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| "Dependentes de
nicotina consistem em uma população extremamente heterogênea.
Logo, o tratamento precisa ser muitas vezes individualizado. Procure
um médico habilitado no tratamento dessa condição
para cessação do consumo" |
Resposta: De fato, existem várias abordagens
médicas e psicológicas para ajudar o dependente de nicotina
a deixar de fumar. O atual e mais aceito manejo da dependência envolve
a associação do tratamento farmacológico com abordagens
psicossociais.
Tratamentos psicossociais
Existe evidência de que as terapias comportamentais consistem em
eficazes abordagens para pacientes dependentes químicos em geral.
Elas pretendem desenvolver no indivíduo habilidades comportamentais
para evitar o consumo de tabaco e identificar situações
de alto risco. No entanto, as características das abordagens comportamentais
variam amplamente, no que se refere à intensidade das intervenções
clínicas, à forma em que o aconselhamento é fornecido
e as técnicas desenvolvidas, e ao tipo de profissional de saúde
que as dispensa.
Em geral, nas terapias comportamentais, o profissional deve auxiliar o
paciente a identificar situações de risco, colaborar ativamente
para desenvolver habilidades de afastamento e confronto, fornecer informações
necessárias sobre o consumo de tabaco e sobre as dificuldades para
deixar de usá-lo, demonstrar atenção e apoio e encorajar
o paciente a falar sobre as dificuldades durante o processo.
Vários estudos têm avaliado a efetividade de outras abordagens
psicossociais ou alternativas, como hipnose, psicoterapias psicodinâmicas,
atividades esportivas e acupuntura. No entanto, os resultados têm
mostrado pouco consistentes com essas outras abordagens.
Psicofarmacotepias
Farmacologicamente, os tratamentos disponíveis e aprovados pelo
FDA (Food and Drug Administration) são:
(1) Bupropiona,
(2) reposição de nicotina, e, mais recentemente,
(3) Varenicline.
Nortriptilina e Clonidina são consideradas medicações
de segunda linha para o tratamento dessa condição, as quais
não são aprovadas pelo FDA para o tratamento de dependência
de nicotina.
Reposição de Nicotina
Em geral, a reposição de nicotina é indicada
para pacientes dependentes que usam mais de 10 cigarros ao dia, em especial
para aqueles que previamente tentaram sem sucesso abandonar o uso. Para
pacientes dependentes de nicotina e portadores de doenças psiquiátricas,
como esquizofrenia, a terapia de reposição de nicotina
é recomendada já nas fases iniciais da promoção
de abstinência, tendo em vista o consumo mais intenso observado
nesses pacientes.
Embora existam 5 formas de reposição de nicotina (gomas,
adesivo transdérmico, sprays, inhaler e tablete sublingual), tem-se
utilizado no Brasil principalmente a goma e o adesivo. Antes de qualquer
administração terapêutica de nicotina, deve-se estar
atento às contraindicações do seu uso, tais como
úlcera gastrointestinal ativa e condições clínicas
que impliquem risco de descompensação de doença cardiovascular
grave.
Adesivos
Os adesivos transdérmicos têm sido bem tolerados, apesar
de cerca de 30% dos pacientes demonstrarem irritação de
pele com o seu uso. Os adesivos devem ser trocados diariamente, a redução
da dose é paulatina e o tempo de uso pode durar cerca de 01 ano.
Pacientes com problemas dentários ou de mastigação
ou com dispepsia podem aderir melhor ao emprego dos adesivos do que às
gomas.
Fumantes de cerca de 10 cigarros ao dia devem receber adesivos com 14
mg de nicotina, enquanto aqueles que fumam mais de 15 cigarros ao dia
devem começar com 21 mg. Todavia, essas doses podem ser modificadas.
Apesar de efetivo, os adesivos podem não proteger o paciente contra
a fissura ou “craving” que surge em situações
de risco, como dirigir o automóvel, sentar-se diante do computador
ou falar ao telefone. Para esses pacientes, pode-se combinar o uso da
goma nessas situações.
Goma de mascar
A goma de mascar pode produzir irritação na cavidade bucal
e língua. No entanto, tais efeitos são infinitamente menos
prejudiciais do que o consumo de cigarros. O número médio
de gomas com 2 mg de nicotina mascadas durante o dia varia de 10 a 20.
Cerca de 50% da nicotina da goma é absorvida na mucosa bucal; bebidas
ácidas interferem com a absorção e devem ser evitadas
durante e cerca de 15 minutos antes do uso da goma.
Bupropiona
Esse antidepressivo foi aprovado em 1997 pelo FDA para o tratamento
da dependência de nicotina. Embora ainda discutido, seu mecanismo
de ação no tratamento dessa dependência está
associado ao bloqueio da recaptação da dopamina e norepinefrina,
bem como à ação antagonista sobre os receptores nicotínicos
de alta afinidade. Clinicamente, é possível que essa medicação
alivie alguns sintomas da síndrome de abstinência, como sintomas
depressivos.
Alguns autores propõem o início do uso da Bupropiona cerca
de duas semanas antes da cessação do consumo de cigarros.
O tratamento pode durar cerca de 3 a 6 meses. Boca seca, insônia
e sintomas gastrointestinais são os principais efeitos colaterais
registrados. Existem contraindicações para essa medicação
e a prescrição bem como o acompanhamento devem ser feitos
por médicos especializados.
Varenicline
Essa droga agonista parcial de receptores nicotínicos
foi aprovada pelo FDA em 2006 para o tratamento de dependentes de nicotina.
Por se tratar de um agonista parcial (mecanismo de ação
da medicação), existe um limite farmacológico para
a sua ação em receptores nicotínicos, o que representa,
clinicamente, menos efeitos colaterais do que drogas contendo nicotina.
Efeitos colaterais, como náusea e vômitos, constipação
intestinal e perturbações do sono têm sido registrados.
Os dependentes de nicotina consistem em uma população extremamente
heterogênea. Logo, o tratamento precisa ser muitas vezes individualizado.
Procure um médico habilitado no tratamento dessa condição
para a cessação desse consumo.
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