"É
estranho como que, mesmo sem querer, tomamos o outro como parâmetro,
para nossas desgraças e conquistas. Parece que somente diante
das histórias alheias realmente somos"
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A paz com certeza está dentro
de nós. Num simples domingo, o sol dourando meu rosto durante
a caminhada matinal, a leitura sem pressa na banca de revistas, o
sorriso ao desconhecido que passa. |
Voltar para casa com um frango de padaria para o almoço, a tranquilidade
de ser simplesmente o que se é, sem excessos e com poucas carências,
até porque ser humano sem carências não há.
Outro dia, durante uma conversa informal com uma amiga percebi que sou
feliz e não sabia o quanto. Ela relatava-me sua angústia
diante das provas de sua primeira graduação e o quanto ela
chorava para fazê-las, ainda que fosse dependente de ritalina (medicamento
utilizado por pessoas que sofrem de TDAH- transtorno de déficit
de atenção). Instantaneamente, fui tomada por tamanha alegria
e gratidão por ter sede de conhecimento, e não ter esses
medos.
É estranho como que, mesmo sem querer, tomamos o outro como parâmetro,
para nossas desgraças e conquistas. Parece que somente diante das
histórias alheias realmente somos. Talvez seja por isso que tantos
se fixam nas televisões, para viver vidas outras, para saber-se
em algum lugar.
O velho Sócrates, diante do templo de Delfos, contemplava o seu
bom lema: “Conhece-te a ti mesmo”. Será que ele previa
que esse autoconhecimento estaria conectado a tantas vidas? Sigamos olhando
o outro para então entender quem somos ‘diante do outro’
e não ‘para o outro’.
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