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Remédios para ereção: prós e contras

por Marcelo Toniette

Pode ocorrer algum problema futuro caso utilize estimuladores como Ciallis, Levitra, a cada 3 meses, um comprimido?

Resposta: Antes de saber sobre conseqüências futuras do uso dos potencializadores de ereção que você cita, vale a pergunta: por que você utiliza esse tipo de medicação? É necessário compreender o que está por trás quando se utiliza esse tipo de medicação. Muitas vezes o uso desse tipo de medicação não está atrelado apenas à ereção em si, mas à garantia que se tem da ereção na hora do sexo. Vale lembrar que se não existir desejo sexual, a eficácia da medicação torna-se limitada.

É interessante notar a tendência de enxergar as dificuldades sexuais como eventos apartados da realidade pessoal. Essa tendência é vista, particularmente no universo masculino, quando trata o pênis como se tivesse personalidade e desejos próprios: “Quando ‘ele’ não quer, não adianta..."

Mediante uma dificuldade sexual, especialmente a dificuldade de obtenção e/ou manutenção da ereção, deve-se ter em mente que esse quadro pode ser indicativo de que algo não anda bem com o organismo – entendido aqui como a junção entre mente e corpo.

A dificuldade de obter e/ou manter a ereção pode estar relacionada a diversos fatores. Dentre esses fatores estão aqueles de ordem externa: ritmo de trabalho estressante, problemas financeiros, alcoolismo...; e aqueles fatores de ordem interna: problemas conjugais, ansiedade, depressão, hipertensão, diabetes, entre outros. Na automedicação de potencializadores de ereção corre-se o risco de encobrir – sem resolver – fatores que estejam desencadeando a dificuldade sexual.

A automedicação de potencializadores de ereção é a saída que muitos homens adotam para se esquivarem de lidar com as dificuldades afetivo-sexuais, na falsa idéia de que a medicação trará segurança no desempenho sexual. Ao longo do tempo o organismo associa a (suposta) segurança ao ato de utilizar a medicação.

Os potencializadores de ereção podem funcionar como auxiliares na vivência do prazer sexual e não apenas como garantia de desempenho genital. Tais medicamentos não eliminam ansiedade, medo, culpa, frustrações e muito menos o jogo sexual e a capacidade de dar e receber afeto.

Além de ser contra-indicado o uso de qualquer tipo de medicação sem a avaliação e orientação médica, utilizar inadvertidamente potencializadores de ereção, além de reforçar a insegurança e mascarar origens da dificuldade sexual, pode aumentar as chances de gerar um quadro de dependência.

Cuide do seu momento presente. O futuro será um desdobramento daquilo que você vivencia hoje. Converse com sua parceira e descubram as formas que vocês gostam de se estimular e obter prazer. Em sexo sempre se aprende algo novo. Uma relação sexual nunca é igual a outra. Autorize-se nessa descoberta das nuances do prazer sexual. Investir na relação com sua parceira pode potencializar, e muito, não só o aspecto sexual, mas o aspecto afetivo, tornando a sua vivência cada vez mais positiva e prazerosa.

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As respostas do profissional desta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um profissional de psicologia e não se caracterizam como sendo um atendimento


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Marcelo Toniette
é psicólogo e psicoterapeuta sexual
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