| "Somos atropelados
pelos descartáveis, pelas gírias cíclicas e pela
velocidade da comunicação. Perdemos-nos em um mar de
informações vazias em detrimento de um conhecimento
que nunca se aprofunda, porque requer o tempo que já passou,
posto que o que importa é o agora" |
“O homem é o futuro do homem”,
disse Jean-Paul Sartre, referindo-se às escolhas que fazemos
ao construirmos a nós mesmos. |
E o que pensaria esse filósofo sobre as gerações
que educamos a partir de nossas ideias e costumes?
Se formos os frutos de nós mesmos, de nossos ideais e de nossas
escolhas, também somos o resultado das escolhas que ‘fazem’
por nós, aqueles que nos educam.
Vivemos num tempo engolido por Cronos, deus da mitologia grega que não
aceitava a chegada do novo, controlando a passagem do tempo, não
envelhecendo ao engolir seus filhos.
Vivemos o tempo da brevidade, da vontade eterna do novo.
Somos atropelados pelos descartáveis, pelas gírias cíclicas
e pela velocidade da comunicação. Perdemos-nos em um mar
de informações vazias em detrimento de um conhecimento que
nunca se aprofunda, porque requer o tempo que já passou, posto
que o que importa é o agora.
Que tipo de sociedade está sendo construída a partir da
ausência de valores morais?
Os pais e os educadores estão inseguros em suas competências,
diante de tantas técnicas e diagnósticos recentes. Estratégias
da mídia consumista que os soterram de novidades superficiais,
com fundamentos confusos, a fim de vender novos medicamentos e terapias
mágicas.
O tempo do aprendizado emotivo e intelectual não acompanha os 15
megas oferecidos pela internet. O ser humano é composto por seus
instintos, por suas emoções e por seu intelecto. Não
adiantará o auxílio das máquinas, nem as soluções
online para provocar mudanças abruptas.
Onde estão os anciãos contadores de histórias?
Onde está a voz da experiência daqueles que viveram mais
tempo?
Que não estejam escondidos atrás do botox, nem acasalados
com jovens, iludidos pela felicidade travestida de beleza e juventude
eternas!
Ou será que está havendo um retrocesso, uma busca ao elixir
da longevidade, que dá sentido à vida humana?
Como bem disse John Locke, “Os pais perguntam-se por que os riachos
são amargos, quando eles mesmos envenenaram a fonte”.
Estou sendo muito cruel?
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