| "Observar
uma obra sem essa consciência, a diminui. Por isso, contemplar
a arte é um exercício paciente de quem cria olhos para
vê-la. É preciso preparar o espírito e a sensibilidade
para receber a ‘obra em si’, admirando-a em seu conjunto,
estando nela" |
Eu fui assistir à Nabuco,
uma excelente ópera no teatro municipal. Exímia obra
de arte, do início ao fim, em cada uma de suas instâncias.
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Vozes incrivelmente afinadas ao lado de músicos impecavelmente
competentes. Uma orquestra de primeira linha.
Três horas de espetáculo e uma história clássica
em pleno século XXI. Todos os espectadores aplaudiram vigorosamente
ao final de cada ato, mas ainda que a admirassem, percebi durante a ópera,
movimentos de impaciência e tédio.
Observar uma obra de arte ainda é um movimento particular para
poucos, visto que toda obra carrega em si o seu tempo de preparo. E isso
é o que a dignifica.
A honra e o respeito que adquirimos em nossas vidas provêm dos inúmeros
passos que damos e da densidade que eles têm no peso que incidem
sobre a Terra.
A composição de uma obra também carrega sua dignidade
no tempo que levou para se constituir como um fim, no trabalho incondicional
dos artistas que se doam, na maioria das vezes, sem retorno algum.
Observar uma obra sem essa consciência, a diminui. Por isso, contemplar
a arte é um exercício paciente de quem cria olhos para vê-la.
É preciso preparar o espírito e a sensibilidade para receber
a ‘obra em si’, admirando-a em seu conjunto, estando nela.
Partilhar desta experiência estética é um movimento
de estranha beleza, onde podemos vislumbrar nas vezes e nos sons dos instrumentos
tocados, a energia sensível da natureza humana, que quando transcende,
atinge de maneira magnífica o que há de divino em nós.
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