Ser Integral
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Ser ou não ser comum?
por Samanta Obadia

"Um dos grandes sofrimentos atuais não acontece por falta de qualidades pessoais, mas por falta da fama como resultado desejável a partir dos dons" O homem comum, em busca de sentidos para sua existência na sociedade, muitas vezes, acredita que a fama é a meta a ser atingida. Todavia, os famosos reclamam privacidade e anonimato, ainda que continuem provocando os paparazzi.

Como disse Nelson Rodrigues, em sua sabedoria mundana: ‘ela é bonitinha, mas ordinária’. Ou seja, a qualidade em si não diferencia ninguém, e nada tem a ver com a conduta moral de uma pessoa.

Ilusoriamente, acredita-se que a verdadeira qualidade se constrói à medida que se torna pública, pois se não reconhecida por uma grande quantidade de pessoas, perde seu valor.

Desde quando a qualidade prevalece na diferença? É possível ser comum com qualidades admiráveis ou para tais qualidades, a fama é imprescindível?

Susan Boyle, com seu belo canto, divulgado recentemente na mídia, é mais um exemplo de qualidade admirável. Recentemente, em declaração à imprensa, ela disse que a fama é uma “bola de demolição”. Ou será que ela estava se referindo à decadência após a fama?

Talvez, a verdadeira ‘demolição’ seja a ilusão existente diante da expectativa e do desejo de divulgação de nossos dons, como se só o fossem quando reconhecidos?

Atualmente, quando se pergunta a uma criança ou adolescente o que ele quer ser quando crescer, a resposta mais ordinária é: ‘quero ser famoso (a)’. A cultura atual, excessivamente consumista, devora os dons com uma velocidade absurda, onde para sentir o verdadeiro valor das qualidades necessita-se que estas sejam reconhecidas pelo grande público.

A busca da aprovação pela maioria impressiona, ao mesmo tempo em que pressiona aqueles que desejam a diferença, em lugar do sentido do homem comum.

Um dos grandes sofrimentos atuais não acontece por falta de qualidades pessoais, mas por falta da fama como resultado desejável a partir dos dons.

Se for bonito (a), deve ser modelo; se representa bem, deve ser ator, se escreve com frequência em seu diário, escritor. Se o dom não for publicado, ele existe?
Será que realmente aqueles que se destacam para o grande público têm a cabeça diferente dos simples humanos comuns? Serão eles melhores? Mais interessantes? Mais nobres?

Talvez sim, talvez não.


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Samanta Obadia
é Filósofa, Psicanalista, Professora, Palestrante e Consultora nas áreas de Educação e Motivação de Equipes em instituições e empresas
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