Sexo
Dicas para melhorar sua vida sexual

Sexo anal não deve causar dor
por Arlete Gavranic e Celso Marzano

O sexo anal como prática sexual se caracteriza pela introdução do pênis no interior do ânus do parceiro (a) sexual, seja ele (a) homo ou heterossexual, e é mais uma forma de se obter prazer.

Segundo especialistas que estudam o assunto, tal atividade não precisa causar danos à elasticidade anal, ou doenças como hemorróidas se alguns cuidados forem tomados.

O sexo anal, considerado tabu para muitas religiões, tem gerado interesse constatado em estudos. A importância de se informar sobre o assunto é reforçada pelos dados do Estudo da Vida Sexual do Brasileiro (Carmita Abdo – 2004) que mostram que o sexo anal faz parte do ato sexual masculino em 28,4% e do ato sexual feminino para 15% dos 6923 brasileiros entrevistados.

Mas para que essa prática seja um prazer, é importante que o casal converse e perceba se realmente ambos querem, ou se alguém está cedendo apenas para agradar ao outro. Se seu parceiro (a) não quiser, respeite esse limite.

Mas caso decidam praticar, o diálogo é importante. O objetivo é aumentar a intimidade, a confiança, o respeito, o conhecimento e o carinho para que se desperte bons sentimentos e, em caso contrário, haja espaço para uma boa conversa com o objetivo de se harmonizarem.

Orgasmo

Muitos praticantes, mulheres e homens, relatam chegar ao orgasmo com o sexo anal e com uma estimulação genital concomitante. Alguns relatam que o orgasmo é obtido só com sexo anal, mas isso depende de quanto a pessoa erotiza o sexo, pois o orgasmo está no cérebro, por isso muitos podem ter orgasmo no sonho. Muitas mulheres estimulam o clitóris para obter prazer durante o sexo anal.

Segundo o urologista e terapeuta sexual Dr. Celso Marzano, "É possível praticar o sexo anal com segurança e prazer, usando lubrificante, camisinha e técnica adequada”.

Sexo anal não causa dor

Marzano diz que “A crença de que a estimulação anal, principalmente o coito, tem que machucar ou doer é falsa. A maioria dos praticantes do sexo anal não sente dor alguma. Esse medo assusta e afugenta a maioria das pessoas dessa prática sexual.

Entre homossexuais, onde a prática anal é constante, a dor é praticamente ausente. Se presente em pequena intensidade e só na penetração, não atrapalha o prazer. Sempre que existir dor significa que algo está inadequado. Como o ânus é uma região muito inervada, pode levar à dor”.

Um medo freqüentemente relatado pelas pessoas é de que a prática anal possa gerar perda de fezes após o sexo. Segundo Marzano, "Quando ocorre uma penetração sem que o receptor esteja preparado, com os músculos dos esfíncteres contraídos, pode ocorrer trauma com ruptura de fibras musculares, gerando dor ou sangramento. Se experiências traumáticas como essas forem repetitivas, ocorrerá lesão grave e permanente dos músculos levando à perda de fezes de forma involuntária”.

Mas Celso alerta: “Esse é um acontecimento raro, pois a anatomia da região anal mostra no ânus dois esfíncteres musculares em forma de anel que circundam o canal anal e que funcionam de forma independente, onde o esfíncter externo é voluntário - você tem controle dele - e o interno é involuntário - você não tem controle de sua contração”. Você pode evitar esses traumas fazendo uma dilatação do ânus com o dedo.

Posição ideal

“As pessoas podem experimentar várias posições, para poderem ir descobrindo e se adaptando às suas preferidas. A melhor posição é aquela em que a pessoa se sente relaxada e acomodada. Isso vai variar de pessoa para pessoa. Algumas preferem ficar de lado, outras deitadas de barriga para baixo e outras se sentem melhor quando colocam um travesseiro debaixo do ventre. Uma posição muito pedida pelos homens é a famosa de quatro. Mas cada pessoa, com a prática vai desenvolvendo suas preferências de posições”, explica Marzano.

Cuidados para o sexo anal

Os cuidados para que a relação seja satisfatória incluem desde o local escolhido, para que haja tempo e facilidade para o casal relaxar, muita lubrificação e conhecimento prévio da técnica.

O conhecimento das técnicas de lubrificação e dilatação favorece o prazer antes, durante e depois da prática.

Experimente começar a prática sexual com carícias no ânus, depois lubrifique (sempre com gel à base de água) a região anal e o seu dedo e tente a introdução do mesmo, pois dessa forma a musculatura anal começa a relaxar, facilitando posteriormente a penetração. Só depois de perceber que há relaxamento suficiente, é que se tentará introduzir o pênis.

A penetração deve ser lenta e gradual. Paciência é crucial. Cada casal deve criar o seu próprio ritmo para que o sexo anal dê certo. Como essa prática sexual precisa de tempo, não é uma boa optar pela famosa “rapidinha”.

Cuidados obrigatórios

Use preservativo de boa qualidade e de procedência conhecida: drogarias, supermercados e postos de saúde, onde são fornecidos gratuitamente.

Retire da embalagem apenas no momento da utilização, tomando cuidado ao abrir para não danificá-lo. Não use objetos cortantes, afiados ou pontiagudos para abrir a embalagem. Cuidado com anéis, pulseiras ou relógios e mesmo com os dentes.

A higiene com água e sabonete logo após a relação anal é vital para se evitar complicações locais. O sexo anal por si só pode provocar pequenos ferimentos microscópicos na pele do ânus e região que são portas de entrada para bactérias e vírus. Geralmente não são lesões visíveis, mas existem mesmo se for usada muita lubrificação.

Não se deve, em hipótese alguma, introduzir o pênis na vagina logo após a penetração anal. É fundamental que seja feita a higiene do órgão, caso contrário, poderá causar infecções devido à transmissão de bactérias das fezes de um lugar para outro, e não se pode esquecer que o uso do preservativo é essencial.

 

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Arlete Gavranic
é Psicóloga, Mestre em Educação; Educadora e Terapeuta sexual
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