| O ciclo de vida é composto
por várias fases de desenvolvimento, temos a infância, a
adolescência, a idade adulta, a meia-idade e a velhice sendo que
cada fase possui peculiaridades que definem a trajetória de vida
de uma pessoa, porque cada fase da vida é caracterizada por interesses
diferenciados, por mudanças e transições não
só biológicas, mas sociais e psicológicas.
| "Com o aumento da expectativa
de vida, várias gerações viverão simultaneamente,
com isso torna-se necessário mudar o conceito que nossa sociedade
tem sobre o velho, uma vez que muitas pessoas pensam ser a velhice
uma fase de perdas e declínios" |
A família é um conjunto de pessoas
unidas por laços de parentesco, sejam sangüíneos,
por casamento ou por adoção, que juntas satisfazem necessidades
físicas e emocionais. A família é ainda uma instituição
social, pois nela origina-se o processo de socialização,
o desenvolvimento da personalidade e as relações são
mais intensas e qualificadas. É na socialização
que os jovens recebem dos adultos a motivação e as condições
para assumirem seus papéis sociais. |
Os papéis de filho, pai e avô vão sendo construídos
ao longo da vida. É na família que se vive a experiência
das relações intergeracionais. Os encontros e desencontros
dos interesses pertencentes ao curso de vida podem ser manifestados nas
relações intrageracionais (membros da mesma família)
e intergeracionais, que são as relações entre as
gerações.
Estudos sobre relações familiares e relações
entre gerações já mereceram a atenção
de diversas áreas do saber. Em diferentes arranjos familiares podemos
observar as diferenças de laços existentes entre os membros
da família. A partir da segunda metade do século XX, ocorreram
muitas transformações nas estruturas familiares em todo
o mundo. Por exemplo, percebe-se que com o aumento do número de
divórcios, surgem novas uniões conjugais, o que caracteriza
o estilo de vida familiar moderno, com isso surgem novos pais, novas mães
e novos avós.
É possível observarmos pessoas com diferentes idades vivendo
numa mesma casa e compartilhando interesses, experiências e valores
diferenciados. Entretanto, a relação saudável entre
as gerações é possível desde que haja respeito
entre as gerações com adaptações favoráveis
à cada etapa do curso de vida considerando as características
individuais e o contexto cultural e sócio - histórico existente
no grupo social. A vida em família implica coexistência de
valores, normas e comportamentos singulares. Portanto, esses são
desafios a ser enfrentados.
Com o aumento da expectativa de vida, várias gerações
viverão simultaneamente, com isso torna-se necessário mudar
o conceito que nossa sociedade tem sobre o velho, uma vez que muitas pessoas
pensam ser a velhice uma fase de perdas e declínios, tendo uma
imagem negativa sobre essa fase da vida. Atualmente vivemos uma era de
transição de valores sociais e culturais associadas à
velhice. Encontramos idosos independentes socialmente e afetivamente,
com a presença de metas de vida a serem concretizadas, dando sentido
a sua própria existência.
Porém, encontramos outros que precisam aprender a lidar com esse
espaço vazio deixado pelos nossos antepassados, muitos deles percebem
a velhice como uma fase preenchida por vivências negativas e com
dificuldades de aceitação pessoal. Esse vazio se transformou
em uma herança adquirida que contempla ainda hoje associações
à velhice como uma fase preenchida só por perdas e com imagens
distorcidas do processo de envelhecimento.
Como toda fase na vida do desenvolvimento humano, na velhice também
existem ganhos e esses estão relacionados a uma capacidade de estabelecer
prioridades, a conhecimentos especializados, a prudência e precisão,
isto é, o idoso se torna mais seletivo nas experiências sócio-emocionais,
adquirindo uma compreensão ampla, realista e objetiva da própria
existência.
| "Na velhice também
existem ganhos e esses estão relacionados a uma capacidade
de estabelecer prioridades, a conhecimentos especializados, a prudência
e precisão, isto é, o idoso se torna mais seletivo nas
experiências sócio-emocionais" |
No filme “Num lago dourado”, de Mark
Rydell, Estados Unidos de 1981, os personagens são representados
por atores já idosos e trata de encontros e desencontros humanos
e das diferentes formas de enfrentar a velhice. O filme traz a história
de um homem de 80 anos com perda de memória e inconformado
com seus 80 anos e que vai para a casa de campo com sua esposa e lá
ele recebe a visita da filha, com quem sempre manteve uma relação
conflituosa. |
A esposa cheia de sabedoria e bom humor tem um papel fundamental no relacionamento
dessas relações. O filme deixa a mensagem que não
devemos deixar que as dores do passado amargurem o resto de nossos dias.
No passado o idoso era o detentor do conhecimento, nele se concentrava
a sabedoria acumulada de várias gerações anteriores
e ele era respeitado pela sua comunidade. Com a modernização
da sociedade o idoso foi se perdendo no caminho. Ele passou a não
ser mais tão valorizado, pois tornou-se desnecessária sua
contribuição na construção da história
viva de uma sociedade, porque o saber agora se concentra nas escolas,
nas universidades, nos livros, nos museus e por último na Internet.
