| "Há
uma confusão muito grande entre o amor verdadeiro e um produto
similar chamado amor de troca - uma conduta usada como moeda para
dar direito a cobrar determinados comportamentos do parceiro" |
Muita gente confunde possessividade,
insegurança e ciúme com o amor. |
Na verdade esses sentimentos podem assemelhar-se ao amor, mas, em sua
essência, negam a nossa profunda vocação na vida.
São como flores de plástico comparadas com a flor verdadeira.
Ambas têm em comum algumas características, mas possuem origens
diferentes. As flores de plástico nascem do petróleo, ao
passo que a flor verdadeira nasce do encontro entre a terra e a semente.
A possessividade nasce do medo, ao passo que o amor nasce da própria
vida à procura de celebração. O ciúme nasce
da mesquinharia, da vontade de controlar o crescimento do outro, e o amor
nasce da generosidade que existe em nós.
Enquanto a insegurança nos transforma em mendigos, sempre pedindo,
ou pior, cobrando algo do outro, o amor nos dá energia para doarmos
o que somos à pessoa que nos estimula a amar.
Certamente cada um de nós, pelo menos uma vez na vida, já
refletiu sobre o amor - fonte de luz, de energia vital que movimenta toda
a humanidade. Comecemos, porém, nossa reflexão percebendo
o que "não é amor".
Amor não é cobrar por suas ações. Há
uma confusão muito grande entre o amor verdadeiro e um produto
similar chamado amor de troca - uma conduta usada como moeda para dar
direito a cobrar determinados comportamentos do parceiro. Exemplo típico
é a eterna cobrança "Eu sempre cuidei de você,
e agora que preciso não o tenho comigo".
Quando, numa relação, as pessoas se sentem amarguradas,
convém refletir cuidadosamente, pois o amor é uma energia
que impulsiona para a vida. Quando estamos amando alguém, sentimo-nos
vivos e em sintonia com o Universo.
Amar não é ficar parado, como um príncipe mimado,
à espera de que o outro, pelo fato de estar sendo amado, se sinta
um devedor do nosso sentimento.
O amor nos proporciona uma sensação de gratidão pela
vida, o sentimento de termos sido abençoados pela dádiva
divina. E, em retribuição, somos levados a cuidar desse
amor.
Amar é fazer uma viagem fantástica com alguém, e
nessa viagem, ao mesmo tempo que desfrutamos essa entrega, desvendamos
os mistérios que ela nos apresenta a cada momento.
O amor é a força que nos leva a enfrentar todos os nossos
medos, criados desde as primeiras experiências dolorosas de aproximação.
Tornamo-nos corajosos e ousados, prontos a desafiar o tédio e o
comodismo, a enfrentar o desafio do cotidiano.
O amor nos salva da rotina massacrante. Proporciona-nos
uma condição de aprendizes, concedendo-nos a suprema compreensão
de que, quando somos conduzidos pelo amor, sempre realizamos algo significativo.
No amor não estamos nos submetendo ao outro, e sim obedecendo às
ordens da sabedoria que existe dentro de nosso coração.
O amor é mais que o encontro de dois corpos, muito mais que a união
física entre duas pessoas. É a própria consciência
da existência: a crença nas forças divinas, que cuidam
de todo o Universo e nos levam um ao outro com a mesma fluidez com que
aproximam uma nuvem de uma montanha, que nos proporcionam uma força
sobre-humana, que dão energia ao vento, ao mar e à chuva
e que nos tornam grandes como pinheiros gigantescos.
No amor seguimos um caminho, realizamos uma história, cujo final
só vamos conhecer plenamente quando a completarmos. A única
certeza que temos é a de que o amor é uma condição
inerente ao ser humano. Assim como a flor emana o seu perfume, o homem
naturalmente exala o amor. Isso é tão inevitável
quanto é impossível proibir a terra molhada de desprender
seu cheiro.
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