| "Desde
sempre ouvimos o que ‘não pode’, o que ‘não
deve’, o que ‘ é feio’, ou o que é
‘louco’. Aprendemos a obedecer sem questionar e, aos poucos,
nos perdendo de nós mesmos, esquecendo-se de nossos desejos,
e a nossa vontade passa a ser a da maioria" |
Rever “Alice no País das
Maravilhas” de Tim Burton enquanto explico os simbolismos presentes,
é um bom exercício para lembrar o quanto perdemos nossa
‘muiteza’ ao longo da vida. Este termo nos remete a nossa
essência infantil, a nossa coragem e autenticidade. |
Essas qualidades vão sendo perdidas, na medida em que crescemos,
com as proibições, os medos, os preconceitos e as travas
que os outros nos impõem. Fatalmente as aceitamos para sermos recebidos
pela sociedade.
Perigosa relação necessária que nos afasta de nossas
particularidades, de nossa integridade infantil, nos fazendo deixar de
ser quem somos.
O outro me aniquila quando diz como devo ser, com os seus padrões
normativos, que me aprisionam numa forma qualquer.
Desde sempre ouvimos o que ‘não pode’, o que ‘não
deve’, o que ‘ é feio’, ou o que é ‘louco’.
Aprendemos a obedecer sem questionar e, aos poucos, nos perdendo de nós
mesmos, esquecendo-se de nossos desejos, e a nossa vontade passa a ser
a da maioria.
O prazer e a raiva têm de ser controlados. Não podemos acabar
com o que nos faz mal, mas sim suportá-lo. Onde escondi a minha
criança que resolvia as coisas tão facilmente? Onde se encontra
em mim, o ‘eu posso, eu quero, eu faço’?
Recuperar estas ações é uma questão de sobrevivência
e de honra, e esse “sonho é meu”, como disse Alice,
e eu farei o meu próprio caminho daqui por diante. E talvez, este
seja o primeiro sintoma de lucidez de toda história.
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