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Coluna Mulher Atual
- Dicas para o bem-estar da mulher de hoje
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Conheça a nova família brasileira
Por Valéria Meirelles
A família brasileira está em profunda transformação.
Muitas pesquisas na área mostram a crescente desintegração
da tradicional estrutura familiar.
A socióloga Eni de Mesquita Sâmara, em seu artigo "Tendências
atuais da história da família no Brasil" explica: "A
família brasileira seria o resultado da transplantação
e adaptação da família portuguesa ao nosso ambiente colonial,
tendo gerado um modelo com características patriarcais e com tendências
conservadoras na sua essência. Esse modelo genérico de estrutura
familiar, comumente denominado patriarcal, serviu de base para caracterizar
a família brasileira como um todo, esquecidas as variações
que ocorrem na organização da família em função
do tempo, do espaço e dos diferentes grupos sociais".
Dessa forma, tais variações - ocorridas em função
da mudança de leis, da globalização, da tecnologia, da
ciência, das novas configurações nas relações
de trabalho e no mercado profissional, associados à importância
da qualidade e da durabilidade da relação afetiva - acabaram por
transformar a família, dando novos contornos e criando outras possibilidades
de vínculos.
Tudo isso porque as funções atribuídas aos membros de uma
família se ampliaram e agora envolvem os aspectos biológico, social,
cultural e psicológico - tudo permeado não apenas pela questão
da sobrevivência, mas principalmente pela melhoria da qualidade de vida
de toda a família.
Atualmente, temos diversas possibilidades de estruturas familiares, além
da tradicional: casais de dupla-carreira (quando ambos os cônjuges possuem
carreira) e de duplo-trabalho (ambos possuem um trabalho); famílias chefiadas
apenas por mulheres; famílias reconstituídas (de casamentos pós-divórcio
ou viuvez); casais homossexuais com filhos; famílias em que o pai possui
a guarda dos filhos; casais sem filhos; famílias com adoções;
famílias de mães solteiras com filhos de inseminações
artificiais (incluindo de doadores anônimos) ou com filhos gerados em
barriga de aluguel; e famílias de mães "tardias", que
optam pela maternidade após os 35 anos.
Uma outra tendência observada em minha prática clínica e
constatada também pelas americanas Ira Matathia e Marian Salzman é
a "volta" de muitas mulheres executivas, casadas e mães, para
o espaço doméstico, repensando jornadas de trabalho em prol da
educação dos filhos e das boas relações familiares.
Muitos casais estão optando pela diminuição da renda familiar,
com mulheres trocando turnos para meio período ou até deixando
de trabalhar, em benefício da convivência mais próxima com
os filhos. Os homens também têm se aproximado mais da família
e do espaço doméstico. Essa é uma tendência que tende
a se ampliar cada vez mais.
As empresas também estão adotando políticas mais compatíveis
com a realidade familiar, e muitas oferecem horários flexíveis,
creches, auxílio maternidade, ou ainda possibilidade de se trabalhar
um tempo em casa. E por causa da dificuldade de se ter tudo com sucesso: carreira,
casamento e filhos, muitas mulheres optaram por não serem mães.
Há um elemento que vem ganhando espaço na família, com
regalias e atenções até preocupantes: o animal doméstico,
em especial o cachorro. Esse assunto é tão importante que dedicarei
o próximo artigo especialmente a ele, o mais novo membro efetivo da família
brasileira.
A tecnologia também tem contribuído para que todos os membros
de uma família fiquem "ligados", "conectados", e
sejam "monitorados" o maior tempo possível. O telefone celular
se transformou em equipamento de segurança para os pais dos adolescentes
e muitas escolas e berçários deixam as crianças on-line
para que os pais possam observá-las e até se comunicarem com elas
durante o expediente de trabalho. Sem contar os e-mails, as mensagens nos celulares,
os programas de comunicação instantânea como o messenger,
tudo para suprir a falta de tempo para um contato físico.
Por tudo isso, fica a certeza de que o ser humano pode literalmente escolher
como e quando quer ou até se não quer, ter a sua família.
E esta é uma tendência que jamais vai recuar - independentemente
do tipo de configuração familiar, é preciso manter o respeito
pelo outro, ajudando-o no crescimento e na construção de um mundo
sem preconceitos e desigualdades.
Clique aqui e leia 1º
artigo da série 'Tendências'
Clique aqui e leia 2º artigo das[erie
'Tendências'
Clique aqui e leia 3º artigo
da série 'Tendências'
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Valéria
Meirelles é psicóloga, psicoterapeuta
e Mestre em Psicologia Clínica Mais informações - clique aqui |