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| "Respiração
lenta e profunda aumenta a taxa de endorfinas (os hormônios
de bom humor). Isso se reflete também no funcionamento de muitos
órgãos e no nível de bem-estar geral, fisiológico
e mental. A respiração profunda dissolve a ansiedade
e o estresse. Estudos mostram que a respiração yogica
profunda tem os mesmos efeitos de bem-estar psíquico proporcionados
pela heroína" |
Já sabemos! Foi repetido tantas vezes! Mas
parece que a maioria vive como se ignorasse esse fato. De fato, quem
se preocupa em respirar, fora os adeptos de yoga?
Portanto, mesmo no meio dos yogis do Ocidente, raros são as
pessoas que são conscientes de todas as implicações
das técnicas de respiração e principalmente dessas
para regenerar o organismo. Ainda mais raro, é ver pessoas
que as que o implementam no seu dia-a-dia. |
Geralmente, considera-se que a respiração
serve unicamente para abastecer em oxigênio e expulsar o CO2 (gás
carbônico), etc.. Evidentemente, que isso não está
errado mas, espero eu, que os adeptos de yoga respiram profundamente e
conscientemente, no mínimo no decorrer das sequências de
yoga. Alguns também pensam nisso durante o dia, e de vez em quando,
interrompem suas atividades para ventilar seus pulmões. Outros
se oferecem a verdadeiras sessões cotidianas, e isso e fantástico,
porque sem dúvida nenhuma, isso contribui à saúde
psicossomática.
Mas existem lados desconhecidos dessas técnicas, que se tratam
especificamente da regeneração positiva do organismo: um
verdadeiro rejuvenescimento na profundidade do organismo.
Essa meta não é um luxo e nem leviana. Trata-se de um dever
de cada um de nós, no sentido mais literal da palavra.
Envelhecimento respiratório
No meio dos estudiosos da senilidade – que é mais uma doença
do que uma fatalidade – geralmente se ignora as modificações
respiratórias que a idade habitualmente acarreta. De fato, na medida
em que envelhecemos, se altera a capacidade respiratória. Gradativamente,
a capacidade vital diminui. A capacidade plena é por volta dos
19-20 anos, mas com 80 anos essa capacidade vital diminui para menos que
a capacidade de um menininho de 8 anos. E fica pior ainda quando se fala
do volume de ar por minuto.
Isso não é fatal não! Podemos graças às
técnicas de yoga, reverter esse processo.
A idade altera a nossa capacidade vital, altera o volume de ar/minuto,
mas, se restauramos o “modelo“ respiratório da juventude,
o corpo inteiro será regenerado. Isso não é uma promessa
e pode ser verificado nos fatos.
A capacidade vital depende, em maior parte, da abertura do tórax
e também do estado do tubo digestivo. Se o tórax estáa
gradativamente encolhido por falta de exercício físico e
por falta de uma respiração yogica – chamada também
de pranayama, isso reduz de maneira estupenda a capacidade respiratória.
Principalmente se o tubo digestivo estiver inflado, pois limita as possibilidades
de movimentos do diafragma no tórax e pode até bloqueá-lo
– isso não é raro.
O volume por minuto, depende diretamente da capacidade vital e da flexibilidade
ou, para ser mais exato, da falta de flexibilidade do tórax e do
tecido pulmonar.
Isso explica porque aos 80 anos, ele atinge só 2/3 do que era na
“idade” de 8 anos, mesmo que a capacidade vital esteja só
reduzida em 10%.
Podemos propor um programa de exercício adequado e será
necessário:
a) Abrir a caixa torácica;
b) Flexibilizar a caixa torácica;
c) Devolver a mobilidade ao diafragma;
d) E, finalmente, fortalecer o diafragma, já que
essa musculatura é uma das mais importantes do corpo.
Como as emoções influenciam a respiração
Um outro fator crucial é a frequência/minuto da respiração.
Normalmente, sem modulações devido à idade da pessoa,
ela oscila entre 16 e 18 respirações/min. A grosso modo
são 1.000 por hora ou 24.000 por dia; não nos damos conta,
mais é assim...
