aspectos conflitantes; atender à expectativa
do outro quanto a ser mais claro, objetivo, ou fornecer mais detalhes
sobre o tema em questão e acolher seu ponto de vista, mesmo que
esteja equivocado, dando-lhe oportunidade para que ele mesmo perceba o
equívoco, com perguntas sutis e sem intenção de ridicularizá-lo.
Ao agir assim, a pessoa estará garantindo, não só
ganhos na produção, mas espaço para que o outro manifeste
possibilidades encobertas pelo rótulo; além, claro, de grande
prazer em exercer com sabedoria o comprometimento com uma verdadeira parceria.
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