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"Quem
exige de si vencer o tempo todo está se candidatando a viver
crises de depressão ou, pior ainda, agir sem ética
para vencer a qualquer preço. Quem precisa se sentir importante
o tempo todo está criando um grande vazio em sua vida..."
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Gostaria de convidar você a refletir
um pouco sobre seus heróis. Pense por alguns segundos nas pessoas
que você admira. |
Quando proponho essa reflexão em meus seminários, em geral
ouço descrições que lembram os super-heróis
das histórias em quadrinhos ou do cinema. Heróis com superpoderes
que nada têm a ver com o mundo real. A maior parte deles são
mitos criados no imaginário das pessoas. E você e eu já
sabemos que alguém assim não existe.
Apesar de ter plena consciência de que essa imagem não passa
de pura fantasia, a maioria das pessoas embarca nela de cabeça.
E se ilude querendo mostrar que são superexecutivos, superempresários,
supermães, superprofessores, superamantes.
Queremos ser unanimidade! Desejamos impressionar as pessoas o tempo todo.
Insistimos em ser aplaudidos pela população mundial. E,
para conseguir esse reconhecimento, tentamos desesperadamente parecer
aquilo que não somos em nossa essência: pessoas de aço,
indestrutíveis, inabaláveis.
Não estou dizendo que a pessoa que procura dar sempre o melhor
de si em cada ação está errada. Ao contrário.
É altamente positivo buscar a excelência em cada coisa que
fazemos. Isso não quer dizer, no entanto, que sempre sairemos vitoriosos
de nossas batalhas.
Ninguém consegue ganhar todas as disputas da vida. Nem Zico, nem
mesmo Pelé realizaram todas as metas de sua carreira, mas nem por
isso fracassaram. Quem exige de si vencer o tempo todo está se
candidatando a viver crises de depressão ou, pior ainda, agir sem
ética para vencer a qualquer preço. Quem precisa se sentir
importante o tempo todo está criando um grande vazio em sua vida...
Essa é uma ilusão perigosa. Alguns conhecidos meus, por
exemplo, esperam ansiosamente que a empresa os chame no fim de semana
para resolver um problema urgente. Parecem aqueles médicos que
ficam com o olhar brilhando quando um paciente os chama no sábado
à noite. A interpretação deles é a seguinte:
– Sou tão importante e indispensável que a organização
não sobrevive um único segundo sem mim.
No entanto, seria mais eficaz pensar em algo como:
– Estamos tendo problemas urgentes com muita frequência. Como
nossa equipe pode se organizar melhor? Onde precisamos melhorar nossos
processos?
Raras pessoas têm consciência de que uma empresa organizada
não precisa de sobressaltos.
É preciso estar muito consciente para não embarcar nesse
jogo de aparências e não se deixar envolver em atividades
sem sentido para sua vida. Perdemos um tempo imenso correndo atrás
da bagunça que criamos para nos sentir importantes. Desperdiçamos
a vida porque ficamos brincando de super-heróis, prontos a entrar
em ação.
Poucas pessoas percebem que viver para apagar incêndios é
como correr em uma esteira ergométrica na academia: despende-se
muito esforço para chegar a lugar algum. Se na esteira o ato de
caminhar é um exercício para melhorar a forma física,
na vida essa esteira ergométrica conduz apenas ao cansaço
físico e mental. As pessoas se matam, ficam frustradas e o que
permanece é uma incômoda pergunta: para que tanto sacrifício?
O problema é que acabamos entrando nessa viagem maluca de ser sensacionais
em tudo e destruímos nossa paz de espírito. Na verdade,
o ponto de equilíbrio é aliar a qualidade de vida ao sucesso.
A questão não é medir o tamanho do sucesso, e sim
estar atentos ao preço que pagaremos para conquistá-lo e,
principalmente, lutar por objetivos que tenham sentido para nós.
Contudo, a loucura é tamanha que a gente não para para pensar
no que está fazendo ao entrar nessa corrida da esteira ergométrica.
Seguimos adiante como máquinas, querendo mostrar que somos super-heróis.
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