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Coluna Comportamento
- Oriente-se pela psicologia e cultive sua auto-estima |
Será
que vale a pena se reconciliar?
Por Rosemeire Zago
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Após uma separação é muito comum nos lembrarmos muito mais dos momentos bons e esquecermos das causas que fizeram o relacionamento não mais existir. Dificilmente alguém decide se separar de maneira impulsiva, sem pensar muito, por isso, dificilmente há o arrependimento. Mas depois de analisar alguns fatos, obter algumas respostas, algumas pessoas podem chegar à conclusão que é melhor voltar a um passado infeliz, mas seguro, do que enfrentar um futuro incerto, apesar de quase sempre, muito melhor. |
Não
se deve esquecer dos motivos reais que levaram à separação
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Essa
voz que lhe diz para ligar, procurar, passar por cima de suas mágoas
e sentimentos, fazendo-o olhar esse passado com lágrimas nos olhos, pode
estar apenas representando seu medo de acreditar em si mesmo e ser capaz de
superar essa dor. Negar o que está acontecendo ou sentindo, com medo
de sofrer demais, não ajudará em nada. Separar-se não significa
não haver mais nenhuma possibilidade de voltar atrás e reconciliar-se.
Significa simplesmente que por enquanto a relação acabou e esta
é a única certeza que possui. Algumas vezes acontece que, depois
de uma separação, o casal volte a unir-se, superando as dificuldades
e acima de tudo, aprendendo com cada uma delas.
Porém, muitas vezes, por carência, solidão, algumas pessoas
pensam numa reconciliação, esquecendo-se dos motivos reais que
as levaram a tomar tal atitude. Viver na esperança e na expectativa de
que isso aconteça pode ser muito destrutivo. Por isso é preciso
tomar cuidado com esses momentos de recaída, pois se voltar sem deixar
que o tempo lhe traga a certeza de sua atitude, poderá em curto espaço
de tempo, estar sofrendo tudo de novo. É essencial viver esse momento
como uma verdadeira separação, a fim de que todo o sofrimento
tenha algum sentido de ter existido e tenha deixado algum aprendizado, para
que assim, algumas mudanças possam ocorrer.
A decisão e o ato de separar-se sempre tem muitos motivos, ninguém
toma uma decisão tão séria como essa por motivos banais.
É importante lembrar dos motivos que o fizeram tomar tal atitude. Escreva
cada um deles e analise-os um por um. Se haviam brigas constantes, desentendimentos,
tristeza, traição, a separação não deveria
ser vivida como uma sensação de alívio? E se em lugar do
alívio, existe a angústia, opressão? Será que isso
indica que houve um engano? Mesmo que a relação não estivesse
sendo como gostaria, agora falta uma parte de si mesmo que sentia como se existisse
dentro de você e que foi embora, não há mais um ponto de
referência que o outro proporcionava. Houve a quebra de vínculos
profundos, e quanto mais longa foi a relação e mais intimamente
os momentos eram partilhados, mais intensa parece ser a falta que faz. Mesmo
quando havia sofrimento durante o relacionamento, infelizmente é muito
difícil existir uma separação sem dor.
Parece ser difícil passar despercebido esse momento. Os sentimentos que
antes eram possíveis disfarçar, agora parecem ficar mais expostos
como nunca. A separação de fato machuca tanto, que na escala das
causas de estresse vem imediatamente após a morte de uma pessoa significativa.
Tanto isso é verdade que quando esse vínculo é rompido,
é necessário um trabalho interior que requer uma enorme quantidade
de energia psíquica para recuperar o equilíbrio perdido, tanto
que psiquicamente, passamos por um período de luto, da mesma forma de
quando perdemos uma pessoa querida pela morte real.
De
fato, muitas pessoas têm a sensação de assistir a um enterro,
sem flores nem acompanhamentos, no qual se está só com seu luto.
