| "A espiritualidade revela
a liberdade, a essência da busca de significados, a grandiosidade
do homem e de sua dramaticidade" |
Com a correria da vida cotidiana, com os afazeres
da vida moderna, vivemos num constante processo de aceleração
existencial. Uma verdadeira adoração pela velocidade
de realizar as coisas impondo nosso ritmo para não nos sentirmos
deslocados, para sentirmos que andamos juntos com a evolução
científica, tecnológica, gastronômica, econômica,
social, etc. |
Sentimos como se o presente fugisse das nossas mãos. Quase não
desfrutamos dos prazeres particulares, como por exemplo, ouvir música.
Na maioria das vezes ouvimos música no rádio do carro a
caminho do trabalho. E quase não paramos para questionar o sentido
da vida. Por outro lado, os afazeres e concretizações de
metas são os sentidos das nossas vidas.
Quando chega o fim de mais um ano e perto da data natalina, as pessoas
parecem exercer mais sua espiritualidade. Tornam-se mais sensíveis
à existência humana.
Na verdade, em todo o curso de vida, existem momentos que indagamos mais
sobre o sentido da nossa existência, dependendo do que vivenciamos
em um determinado momento. Nas transições da vida, cada
uma com seus marcos principais, existem épocas que estamos mais
sensíveis às perguntas como: Para que vivemos? Quem sou?
De onde venho? Para onde vou? E existem diversas propostas de respostas
que são encontradas em diferentes religiões e filosofias.
Sabe-se que não há respostas universais para todas as questões
existenciais, o desafio é saber o que fazer frente às variedades
de respostas.
Sentido da vida
Essa busca de sentido e propósito na vida tem ocorrido desde
o início da humanidade. Sabe-se que desde os primeiros registros
da história ela está presente. Em cada fase da vida nos
deparamos com um tipo de pergunta sobre o sentido de vida. Assim então
é na infância, na adolescência, na juventude, na vida
adulta e na maturidade e não é diferente na velhice. Estamos
sempre construindo nossa identidade, na busca do caminho pessoal.
Na velhice, a espiritualidade tem uma sensibilidade maior por ser uma
fase que surgem maiores percepções sobre a própria
existência e sobre a finitude, já que nos mostramos como
um ser finito. Com o processo de envelhecimento, com as modificações
físicas e psicológicas com os ganhos e perdas ao longo da
vida, com o acúmulo de experiências é inevitável
o questionamento profundo do sentido existencial.
É a espiritualidade que nos empurra para o exercício de
orientação na busca de um sentido para nossa vida. A palavra
espiritualidade vem de “spiritus” que quer dizer o sopro da
vida que anima a matéria. A espiritualidade baseia-se em aspectos
básicos da condição humana. Dar um sentido e uma
orientação à vida. Refletir sobre o sentido da nossa
vida. Um sentido que vai além da própria vida.
Exercício da espiritualidade traz saúde mental
Exercitar a espiritualidade, questionando e refletindo sobre o sentido
de vida é uma força motivadora para o ser humano. Ajuda
o indivíduo a manter sua saúde mental positiva e sua integridade
mesmo em condições adversas. Esses foram os dados encontrados
nos estudos de Viktor Frankl (1973) um psiquiatra que desenvolveu uma
técnica terapêutica centrada no sentido, a partir de sua
experiência de prisioneiro num campo de concentração.
Nos campos de concentração ele observou que os prisioneiros
mais aptos a sobreviver eram os que estavam voltados para o futuro, para
uma tarefa, um objetivo a ser realizado ou para uma pessoa que o esperava.
Só mais recentemente que este assunto tem sido preocupação
de cientistas e profissionais de saúde, dada sua importância
na avaliação da saúde psicológica e na qualidade
da existência da pessoa.
E o ser humano está sempre à procura de algo, em busca de
alguém para amar, de um emprego, de uma profissão, de coisas
para fazer, algo que torne suas vidas significativas, plenas e completas.
Não nascemos com um elemento único nos genes que nos determinam
a nos tornarem seres humanos completos, precisamos de outros elementos
que mesclam com nossa vida biológica. Elementos estes que construímos
ao longo da vida. A vida é um grande exercício de busca
de sentidos. Do nascimento até a morte, vivemos um contínuo
de transformações.
O ser humano é um ser de participação, um ser coletivo,
social e histórico. Dessa forma, o ser humano é um ser de
cuidado, ou seja, sua essência se encontra no cuidado. No cuidado
da própria vida, com as coisas no mundo, com o habitat, com as
outras pessoas, cada um a seu grau e singularidade. Está presente
no ser humano a vocação para a transcendência, porque
somos seres capazes de realizar a reflexividade, fazer questionamentos,
capazes de aprender e ir além desse aprendizado. Talvez seja por
isso que existem épocas de maior sensibilidade para a espiritualidade,
para compartilhar seu cuidado. E a busca de sentido na vida está
na transcendência, na dimensão espiritual, em algo que vai
além da sua consciência.
Seja seguindo o caminho da fé pela religião ou por alguma
experiência que lhe fez superar limites, exercite sua espiritualidade
sempre. A espiritualidade revela a liberdade, a essência da busca
de significados, a grandiosidade do homem e de sua dramaticidade. O que
distingue o ser humano de outras espécies animais é porque
somos criativos, simbólicos e sonhadores e a explicação
para tudo isso é de difícil resposta.
O sentido que damos à nossa vida é fruto de nossas decisões,
de nossas escolhas.
O exercício da espiritualidade através da fé da religião
ou pelas experiências fará bem para todos aqueles que escolherem
suas crenças de acordo com seus princípios e convicções.
Não podemos escravizar os outros aos nossos pontos de vista. Cada
um acredita naquilo que é verdade para si.
Entretanto, medite por algumas horas, a meditação lhe traz
paz interior. Escute e cante música, ela pacifica o coração.
Podemos aprender com as experiências de outras pessoas, mas não
podemos viver das experiências que são dos outros. Cuide
da sua dimensão espiritual.
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