| "Todavia,
a evolução tecnológica não parece contribuir
para a harmonização da humanidade. É o paradoxo
moderno, mais evolução, mais incoerência" |
“As leis brasileiras não
servem para nada!”, foi assim o desabafo da vítima diante
do repórter. |
Difícil dar continuidade a essa fala, sem titubear. Mais complexo
ainda tem sido ensinar Immanuel Kant para alunos que vão prestar
vestibular.
Alguns se revoltam durante a aula quando cito o imperativo categórico
que defende a máxima universal de que quando eu ajo de forma autônoma,
o faço de maneira que minha ação seja válida
igualmente para todos.
COMO ASSIM?
Num mundo onde o individualismo e o relativismo imperam, não há
lugar para o bem comum. Esta ideia me faz lembrar a declaração
feita por uma paciente ao seu psicanalista, dizendo que é possível
estar bem, mas não feliz nos dias de hoje, porque ter felicidade
num mundo onde há miséria e injustiça é estar
alienado da sociedade.
Todavia, a evolução tecnológica não parece
contribuir para a harmonização da humanidade. É o
paradoxo moderno, mais evolução, mais incoerência.
A violência humana cresce na medida em que o ser humano se afasta
de si mesmo e de sua liberdade. O excesso de conexão reduziu a
arte do encontro, o olhar nos olhos, o toque das mãos.
É preciso religar a humanidade com sua sensibilidade, com sua essência,
a fim de resgatar a inocência do milagre da vida.
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1 Immanuel Kant (1724 -1804) foi um filósofo prussiano, geralmente
considerado como o último grande filósofo dos princípios
da era moderna, indiscutivelmente um dos pensadores mais influentes.
O próprio imperativo categórico, sobre o qual Kant coloca:
"Age como se a máxima de tua ação devesse tornar-se,
por tua vontade, lei universal da natureza". Sua ética e moral
têm como base esse preceito.
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