| A maneira como pai e mãe enfrentam
a separação pode influir de maneira negativa na vida futura
dos filhos, principalmente na vida afetiva. O que está sendo vivido
no ambiente familiar ficará registrado no inconsciente da criança,
independente da idade. Pense na maneira como você está se
relacionando com sua esposa ou seu marido nos últimos meses ou
anos. Existe alguma demonstração de carinho? Há brigas,
discussões, agressões verbais ou físicas? Pode não
haver nada disso, mas há indiferença, o casal não
fala um com o outro? É preciso entender que tudo que acontece no
ambiente familiar está sendo percebido pelos filhos e esses podem
daqui alguns anos repetirem exatamente o que estão vivenciando,
pois será a referência que irão ter do que seja um
relacionamento afetivo.
Há muitas dúvidas se devem ou não falar para os filhos
sobre a separação. Algumas mães tendem a dizer que
o pai está viajando a negócios, ou dar alguma justificativa,
porém muito distante da realidade, acreditando assim evitar fazê-los
sofrer. Negar o que se passa e mais ainda, o que se sente, pode gerar
muitas seqüelas. Pior ainda é dar espaço para que a
criança saiba por outra pessoa sobre a separação
dos pais, o que poderá provocar a sensação de ter
sido traída, perdendo toda a confiança nos pais. Com certeza
os filhos têm o direito de saber e o melhor caminho é sempre
a verdade. O impacto gerado pela separação dos pais se for
bem conduzida, pode ser menos grave que as conseqüências produzidas
por uma família em conflitos.
Ao conversar com os filhos sobre a separação é importante
lembrar-se de algumas regras básicas:
- explicar o motivo da separação;
- informar quando e como será;
- explicar o que acontecerá com eles, ouvindo sempre seus desejos;
- ouvir todos seus sentimentos, dúvidas e medos e tranqüilizá-los;
- reforçar o fato de que o casal está se separando mas que
continuam sendo pai e mãe;
- lembrar-lhes sempre o quanto são amados.
Abaixo seguem algumas dúvidas comuns durante o processo de separação
e sugestões do mais indicado:
Qual o momento certo para falar com os filhos?
Depois da decisão ser definitiva e assumida pelo casal. Isso porque
em muitos casos, ambos ou um dos pais pode desejar compartilhar suas angústias
com os filhos e dizer-lhe sobre a separação e, depois de
alguns dias a decisão não é tomada, a rotina se instala
e nada mais é comunicado à criança, causando um desgaste
desnecessário.
Quem deve contar aos filhos?
É indicado que a conversa seja feita por ambos os pais e com todos
os filhos para evitar que cada um receba a notícia de maneira diferente.
Se cada um resolver falar separadamente com os filhos é preciso
tomar o cuidado para não acusar o outro que está ausente,
seja xingando ou desabafando toda sua ira.
Qual o melhor lugar para essa conversa?
O melhor lugar para essa conversa é a própria casa, sem
interrupções e com bastante tempo para que os filhos sejam
ouvidos, suas dúvidas sanadas e as emoções expressas,
incentivando-os a dizer tudo que pensam, porém fazendo com que
sintam acima de tudo que são amados. Conversar fora de casa também
pode ser uma opção, mas nem sempre os filhos se sentirão
à vontade para expor seus sentimentos. Algumas vezes, ao receberem
a notícia da separação, aceitam sem reação
alguma, mas com o passar dos dias poderão surgir reações
inesperadas como queda no rendimento escolar, agressividade, apatia, insônia,
tristeza, pesadelos e até mesmo somatizações como
dores de cabeça, estômago e mau funcionamento intestinal.
Nem sempre a tristeza aparecerá em forma de lágrimas, mas
o corpo pode chorar as lágrimas reprimidas de outras maneiras.
Filhos não têm "poder" de unir ou separar
o casal
É importante deixar bem claro que os filhos não têm
culpa nem poder de separar ou unir o casal. É comum as crianças
menores pensarem que os pais resolveram separar-se por algo errado que
elas fizeram. Quanto menores forem as crianças mais necessário
se torna tranqüilizá-las, evitando assim que vivenciem a separação
dos pais como uma punição por alguma falta cometida. Os
pais devem repetir com freqüência o fato de que essa escolha
não depende deles e que eles não são de forma alguma
a causa da separação.
Depois da separação e dentro das possibilidades do casal
é importante que seja mantido o ambiente que rodeia a criança,
como escola, casa, bairro, amigos, pois isso pode ajudá-la a dar
continuidade à sua própria vida. E independente com quem
fique a guarda das crianças, a presença constante por parte
de quem se foi é imprescindível.
Quando os pais conseguem resolver juntos seus problemas, participando
aos filhos de suas decisões, eles tendem a aceitar com mais naturalidade
esse momento, lembrando que em geral, os filhos agem muitas vezes como
reflexo dos pais, por isso é importante que ambos tenham muita
certeza da decisão que tomaram para que possam transmitir essa
segurança para os filhos que com certeza será refletida
em suas vidas.
Com quem deve ficar a guarda?
Com quem tiver melhor estrutura emocional para criar as crianças.
Lembre-se que acima de 12 anos elas têm o direito de escolha perante
a justiça.
Já tenho outra pessoa, devo apresentar ao meu filho?
Tudo no seu devido tempo. O mais indicado é respeitar o processo
de elaboração da criança diante dessa nova situação
e permitir que ela possa elaborar uma situação de cada vez.
Controle sua ansiedade e espere alguns meses até que a apresentação
possa ser feita de maneira natural.
Pais que amam seus filhos desejam o melhor para eles, e o mesmo acontece
com os filhos, que também desejam que seus pais sejam felizes!
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