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| "Sentir na pele é mais do que uma
condição, é uma entrega. É permitir o
encontro, é vivenciar o real. E é da ordem do impossível
quando tentamos traduzi-la para o outro" |
Questão de pele é algo muito sério!
Manchas, pintas, cores, acnes, herpes, lepra, quando é na gente,
é diferente. |
Olhar o próprio rosto envelhecido no espelho é uma visão
particular e única. É um mapa de linhas que relatam histórias,
que nem sempre queríamos marcadas.
Emoções contidas, dores compostas, horrores bloqueados,
estranhas erupções, disfarçadas com corretivos, que
no fim do dia devem ser retirados. E quem disse que é fácil
dormir de cara limpa?
A pele é profunda e, em suas diversas camadas, esconde histórias,
mascara odores e alinha intenções.
Sentir na pele é mais do que uma condição, é
uma entrega. É permitir o encontro, é vivenciar o real.
E é da ordem do impossível quando tentamos traduzi-la para
o outro.
A pele nos denuncia, nos expõe, nos trai. Mas é ela também,
que nos devolve a alegria quando em toque, promove o arrepio do encontro,
a doçura do abraço. E ainda, em dança, permite o
cheiro e o entrelace suave dos dedos.
Pele enruga e envelhece, pele amarela com o tempo, pele retrai e se expande,
pele estria, pele enfeia. Mas pele também se refaz e embeleza.
Pele rejuvenesce e encanta. Pele brilha e chama a atenção.
Não há lógica no arrepio que se sente, como não
há cheiro de pele que se esqueça.
Da minha pele, só eu sei, e isso é uma questão não
testada dermatologicamente.
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