Podemos observar diferenças importantes no ciclo respiratório
em decorrência das emoções... Quando as emoções
são agradáveis, a respiração se torna mais
lenta e a frequência por minuto diminui. Em casos de emoções
desagradáveis ela fica acelerada (medo, raiva, etc.). Mas, de maneira
estranha, essas duas fases não são modificadas da mesma
forma: a duração da inspiração fica igual,
e o que muda é o tempo da expiração.
As emoções negativas influenciam principalmente a expiração,
e o simples fato de imaginar que está sentindo uma emoção
positiva, mesmo que sem a sentir plenamente, modifica favoravelmente os
padrões respiratórios.
Isso é importantíssimo para as pessoas estressadas. Em situações
pesadas é muito difícil escapar das emoções
negativas, mas é possível limitar seus efeitos negativos
sobre a respiração, e por consequência, sobre a totalidade
do organismo. A ideia é modificar voluntariamente os padrões
da respiração para se aproximar dessas emoções
positivas e assim atuar de verdade sobre o clima emocional.
Mesmo sabendo que “não se manda nas emoções”,
cada um pode, quando for necessário, modificar a sua respiração.
Bastar pensar e querer. Em caso de ansiedade, por exemplo, antes de entrar
em um palco uma pessoa pode relaxar, suspirar devagar várias vezes,
e assim dissolver 90% do estresse...
Experiências
Foi constatado que as representações mentais de emoções
negativas ou positivas influenciam a mobilidade do diafragma. Um aumento
de 8 cm corresponde a um aumento de mais ou menos 2 litros do volume de
ar inspirado, o que é muito!
Uma respiração lenta e profunda aumenta a taxa de endorfinas
(os hormônios de bom humor). Isso se reflete também no funcionamento
de muitos órgãos e no nível de bem-estar geral, fisiológico
e mental.
A respiração profunda dissolve a ansiedade e o estresse,
cujos efeitos negativos são inibidos no organismo. Estudos mostram
que a respiração yogica profunda tem os mesmos efeitos de
bem-estar psíquico proporcionados pela heroína... Sem os
efeitos tóxicos.
Ainda mais, a endorfina abre os vasos no corpo todo, e favorece a saúde
do sistema cardiovascular. Finalizando, essa endorfina propicia uma melhor
qualidade de sono: mais reparador e mais profundo.
A respiração yogica lenta e profunda se torna um “euforizante”
natural que, ao contrário das drogas químicas, não
permite ultrapassar a dosagem permitida, porque nunca podemos respirar
“bem em excesso”. O máximo que pode acontecer é
expelir totalmente o CO2 e outros gases tóxicos, limpando assim
completamente o sangue venoso, nada mais do que isso; ao mesmo tempo,
podemos também carregar os glóbulos vermelhos ao máximo
possível com o O2 que o sangue pode dissolver, mas nunca será
além dos limites...
Vivemos permanentemente aquém de nossas possibilidades respiratórias,
o que condena os milhares de indivíduos celulares a viver permanentemente
em um meio poluído, com pouco oxigênio e a maior parte do
tempo, carregado de venenos destilados por um intestino preguiçoso.
Isso é um retrato triste da grande maioria de nós. É
assim que o corpo se deteriora, fica doente, senil e morre muito antes
da idade programada pelos genes. O contrário seria surpreendente.
Sem falar do sedentarismo, da alimentação inadequada, do
cigarro, álcool, drogas.
Mas como o remédio é simples, e pior ainda, gratuito, ninguém,
ou quase ninguém, pensa nisso. É necessário, absolutamente
necessário, cada vez que se pense e várias vezes por dia,
esvaziar nossas esponjas pulmonares, para limpá-las e em seguida
colocar o máximo de superfície pulmonar em contato com o
ar novo inspirado: respirações lentas e profundas Esse é
o segredo da respiração que regenera.
Baseado em texto de André Van Lysebeth,
pioneiro do yoga no ocidente (1919-2004)
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