| Neste domingo, dia 07 de fevereiro
de 2010, uma notícia chocou o Brasil: o assassinato de *Alcides
, um sonhador, um estudante pernambucano, que renovou a esperança
em muitos brasileiros.
Jovem, afrodescendente, pobre, filho de uma catadora de lixo, estudante
de escolas públicas, contrariou todas as evidências, passando
em primeiro lugar da rede pública, em Biomedicina, na Universidade
Federal de Pernambuco, em 2007.
Ironia do destino ou não, o curso da vida desse vencedor foi interrompido
por dois assassinos, perdedores por excelência, que se vingaram
de Alcides com dois tiros na cabeça, porque ele não tinha
a informação que eles desejavam.
O impacto da notícia encheu meus olhos
de lágrimas e meu coração de revolta.
Como assim? Matar alguém porque não sabia da vida do
vizinho? |
A loucura da violência de nosso sistema imundo ultrapassou todas
as medidas. Não foi assalto, não foi vingança, não
foi engano. Foi violência banal, literal ‘falta do que fazer’.
Alcides alçou voo, escolheu uma profissão nobre, a fim
de salvar vidas. Estudou, dedicou-se ao conhecimento. Sua sabedoria estava
em suas escolhas, sua atenção estava em seus livros e em
sua missão.
Mas o mundo cruel dos inúteis exige um olhar voyeur, de
quem se fixa na vida dos outros, de quem se distrai com BBB, burro besta
e boçal.
Vive mais quem sabe onde está o vizinho, quem está por dentro
da vida dos famosos. Pois àqueles que destinam o seu tempo ao verdadeiro
outro, são negligenciados ao anonimato.
Eis a verdadeira miséria humana!
*Estudante de biomedicina Alcides do Nascimento Lins, de 22 anos, da
Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), foi morto a tiros na madrugada
de sábado (06.02.2010), em sua casa, no Recife. Na época
de sua aprovação no vestibular, ele foi o primeiro colocado
da rede pública. A felicidade do momento vivido por ele e por sua
mãe, a vendedora ambulante Maria Luiza do Nascimento, foi mostrada
no Fantástico, programa da Rede Globo de Televisão,
de 2007.
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