| Tenho um filho que é
dependente químico há 15 anos, começou usando maconha
e hoje usa cocaína e crack, faz acompanhamento psiquiátrico
há 14 anos e não se ajuda, mas aceita os internamentos e
toma a medicação, rouba tudo dentro de casa. Estou desesperada,
não sei o que fazer já se internou 18 vezes
Resposta: Casos difíceis são bastante
comuns e desafiantes em toda a área médica. E a Síndrome
de Dependência de Cocaína/Crack não é diferente.
Apesar das perdas e prejuízos sociais, familiares, laborais evidentes
relacionados ao consumo da cocaína, o dependente muitas vezes não
consegue lidar adequadamente com a intensa fissura pela substância,
o que o leva imediatamente à busca pela droga.
| Internação
não deve funcionar como uma espécie de “descanso”
para a família, porque o dependente que freqüentemente
causa problemas para todos, ficará “fora” por um
tempo |
Pelo visto, o seu filho foi internado dezenas de
vezes, sem grande sucesso. As internações em hospitais
psiquiátricos, hospitais gerais e comunidades terapêuticas
são uma das formas de tratamento, mas não são
as únicas. |
Além disso, como a Síndrome de Dependência de Cocaína/Crack
é uma doença crônica, o paciente deverá estar
inserido em alguma forma de tratamento durante tempo bastante prolongado.
Na verdade, os pacientes devem continuar se tratando, sejam em ambulatórios
especializados, grupos de mútua ajuda, hospitais-dia, centros de
atenção psico-social (CAPS-AD), após as internações.
Mais ainda, sendo a internação uma das formas de tratamento
preconizadas, existem várias diferentes modalidades de internação
e indicações específicas para este tipo de tratamento.
A internação não deve funcionar como uma espécie
de “descanso” para a família, porque o dependente que
freqüentemente causa problemas para todos, ficará “fora”
por um tempo. Nem tampouco, a internação pode ser feita
sem adequada supervisão e recomendação médica
especializada.
O seu filho precisa ser rigorosamente avaliado por médico especialista
em dependências químicas, afim de que o diagnóstico
e, conseqüentemente, uma conduta terapêutica sejam adequadamente
estabelecidos. Desta forma, este insucesso crônico dos tratamentos
até então propostos para ele poderá ser efetivamente
averiguado.
Muitas vezes, durante internações, os familiares acabam
não sendo adequadamente inseridos no tratamento e não recebendo
adequadas orientações sobre quais as melhores formas de
manejo do familiar problemático. Isso é um grave problema
de algumas das formas de ajuda propostas.
Existem vários serviços destinados ao tratamento de dependentes
químicos espalhados pelo país. Recomendo, inicialmente,
uma consulta a um profissional médico especializado em dependências
químicas, como freqüentemente existem nos Centros de Atenção
Psico-Social (CAPS-AD). Uma avaliação do seu filho poderá
determinar qual a melhor forma de tratamento.
Leia mais sobre síndrome de
abstinência I - clique aqui
Leia mais sobre síndrome
de abstinência II - clique aqui
Atenção!
As respostas do profissional desta coluna não substituem uma
consulta ou acompanhamento de um profissional de psiquiatria e não
se caracterizam como sendo um atendimento
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