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| "Não se deixe enganar
por afirmações feitas em rótulos que iludem e
confundem você. Veja o caso de muitos óleos e produtos
vegetais que às vezes recebem a classificação
de sem colesterol, um procedimento que jamais deveria
ser permitido, porque o colesterol é encontrado somente em
produtos animais e não está presente em produtos vegetais" |
| "Alguns fabricantes de alimentos
e bebidas abusam de tal forma dos aditivos que acabam conseguindo
transformar seus produtos em puras misturas químicas. Muitas
vezes eles utilizam nos rótulos termos tais como "100%
natural", "possui 2% de polpa de fruta natural", entre
outros, confundindo o consumidor que acaba acreditando que o produto
é natural, quando na realidade não passa de uma mistura
artificial, rica em açúcar e aditivos químicos.
É o caso, por exemplo, de certas misturas para sucos que utilizam
aromatizantes e corantes artificiais, acidulantes, entre outros em
sua composição" |
Em 2003 foi publicada a Resolução -
RDC 360 estabelecendo que todos os rótulos de alimentos deveriam
apresentar uma tabela com a composição nutricional e
a contribuição de cada nutriente, com base numa porção
individual de referência para a dieta do consumidor.
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A medida foi parte das ações propostas pelo Ministério
da Saúde, com o objetivo de orientar a população
a consumir produtos que proporcionem uma alimentação saudável,
considerando que a rotulagem nutricional facilita ao consumidor conhecer
as propriedades nutricionais dos alimentos, contribuindo para um consumo
adequado dos mesmos.
De lá para cá, os rótulos de todos os produtos passaram
a apresentar uma tabela nutricional onde são declarados os seguintes
nutrientes: valor energético, carboidratos, proteínas, gorduras
totais, gorduras saturadas, gorduras trans, fibra alimentar e sódio.
Os valores são apresentados por porção recomendada
do produto para que seja mais fácil para o consumidor avaliar o
quanto está ingerindo de cada nutriente e também para que
comparações entre produtos possam ser feitas.
A medida foi considerada uma grande conquista do consumidor, já
que até então poucos eram os produtos que mencionavam em
seus rótulos informações nutricionais básicas,
muito importantes para quem preza boa alimentação e saúde.
Além do direito à informação, o propósito
dessa medida do Ministério da Saúde foi incentivar a sociedade
a discutir mais o tema alimentação saudável e, com
isso, diminuir os números assustadores de doenças relacionadas
aos maus hábitos alimentares como é o caso da obesidade,
doenças cardiovasculares, certos tipos de câncer, entre outras.
Aprenda a analisar um rótulo
O consumidor deve ficar atento para essas medidas já aprovadas
e para algumas informações que às vezes passam despercebidas,
mas que são muito importantes.
Por exemplo, você sabia que os ingredientes contidos no alimento
ou bebida devem ser listados em ordem decrescente de acordo com a quantidade?
Observando a lista de ingredientes contida no rótulo dá
para saber qual deles predomina no alimento, já que o primeiro
da lista é o que está em maior quantidade.
Outra pergunta, você sabe definir termos como valor energético,
gorduras trans, saturada, VD (valor diário de referência)
entre outros, presentes nos rótulos de alimentos e bebidas?
O que nós queremos chamar atenção com este artigo
é o papel que a indústria e o consumidor desempenham em
toda essa questão complexa e delicada que é a rotulagem
de alimentos. O papel da indústria é mais amplo, cabendo
a ela assegurar nos rótulos informações corretas,
claras, precisas, idôneas e em língua portuguesa sobre as
características, qualidades, quantidades, composição,
garantia do prazo de validade e origem do alimento ou bebida em questão.
Por outro lado, ao consumidor cabe a responsabilidade de buscar informações
no sentido de interpretar corretamente esses rótulos e com isso
não ficar totalmente ignorante ao que está ingerindo no
seu dia-a-dia. O consumidor bem informado é aquele que está
atento, não se deixa enganar e sabe, com certeza, escolher o melhor
para ele quando o assunto é saúde.
A seguir listaremos uma série de informações que
tem como objetivo trazer ao consumidor conhecimento básico sobre
rotulagem de alimentos e bebidas.
Data de validade
Deve estar legível e deve constar pelo menos o mês e o ano
para aqueles produtos que tenham duração mínima superior
a três meses. É importante lembrar que nos rótulos
de alimentos que exijam condições especiais para sua conservação,
deve ser incluída uma legenda indicando as precauções
necessárias para manter suas características normais, devendo
ser indicadas as temperaturas máxima e mínima para a conservação
do alimento (antes e após aberto). O consumidor deve também
ter cuidado com alimentos em promoção; geralmente são
produtos com validade próxima ao vencimento ou com embalagens em
condições impróprias para o consumo.
Lista de ingredientes
Como já dissemos, todos os ingredientes devem constar em ordem
decrescente, da respectiva proporção. Essa informação
é muito importante para que o consumidor avalie exatamente o que
está ingerindo em maior quantidade. É comum observar em
certos rótulos a presença da sacarose (açúcar)
e de certos óleos e gorduras como os primeiros ingredientes da
lista, em alimentos onde imaginávamos uma pequena quantidade dos
mesmos. Fique atento.
Outro ponto importante é saber observar na lista de ingredientes
a presença de aditivos químicos, nem sempre saudáveis.
