|
Coluna Sexo - Dicas
para melhorar sua vida sexual
|
Quando o desejo sexual vira doença
Podemos considerar compulsão sexual se
a pessoa sente uma constante necessidade de buscar sexo, e essa busca passa
a dominar sua vida, prejudicando sua atuação nos estudos, no
trabalho, nas relações familiares e sociais.
A compulsão sexual costuma ocorrer na idade adulta. Para afirmar que
esse diagnóstico é positivo, considera-se no mínimo um
prazo de seis meses com a permanência desse comportamento.
O compulsivo vira escravo da necessidade de sexo, e esse sexo não significa
que a pessoa viva uma relação de intimidade, amor ou prazer
por estar com alguém, apenas vai ter a função de aliviar
a tensão, um prazer físico. Não é difícil
ocorrerem situações de destruição de casamento,
família, relacionamentos importantes ou encontrar aqueles que perderam
o emprego ou não conseguiram terminar uma faculdade em conseqüência
da compulsão. Podemos dizer que um traço de personalidade dessas
pessoas, é que elas apresentam dificuldade para criar vínculos
de intimidade com quem está à sua volta.
Quando falamos de compulsivos sexuais num casamento, é preciso avaliar
suas parceiras sexuais, que chamamos de co-dependentes, pois de alguma forma
elas participam e podem até ajudar a manter a compulsão. Para
algumas, esse desejo exagerado pode alimentar a auto-estima, pois sentem-se
desejadas. Por isso também devem participar do tratamento.
Como funciona a mente do compulsivo
Essa compulsão sexual costuma se manifestar
com fantasias, são pensamentos que invadem a cabeça da pessoa,
dos quais ela não consegue se livrar. Essas pessoas vivem uma grande
ansiedade, demonstrada por esses pensamentos, que acabam se transformando
em excitação sexual. Para aliviar a tensão, a pessoa
começa a masturbar-se várias vezes por dia, mas quando essa
tensão é muito grande, a pessoa fica insatisfeita com a masturbação
e dirige-se a outros comportamentos sexuais, em busca de um meio ou de alguém
que possa servir como meio de descarga , de alívio e que possa ajudá-la
a livrar-se da excitação. Por isso, muitos compulsivos sexuais
apesar de dizerem-se heterossexuais, podem eventualmente ter relações
homossexuais para aliviar a excitação. Eles têm a necessidade
de ter várias relações, e se não conseguirem essa
satisfação no ambiente doméstico, podem sair à
caça de sexo indiscriminadamente, correndo o risco de doenças
sexualmente transmissíveis e da Aids.
O compulsivo sexual pode buscar satisfação em qualquer atividade
que esteja relacionada ao tema sexual, isso inclui masturbações,
sexo virtual, pornografia, e contatos "sexuais" por telefone. Não
precisam, necessariamente, procurar parceiros, embora isso também aconteça.
Por que acontece essa doença?
Estudiosos do comportamento humano levantam muitas hipóteses sobre as possíveis causas da compulsão sexual. Ter vivido carência ou um desequilíbrio emocional durante a infância ou adolescência, ter sofrido trauma grave, de estar ligado a uma depressão, um descontrole comportamental para conter impulsos sexuais, um transtorno de ansiedade. Alguns cientistas chegam a levantar até a hipótese de ter origem genética. Mas isso ainda continua sendo estudado e pesquisado.
Tratamento
Para que a compulsão possa ser tratada,
o primeiro passo é a própria pessoa perceber a necessidade de
ajuda. Em geral, é indicado como tratamento a psicoterapia para que
a pessoa possa aprender a controlar a ansiedade. Em alguns casos o acompanhamento
de um psiquiatra e o uso de medicamentos que ajudam a diminuir a libido e
o impulso sexual podem ajudar a reduzir a ansiedade; ajudando na reconstrução
que precisa ser vivida na psicoterapia.
Outra opção que alguns profissionais indicam, além do
tratamento psicológico, é do paciente participar de grupos de
auto-ajuda, como o grupo Dependentes de Amor e Sexo Anônimos (Dasa),
que promove reuniões em muitas cidades do Brasil, onde as pessoas podem
partilhar suas experiências com outras que também vivem o mesmo
problema.
Em casos mais sérios, a internação em clínicas
especializadas pode ser necessária para o sucesso do tratamento, como
ocorreu com o ator Michael Douglas internado no início dos anos 90,
numa clínica para viciados em sexo.
Mas não esqueça, sexo é uma vivência saudável e desejável que pode proporcionar às pessoas o prazer físico e relacional. O problema é depender e necessitar dele exclusivamente para baixar a ansiedade provocada por inúmeras inseguranças e medos pessoais.
Será que faço sexo em excesso?
Sempre recebo muitos e-mails de leitores do Vya
Estelar me perguntando qual é a freqüência sexual normal
ou exagerada?
Não existe uma norma para a freqüência sexual ser considerada
normal, apesar das pesquisas mostrarem que o brasileiro tem, em média,
duas relações sexuais por semana, uma pessoa que tenha 4, 5
ou 9 relações sexuais por semana não pode ser chamada
de compulsiva, só por ter um número maior de relações
sexuais do que a maioria da população.
Isso ocorre porque em relação a sexo, não há regras
definidas para avaliar se é muito ou pouco, ou se é certo ou
errado. Algumas pessoas necessitam mais de sexo do que outras. Há casais
que transam todos os dias, e nem por isso vamos chamá-los de tarados
ou compulsivos sexuais, esse é o ritmo deles.
É preciso saber que não é a quantidade de relações
sexuais ou masturbações realizadas por dia, semana ou por mês
que vai determinar a compulsão sexual, mas se a pessoa manifesta dificuldade
em manter-se realizando outras atividades que não a sexual.
|
|
![]() |
Arlete Mª Girello
Tavares Gavranic é Psicóloga,
Mestre em Educação; Educadora e Terapeuta sexual |