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É necessário
fazer a distinção das palavras sexo e sexualidade,
pois muitos de nós acabamos confundindo os dois
sentidos.
O que é sexo?
Quando nascemos as pessoas costumam fazer a seguinte pergunta: O que é menino ou menina? Baseamo-nos única e exclusivamente na condição biológica e genética, que resume-se ao nosso órgão genital. Uma outra forma de se ver e falar sobre sexo é o contato sexual homem-pênis x mulher-vagina com a função reprodutiva. Quando falamos de sexo a visão fica restrita e simplista demais diante da abrangência da sexualidade
Sexualidade
A sexualidade está em todos os momentos da nossa vida. Ela é ampla, aberta e irrestrita. Atinge todas as esferas de nossas relações: família, trabalho, relações sociais, relações sexuais, cuidados consigo próprio, forma de se vestir, tom de voz, olhares, decoração do seu espaço, forma de se mexer até escovando os dentes... é um fenômeno que ocorre de uma pessoa para a outra, é a forma de comunicação consigo e com o mundo, com seu parceiro(a).
A sexualidade inclui, além dos fenômenos genitais: sensações corporais extragenitais, sentimentos, afetos, amor, carinhos, palavras, olhares, compreensão... e, para muitos, fidelidade... (não se pode fazer carinho de bochecha na testa de qualquer pessoa...).
Devemos considerar sexualidade
e comunicação como a forma de expressão
total da pessoa. Como expressão temos muito mais
do que a palavra para considerarmos. A palavra vem muito
tempo depois de outras formas de expressão: caretas,
olhares, posturas corporais, lágrimas, risos...
Um casal estará sempre
à mercê de tais formas de expressão,
mesmo que não as reconheça como tal. As
expressões que não são passadas pelo
verbal, claro e direto, serão tão ou mais
eficazes quanto as palavras. Um sorriso ou uma expressão
fácil de desagrado comunicará estes sentimentos
à outra pessoa, mesmo que não se esteja
querendo dizer tal coisa...
As formas mais importantes
e mais eficazes de comunicação são,
no mundo adulto e social, as palavras. Assim aprendemos
que somente o que falamos deve produzir efeitos...
No sexo a comunicação
não verbalizada é ainda mais importante.
Cada casal, ao longo de sua ligação, desenvolve
modos muito íntimos para se comunicarem sobre os
prazeres e desagrados. Em princípio desenvolvem
estas formas não verbais por não terem palavras
ou não se sentirem confortáveis em usarem
palavras que já conhecem.
Um exemplo é reconhecerem
os olhares de consentimento e aprovação
para determinado carinho. Não precisam ser olhares,
mas podem ser toques de mãos ou modos de respiração
(mais rápida ou mais tranqüila), contração
de músculos quando se toca determinada parte do
corpo... e é bom lembrarmos que muitas vezes o
casal está no escuro... e mesmo assim sabe o que
está acontecendo...
A comunicação de desejos e necessidades é muito importante para um casal. Muitos casais tem receios de mostrar, contar alguma fantasia escondida. Muitos têm receios de ouvir alguma fantasia escondida... Assim muitos casais deixam de expressar, contarem-se necessidades e curiosidades importantes.
Ao não contarem, expressamente,
dois fenômenos passam a ocorrer. Em primeiro lugar
não haverá como a necessidade ser satisfeita.
Em segundo lugar muito rancor poderá se estabelecer:
afinal, a outra pessoa será o constante símbolo
da insatisfação... Aí retomamos as
expressões e comunicações não
verbais. Antes base do relacionamento, agora meio de expressão
da mágoa e da dor de não ter suas necessidades
correspondidas...
As responsabilidades devem ser repartidas para as duas pessoas, também, lembrar que a comunicação depende de contexto individual. Um dos fatores importantes é o que produz a distorção do que irá ser comunicado ainda dentro da própria pessoa... Cada um de nós tem sua maneiras de lidar com o mundo e de distorcer a realidade para podermos conviver com ela. Como um casal lida com esta distorção dupla é um problema para ser resolvido em casal... e é isto a que chamamos de comunicação do casal...
Modelos de relação
são estipulados pela sociedade
As formas de relacionamento a dois são
estipuladas, primeiramente pelo grupo social. Embora as
regras sejam muito superficiais, elas existem e conduzem
os comportamentos das pessoas na formação
dos casais. O grupo social institui as maneiras pelas
quais as pessoas irão se relacionar. Damos nomes
às formas de experiências: namoro, noivado,
casamento...
Embora sejam regras (leis) muito superficiais,
elas causam grande celeuma quando são enfrentadas.
Um exemplo recente é o casamento homossexual em
discussão, pois, embora os relacionamentos homossexuais
sempre tenham existido, a formalização,
a institucionalização social é algo
que choca as pessoas, como se isso fosse tornar a todos,
por força de lei, homossexuais...
Embora nossas leis não nos ensinem
como um casal deve se relacionar, são sentidas
por nós como se assim o fosse...
O casal aprende como deverá se relacionar através
dos modelos que tem em casa durante a infância.
Com quase toda certeza podermos ver adultos tentando repetir
(mesmo que não aprovassem) os comportamentos dos
pais.
O pior é que geralmente reproduzem comportamentos de modo não reconhecido, não voluntário, defendendo-o com unhas e dentes como se fossem próprios, vivenciados e escolhidos, e não aprendidos por imitação, e geralmente nunca antes externados...
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