| Como estamos em véspera de eleições,
e estas em particular estão sendo calorosamente debatidas, penso
ser interessante utilizar este espaço para oferecer algumas reflexões
sobre o tema. Aproveito para apresentar algumas idéias gerais acerca
de como se pode melhorar a qualidade de nossos políticos.
Em minha opinião, o fato mais relevante ocorrido em política
nos últimos anos foi a aprovação e o cumprimento
da lei “Ficha Limpa”. Primeiro porque a lei iniciou um bem-vindo
processo de faxina entre os políticos. Apenas iniciou, pois há
ainda muito a se fazer até um resultado satisfatório. O
outro elemento importante desse evento foi o fato de que tudo o que ocorreu
foi fruto de uma mobilização popular via internet. O sucesso
dessa mobilização nos aponta um esperançoso caminho
de intervenção saudável no processo político.
Ainda há muito a se fazer para que o debate político assuma
um caráter de seriedade. Por exemplo, me parece que a opção
mais importante que está sendo colocada nas eleições
presidenciais consiste na alternativa entre duas formas muito diversas
de como se deve governar um país. O que está proposto é
uma escolha entre o aumento do tamanho, das funções e das
responsabilidades do Estado, por um lado – um estado que executa
e provê – ; e de outro lado a proposta de um estado mínimo,
apenas regulador e fiscalizador. São dois caminhos bastante diferentes
e que levam a governos com mais ou menos poderes sobre o cidadão.
Nada, ou quase nada, se fala sobre esse assunto, ignorando-se a importância
do mesmo. Provavelmente por ser um assunto de difícil entendimento
para a maioria da população.
Tenho em mente o embrião de uma proposta de modificações
a serem efetuadas nas leis brasileiras que, penso, poderiam fazer uma
grande diferença na melhoria da qualidade de nossos políticos.
Exponho aqui algumas ideias. Creio que bem elaboradas podem vir a ser
uma (ou mais de uma) proposta concreta de lei a ser levada ao Congresso
como foi a lei da Ficha Limpa. Já vi algumas ideias sendo expostas
na internet e creio que podemos fazer um movimento de aglutiná-las
em um amplo projeto.
A primeira proposta é tornar o voto não obrigatório,
como é na imensa maioria dos países civilizados. Nesse caso
vota quem quer, quem tem interesse. Se alguém não se importa
com o assunto porque obrigá-lo a votar? O voto não obrigatório
sempre será um voto mais consciente e mais empenhado. A dificuldade
dessa proposta consiste no fato de que os políticos tendem a temer
modificações que possam por em risco sua reeleição.
Adotam a ideologia primária e pouco criativa de “não
se mexer em time que está ganhando”.
Outra proposta consiste em abrir os sigilos fiscais, bancários
e telefônicos de toda pessoa que se candidatar a cargo público.
Os dados de cada político estariam sendo permanentemente atualizados
na internet de modo que todo cidadão possa acompanhar seu comportamento
econômico/financeiro. Isso permitirá ao eleitor ter uma visão
mais clara de quem realmente é a pessoa que pleiteia seu voto.
O político poderia ser melhor observado em sua conduta e no que
diz respeito a um eventual enriquecimento durante sua função
pública. Acho que, com essa proposta aprovada, muitos dos que hoje
lutam por se eleger perderiam o interesse na atividade política.
Tornar as campanhas mais baratas faria com que fossem mais democráticas,
mais acessíveis a todos os interessados. Isso pode ser feito com
o financiamento público das campanhas, acompanhado de uma severa
redução de custos e da proibição de gastos
fora do financiamento. A valorização dos partidos seria
aqui também beneficiada. Uma ideia polêmica, mas que pode
funcionar bem, é a das listas partidárias para eleições
proporcionais. Com a condição de que essas listas fossem
elaboradas a partir do voto secreto e unitário de todos os filiados
a cada partido. Os candidatos fariam uma pré-campanha dentro de
seu partido visando conquistar votos para ficar mais bem colocado na lista.
Nas eleições o voto seria dado ao partido e não ao
candidato.
A fidelidade partidária deveria passar a ter cláusulas mais
sérias e mais restritivas acabando com o balcão de mudança
de partido que hoje existe.
Pequenas mais importantes providências podem ser tomadas para a
moralização dos cargos públicos. Como exemplos: a
diminuição do número de assessores, do número
de cargos de confiança, redução de verbas variadas
e a extinção do voto secreto no Congresso.
É necessário se pensar na conveniência de reestruturação
das bancadas por estados, retomando-se a ideia da representatividade pelo
número de habitantes evitando-se assim as grandes distorções
que hoje existem. O fim da figura exótica de suplente de senador
seria também uma providência bem-vinda. Talvez até
mesmo a extinção da substituição do presidente
pelo vice-presidente seja viável. Nesse caso o vice-presidente
passaria a ser apenas um auxiliar superqualificado do presidente. Mas
no caso de o presidente ter que ser substituído se faria novas
eleições.
Enfim, há muitas outras ideias possíveis e penso que estamos
em um bom momento para começarmos a nos organizar para tornar realidade
a política que sonhamos: séria, honesta, limpa, sem mentiras
e nem falcatruas. É tempo de se pôr um ponto final no Congresso
mais caro, e um dos mais corruptos, deste planeta. Se você se interessar
em saber em quem pretendo votar consulte meu blog, pois lá explico
quem são os meus candidatos e o porquê de minha escolha.
(www.doutorpy.blogspot.com)
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