Esses aditivos alimentares são declarados depois dos ingredientes
e cada um apresenta uma função específica no alimento
ou bebida. Veja a seguir alguns dos possíveis aditivos que podem
estar presentes na composição do produto: agentes de massa,
espumante e antiespumante, umectante e antiumectante, antioxidante, corante,
conservante, edulcorante, espessante, geleificante, estabilizante, aromatizante,
regulador de acidez, acidulante, emulsionante/emulsificante, melhorador
de farinha, realçador de sabor, fermento químico, glaceante,
agente de firmeza, sequestrante e estabilizate de cor.
Toda essa infinidade de aditivos muitas vezes está descrita nos
rótulos sob a forma de código e/ou letras microscópicas,
quase imperceptíveis a olho nu. Observe, por exemplo, a lateral
enrugada da tampinha de certos refrigerantes e sucos de frutas; elas apresentam
códigos que nada mais são aditivos químicos que o
fabricante achou conveniente disfarçá-los. Além da
dificuldade de enxergar, são completamente ininteligíveis,
mesmo para técnicos em alimentação, quanto mais para
a população desinformada. Esse tipo de prática consolida
e agrava a ignorância pública sobre alimentação
e nutrição.
Alguns fabricantes de alimentos e bebidas abusam de tal forma dos aditivos
que acabam conseguindo transformar seus produtos em puras misturas químicas.
Muitas vezes eles utilizam nos rótulos termos tais como "100%
natural", "possui 2% de polpa de fruta natural", entre
outros, confundindo o consumidor que acaba acreditando que o produto é
natural, quando na realidade não passa de uma mistura artificial,
rica em açúcar e aditivos químicos. É o caso,
por exemplo, de certas misturas para sucos que utilizam aromatizantes
e corantes artificiais, acidulantes, entre outros em sua composição.
Essas substâncias em excesso podem causar sérios prejuízos
à saúde, além de simples reações alérgicas.
Por isso, todo cuidado é pouco. Procure dar preferência a
alimentos mais naturais, sem a presença desses aditivos.
Entenda o VD
VD significa Valor Diário, ou seja, é o número em
percentual que indica o quanto um alimento possui de energia e nutrientes
em relação a uma dieta de 2.000 kcal. Para cada nutriente
temos um valor diário diferente, que indica a quantidade do nutriente
que a população deve consumir para ter uma alimentação
saudável. As bases para a declaração de nutrientes
são os valores recomendados para adultos, considerando-se um consumo
diário de energia de 2.000 kcal. Dessa forma, por exemplo, um pão
integral que possui 100 calorias por porção (2 fatias) proporcionará
5% do VD, o que quer dizer que em uma dieta de 2000kcal, as duas fatias
de pão representam 5% desse valor.
O que é valor energético. kcal, kj?
O valor energético ou valor calórico é a quantidade
de energia fornecida pelo alimento proveniente dos carboidratos, proteínas
e gorduras totais. Na rotulagem nutricional o valor energético
é expresso em forma de quilocalorias (kcal) e quilojoules (kj)
e é geralmente obtido, multiplicando-se o valor das proteínas
e carboidratos por 4 e as gorduras totais por 9.
Gorduras saturadas e trans
São dois tipos de gorduras, que em excesso, podem causar várias
doenças. Ambas estão associadas a níveis elevados
de colesterol no sangue e a riscos maiores de doenças do coração,
derrame cerebral e problemas circulatórios. Portanto, se um alimento
apresentar teores elevados desses tipos de gorduras, fuja dele!
A porcentagem do valor diário de ingestão de gorduras trans
não é declarada porque não existe requerimento para
a ingestão dessas gorduras. Ou seja, não existe um valor
que deva ser ingerido diariamente, uma vez que sua ingestão não
é recomendada, mesmo que em quantidades mínimas.
Por que dieta baseada em 2000 kcal?
Antigamente as tabelas nutricionais eram baseadas em uma dieta de 2500kcal,
no entanto, devido ao aumento da prevalência de obesidade da população,
o valor foi reduzido para 2000kcal. Esse valor foi estabelecido com base
nas necessidades diárias para um adulto normal. Entretanto, deve-se
entender que ele foi estipulado somente para efeito de padronização
da rotulagem de alimentos, uma vez que as necessidades calóricas
e de nutrientes de uma pessoa variam de acordo com sexo, atividade física,
peso, idade e, consequentemente, podem ser inferiores ou superiores ao
valor estipulado como referência.

Fonte: Anvisa - http://www.anvisa.gov.br/alimentos/rotulos/guia_bolso.pdf
Fique esperto e exija seus direitos
Atualmente todos os rótulos devem estar dentro dos parâmetros
exigidos pela nova resolução. Portanto, você consumidor
deverá ficar atento e exigir que isso realmente seja cumprido.
Se tiver dúvidas procure pelos movimentos de defesa do consumidor
ou procure obter informações com a comunidade científica
de alimentação e nutrição.
Não se deixe enganar por afirmações feitas em rótulos
que iludem e confundem você. Veja o caso de muitos óleos
e produtos vegetais que às vezes recebem a classificação
de sem colesterol, um procedimento que jamais deveria ser
permitido, porque o colesterol é encontrado somente em produtos
animais e não está presente em produtos vegetais.
O mesmo vale para afirmações feitas quanto à saúde.
Todas elas devem ser baseadas em evidências científicas aceitas
por especialistas qualificados. Assim, antes que um fabricante possa afirmar
que um produto diminui o risco de doença do coração,
por exemplo, esse benefício deve ser comprovado por estudos científicos.
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