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| "Ser radicalmente humano significa
conhecer a si mesmo, não apenas como indivíduo, mas
como espécie. E alcançar, através do pensamento,
coerência nas ações que atualizam a nossa essência,
sem receio de assumir nossos erros, para reconhecer a necessidade
de percorrer novos caminhos" |
O avião da Air France, voo 447, que
partiu do Rio de Janeiro, no domingo, 31 de maio, em direção
a Paris, desapareceu e movimentou o mundo em mais uma tragédia.
Rapidamente, a imprensa sedenta de novidades, ‘incendiou’
os meios de comunicação de massa, com especulações
e informações paradoxais. |
Consciente ou não, a mesma provocou na população
mundial conectada, uma oportunidade para experimentar uma catarse . Movimento
positivo, segundo Aristóteles , esta última, estimula o
fluxo de questionamentos das verdades estabelecidas.
No entanto, o cotidiano humano percorre o seu caminho sem grandes indagações,
e quando algum acontecimento interrompe o curso natural da vida, ansiamos
por respostas prontas, que satisfaçam nossa necessidade de controle
do tempo e do espaço.
Parece que perdemos, com a mídia e seu volume ininterrupto de informações
contraditórias, a oportunidade de concretizarmos a catarse, que
este acontecimento nos propõe.
O ser humano deixou de buscar a verdade, e espera que os meios de comunicação
cumpram essa tarefa. Há uma crescente preguiça no ato de
pensar por si mesmo, no exercício radical de nossa humanidade.
Há uma resistência clara ao testemunho que podemos dar ao
acontecimento, que supera nossa capacidade de entendimento. E isso nos
afasta da possibilidade de transcendência, capacidade estritamente
humana.
Ser radicalmente humano significa conhecer a si mesmo, não apenas
como indivíduo, mas como espécie. E alcançar, através
do pensamento, coerência nas ações que atualizam a
nossa essência, sem receio de assumir nossos erros, para reconhecer
a necessidade de percorrer novos caminhos.
Saber-se humano é aceitar nossos limites e continuar buscando nossa
transcendência, sem invalidar a nenhuma das duas.
Este espaço, antes em branco, e agora preenchido por palavras que
organizo, vem propor uma visão integral do ser humano: frágil,
físico, pensador, místico e poético, que deve caminhar
na direção de si e do outro, como uma mesma medida, para
jamais perder-se.
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