A sociedade moderna tirou-lhe seu principal papel social de ser o transmissor
do conhecimento e da cultura e não o ajudou a construir seu novo
espaço social. Por isso, é importante que haja espaço
para o diálogo entre as gerações no sentido de construir
papéis sociais que se adequem à realidade social para que
os jovens e as pessoas mais velhas possam formar sua identidade e redimensionar
suas experiências vividas de forma significativa. Tanto o jovem
como o idoso são co-responsáveis pela modificação
da imagem do envelhecimento, principalmente de si mesmos e amenizar o
culto que se tem à juventude.
Estudos científicos mostram que ter metas significativas na vida,
facilidade de iniciar e preservar as amizades, valorizar as relações
sociais e adaptar-se a situações novas são recursos
importantes para a manutenção das relações
sociais, conseqüentemente, a rede social é ampliada e as relações
intergeracionais também são intensificadas. O diálogo
entre a criança e o idoso ou entre o jovem e o velho é a
possibilidade de compartilhar muitas idades, sendo que cada pessoa traz
na sua bagagem experiências já vividas. Nessa relação,
o importante não é a quantidade de relações
que um idoso pode proporcionar, mas sim sua qualidade, o vínculo
criado será a alavanca necessária para quebrar imagens negativas
associadas à velhice e ao processo de envelhecimento.
As relações entre as gerações têm seu
valor na medida em que as pessoas adultas e mais velhas transmitem sua
herança cultural dando continuidade nos valores culturais, nas
crenças positivas em relação ao curso de vida, nas
ideologias e nos comportamentos de uma sociedade. As ações
gerativas se manifestam através da criação, manutenção
e na oferta de transmissão do que foi criado, do ensino, do aconselhamento,
da orientação e no deixar um legado pessoal, permitindo
o uso autônomo desses produtos pelos seus beneficiários e
também pelo seu grupo social.
| "Estudos científicos
mostram que ter metas significativas na vida, facilidade de iniciar
e preservar as amizades, valorizar as relações sociais
e adaptar-se a situações novas são recursos importantes
para a manutenção das relações sociais,
conseqüentemente, a rede social é ampliada e as relações
intergeracionais também são intensificadas" |
Os encontros e desencontros das gerações
são permeados pelos papéis que as pessoas desempenham
ao longo da vida, seja no âmbito da família, no trabalho,
no lazer ou na comunidade, como, por exemplo, educar os filhos, cuidar
e responder por outras pessoas, atuar como orientador, conselheiro
ou mentor, transmitir experiências envolver-se em tarefas que
possam manter um legado pessoal e coletivo no sentido de preservar
valores. |
São funções desenvolvidas conforme a evolução
de uma sociedade, que podem sofrer transformações ou não.
É evidente que em muitas famílias as interações
entre as gerações não são totalmente positivas.
Dentro de um grupo social e em qualquer época, as semelhanças
e diferenças vão sempre existir, o processo de mudanças
de valores sociais será constante por que estamos nos relacionando
socialmente o tempo todo, e estas mudanças serão construídas
pelos próprios atores dessa relação (idosos, jovens,
adultos e crianças).
A flexibilidade diante das dificuldades que estão presentes ou
que estão por vir e o constante diálogo serão ferramentas
importantes nos relacionamentos intergeracionais. Dessa maneira sendo
criança, jovem, adulto ou idoso todos terão maiores condições
de fazer adaptações para que possam ter uma convivência
positiva e produtiva.
A troca de experiências entre gerações é a
oportunidade de compartilhar sabedoria, crescimento pessoal e aquisição
de novos conhecimentos. É necessário educar com o objetivo
de estimular gerações para a abertura de novas experiências,
para novas maneiras de ser, para novas idéias e para a manutenção
da autonomia, ou seja, na capacidade de fazer escolhas voltadas para o
bem-estar físico, social e psicológico.
Os idosos já percorreram um grande caminho na luta contra os preconceitos
associados ao envelhecimento, os idosos de hoje já colhem frutos
em relação a sua imagem social, aos seus direitos como cidadão,
são criadores de uma nova economia, de valores sociais e culturais
que são importantes para todas as gerações e para
as relações intra e intergeracionais.
É muito saudável que pessoas adultas e idosas participem
de atividades, tais como:
• Oficinas de reminiscências (lembranças), discutindo
fatos de sua época e compartilhando de assuntos significativos
que tratem de sua relação com filhos e netos.
• Freqüentar grupos de convivência, comunidades de práticas
que possam compartilhar conversas que facilitem o entendimento das novas
relações familiares.
• Narrar suas experiências de vida para os filhos e netos.
• Organizar álbum de fotografias e jornais que estejam registrados
os acontecimentos que vivenciou.
• Fazer visitas e viagens que proporcionem a alegria do encontro,
ou o retorno às origens.
• Estar sempre disposto a aprender com o outro.
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