Algumas pessoas nesse momento precisam estar na companhia de alguém que
as ouçam e suportem com elas sua dor, mas quase sempre a pessoa não
se sente uma companhia muito agradável, evitando qualquer contato com
outras pessoas, para ter a liberdade de chorar, chorar e chorar. Muitas vezes
sequer imaginava que ficaria tão mal e sofreria tanto! Mas ficamos. Algumas
pessoas olham fotos de momentos vividos juntos, lêem cartas, mensagens
que foram trocadas; outras, no entanto, rasgam tudo, querem se livrar de tudo
aquilo que as façam lembrar do passado, afinal alguns objetos, fotos,
são terríveis testemunhas do que se deseja esquecer. O que é
ideal? Guardar e rever tudo que foi conquistado junto ou se livrar de tudo o
mais rápido possível? Faça o que te faça sofrer
menos. É comum nos dias seguidos da separação, rever fotos,
reler cartas, e-mails e tudo que possa lhe garantir que tudo aquilo existiu
de fato, mas prolongar esse período pode trazer muito mais dor. Caso
ainda sinta muita tristeza pelo que ocorreu, o mais indicado é colocar
tudo numa caixa e deixar guardada até que se sinta mais forte para decidir
o que fazer com tudo isso. Tire tudo que puder de sua frente que te faça
lembrar esse passado tão recente.
A culpa também é outro sentimento que pode nos fazer querer voltar
para refazer o que não fizemos. Algumas pessoas tendem a assumir toda
a carga da responsabilidade para si devido ao sentimento de inferioridade ou
baixa auto-estima, sentindo que não foi capaz de manter a relação;
outras tendem agir ao contrário, não se responsabilizando por
nada do que ocorreu. Nem sempre a busca por culpados é o melhor caminho,
é melhor entender o que aconteceu, evitando apontar o dedo para quem
quer que seja. Foram preciso duas pessoas para começar a relação
e também para terminá-la, por mais que um dos dois não
quisesse que isso ocorresse. Mas não se deixe esmagar por condenações
e culpas, com certeza cada um naquele momento fez o melhor que conseguiu fazer.
Ter uma visão clara do que ocorreu não é uma conquista imediata, e para que as primeiras reações emocionais possam ser compreendidas, levará algum tempo. Não é possível determinar quanto tempo, pois cada pessoa reage de maneira diferente, principalmente devido ao seu histórico de vida. Pessoas que quando crianças viveram a experiência do abandono, com certeza encontrarão mais dificuldades para enfrentar esse momento, pois o abandono da infância irá se somar ao atual, podendo fazê-la reviver o último com muito mais intensidade e sofrimento. Por outro lado, aquelas que viveram uma infância com afeto, sem perdas, terão mais recursos para enfrentar a separação. Seja o que for que esteja sentindo nesse momento, saiba ser compreensivo consigo mesmo como seria com alguém que lhe pedisse colo. Dê a si mesmo carinho, atenção, e ouça cada um de seus sentimentos, sem desprezá-los ou ignorá-los, para que aos poucos comece a elaborar esses sentimentos que deseja nunca mais sentir, obtendo assim condições internas para reconstruir tudo que foi destruído.
Comece a fazer coisas que não fazia mais, coma tudo aquilo que deixou de comer porque o outro não gostava, reveja amigos que não vê há anos, vá a lugares que deixou de ir, procure fazer tudo diferente do que fazia quando acompanhado, ou ainda, respeite seu luto, sua dor, e fique por um tempo só para cuidar apenas de si mesmo. Pense em quantas coisas deixou de fazer, pense como pode ser positivo ter sua liberdade de volta, quanta coisa poderá realizar e que de alguma forma, havia desistido. E nos momentos de tristeza profunda, se quiser, escreva tudo que sentir para que possa colocar para fora, chore tudo que quiser chorar, mas tenha certeza que toda essa dor irá passar, ainda que fique uma cicatriz, ela é necessária para lembrar do quanto foi capaz de superar e aprender. E somente depois de estar de bem consigo mesmo, irá sentir aquela vontade imensa de viver, mas com alguém que te valorize por tudo que você é. Com certeza, amor não é sinônimo de sofrimento, lágrimas, tristeza, solidão, egoísmo. Amor é acima de tudo transparência, troca, crescimento, e se não foi isso que acontecia, pode ser que aquilo que você chamava de amor, só tinha esse nome porque você não sabia o que era ser amado de verdade, mas você poderá descobrir quando encontrar alguém que em vez de te fazer chorar e sofrer, te faça sorrir e ser simplesmente feliz! Alguém que em vez de fazer ter vontade de morrer, te faça viver!
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Rosemeire
Zago
é psicóloga clínica com abordagem junguiana Mais informações - clique aqui |