Sexo
Dicas para melhorar sua vida sexual

Como será o sexo no futuro?
por Arlete Gavranic


Dividir os parceiros para multiplicar o prazer? Ou a monogamia?

Seja na atividade clínica, em aulas, palestras ou nas perguntas que recebo no Vya Estelar, esse questionamento é muito presente.

Muitas vezes esses questionamentos vêm acompanhados de dados: proporção de mulheres é superior a de homens praticamente em todo o Brasil e em muitos lugares do mundo.

As inseguranças e traições são uma queixa constante no discurso feminino. Elas sentem-se ameaçadas pela 'concorrência', pois as mulheres vivem uma desvantagem alimentada pela mídia: a cobrança da beleza, da jovialidade e também da competência em varias áreas, social, afetiva e sexual.

Muitas mudanças aconteceram nesses últimos cem anos. Só a partir da década de 60, é que a questão do prazer feminino ganhou espaço com a revolução sexual e de costumes.

Hoje espera-se que as mulheres sejam todas orgásticas (ou multi!), sedutoras e desejosas apesar de terem dupla ou tripla jornada de trabalho.

Essas mulheres ampliaram não só o prazer sexual, como seu espaço social, estando hoje em número equivalente nas universidades e no mercado de trabalho. Embora ainda ganhem apenas 60% do salário de um homem na mesma posição.

Ideal monogâmico?

A monogamia deve prevalecer nas próximas décadas, mas deverá ocorrer uma ampliação do modelo familiar, como por exemplo, famílias de casais homossexuaisApesar de tantas mudanças, as mulheres ainda vêm sendo educadas para viver o amor romântico, à espera do príncipe. Portanto, o ideal de monogamia é a expectativa desse amor romântico que a maioria delas deseja.

Mas desde 2001, o maior número de pessoas infectadas com HIV foi o de mulheres casadas que apresentavam um padrão monogâmico de comportamento. Isso nos faz ver que esse ideal monogâmico é muito mais vivido pelas mulheres que pelos homens.

Apesar de sabermos que as traições femininas vêm acontecendo numa crescente, ainda é difícil falar sobre isso sem mobilizar nos homens insegurança ou indignação, sentimentos também vividos pelas mulheres. A sociedade machista justifica ou tenta justificar a traição como prova de masculinidade.

Essa questão é cultural, sociedades que seguem o Islamismo no mundo mulçumano autorizam a poligamia, desde que o homem tenha condições de manter essas mulheres, tanto materialmente, quanto sexualmente satisfeitas. Essa cultura não aceita a prostituição ou a traição, e encara a poligamia como norma cultural. Na sociedade brasileira como em tantas outras, pelo código civil, não é permitida a existência da bigamia ou da poligamia. Daí a idéia de dividir parceiros ganha uma dificuldade a mais que a aceitação cultural.

No interior do Brasil, podemos encontrar famílias vivendo modelos de um parceiro com mais de uma esposa. Muitas vezes essas mulheres convivem, mas esse modelo ainda sofre estranhamento por parte da sociedade.

Mas e a nossa juventude? Será que o padrão de comportamento do ficar pode ser uma flexibilização para esse modelo? Hoje o jovem fica com muitos jovens em uma festa ou balada. Mas também encontramos aqueles que ficam por semanas ou meses com duas ou três pessoas simultaneamente. Muitas vezes eles sabem um do outro, mas consideram essa relação uma curtição, um ficar sem cobranças.

Para os garotos essa liberdade de poder ficar vem reforçada por um padrão machista, onde homens sempre foram incentivados a várias conquistas. É bom lembrar que o ficar inclui para a maioria de jovens: beijar, dar uns amassos, intimidade de carícias, mas não é regra que esse comportamento de ficar inclua ato sexual. Isso acontece mais frequentemente a partir da vida universitária.

E as garotas, como lidam com o ficar?

Muitas dizem que é uma ótima oportunidade de sentirem-se desejadas, de experimentar vários beijos (e perceber que uns beijam muito melhor que outros), de experimentar emoções e carícas diferentes. Mas no relato das adolescentes, percebo que elas ainda esperam encontrar o cara legal, aquele que valha a pena estar junto e investir.

De novo aí a idealização romântica. Hoje mais do que em qualquer outra época da história, a fidelidade é uma escolha, pois muitas são as oportunidades de sair, conhecer e viver múltiplas relações. Mas embora o experimentar-se sexualmente esteja presente, sabemos que o ser humano busca afeto e quer ser admirado, desejado, reconhecido por seus potenciais, de beleza, força, inteligência e sedução.

Talvez a geração que vai entrar na vida adulta daqui a 10 ou 20 anos seja mais flexível com relação à posse das relações, talvez sejam mais independentes afetiva e sexualmente, e passem a 'ficar' em todas as etapas e invistam essa energia de vida em estudos, trabalho, viagens, lazer...

Como estudiosa do comportamento humano, não consigo crer que possamos encontrar nos próximos cinqüenta anos uma mudança tão radical para o relacionamento amoroso. Teremos, sim, modelos de família mais ampliados. Famílias homossexuais talvez sejam freqüentes, mas esse núcleo de afeto na relação eu-tu muito provavelmente irá resistir em nome de uma necessidade natural do ser humano que é a de ser amado.

50 anos...

Não acredito que eu esteja lá pra ver, mas espero que nesse caminhar dos próximos 25 ou 30 anos eu tenha lucidez para acompanhar e ajudar as pessoas nessa busca de afeto, de autoconfiança e prazer na vida.

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Arlete Gavranic
é Psicóloga, Mestre em Educação; Educadora e Terapeuta sexual
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