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| "Um dos grandes sofrimentos
atuais não acontece por falta de qualidades pessoais, mas por
falta da fama como resultado desejável a partir dos dons" |
O homem comum, em busca de sentidos para sua existência
na sociedade, muitas vezes, acredita que a fama é a meta a
ser atingida. Todavia, os famosos reclamam privacidade e anonimato,
ainda que continuem provocando os paparazzi. |
Como disse Nelson Rodrigues, em sua sabedoria mundana: ‘ela é
bonitinha, mas ordinária’. Ou seja, a qualidade em si não
diferencia ninguém, e nada tem a ver com a conduta moral de uma
pessoa.
Ilusoriamente, acredita-se que a verdadeira qualidade se constrói
à medida que se torna pública, pois se não reconhecida
por uma grande quantidade de pessoas, perde seu valor.
Desde quando a qualidade prevalece na diferença? É possível
ser comum com qualidades admiráveis ou para tais qualidades, a
fama é imprescindível?
Susan Boyle, com seu belo canto, divulgado recentemente na mídia,
é mais um exemplo de qualidade admirável. Recentemente,
em declaração à imprensa, ela disse que a fama é
uma “bola de demolição”. Ou será que
ela estava se referindo à decadência após a fama?
Talvez, a verdadeira ‘demolição’ seja a ilusão
existente diante da expectativa e do desejo de divulgação
de nossos dons, como se só o fossem quando reconhecidos?
Atualmente, quando se pergunta a uma criança ou adolescente o que
ele quer ser quando crescer, a resposta mais ordinária é:
‘quero ser famoso (a)’. A cultura atual, excessivamente consumista,
devora os dons com uma velocidade absurda, onde para sentir o verdadeiro
valor das qualidades necessita-se que estas sejam reconhecidas pelo grande
público.
A busca da aprovação pela maioria impressiona, ao mesmo
tempo em que pressiona aqueles que desejam a diferença, em lugar
do sentido do homem comum.
Um dos grandes sofrimentos atuais não acontece por falta de qualidades
pessoais, mas por falta da fama como resultado desejável a partir
dos dons.
Se for bonito (a), deve ser modelo; se representa bem, deve ser ator,
se escreve com frequência em seu diário, escritor. Se o dom
não for publicado, ele existe?
Será que realmente aqueles que se destacam para o grande público
têm a cabeça diferente dos simples humanos comuns? Serão
eles melhores? Mais interessantes? Mais nobres?
Talvez sim, talvez não.
p.s – Estarei com meu livro “Pessoas, palavras e valores:
elos em construção”, na Bienal do Livro no dia 12
de setembro (sábado), de 10h00 às 11h30.
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