Coluna Cyber Ajuda - Saúde Mental

Por Dr. Joel Rennó Jr.

Existe uma relação entre tensão pre-menstrual (TPM) com pensamentos negativos ou depressão?

Resposta: A tensão pré-menstrual (TPM) pode ser caracterizada tanto pela presença de sintomas físicos quanto psíquicos. Há mais de 150 sintomas descritos na literatura.

Há formas mais graves de TPM. Cerca de 5% das mulheres que sofrem com a TPM apresentam a disforia pré-menstrual, caracterizada pela presença de sintomas psiquiátricos significativos nos dias que antecedem a menstruação (cerca de uma semana antes).

Os sintomas principais são: tristeza, perda de prazer ou interesse pelas atividades habituais, humor deprimido, irritabilidade, pensamentos negativos, compulsão alimentar (principalmente por doces), alterações do sono e dificuldades de atenção e concentração. Esses sintomas são incapacitantes e prejudicam a qualidade de vida dessas mulheres. Tais mulheres podem até chegar a cometer agressões. É bom deixar claro que fora do período pré-menstrual o ajustamento psicossocial delas é absolutamente normal.

Há que se diferenciar quadros clínicos de TPM de quadros psiquiátricos que podem se exacerbar no pré-menstrual. Há muita confusão diagnóstica em função disso. Alguns transtornos mentais como: depressão, pânico, bulimia, entre outros, podem piorar na semana que antecede a menstruação.

A grande hipótese causal da disforia pré-menstrual, assim como da depressão propriamente dita é uma disfunção serotoninérgica - do neurotransmissor serotonina.

Não está descartada totalmente uma possibilidade de interrelação entre os dois quadros. Até porque o tratamento, para ambos, envolve o uso de antidepressivos conhecidos como inibidores seletivos da recaptura de serotonina.

A forma de lidar envolve uma série de mudanças de hábitos de vida e comportamentos. Aspectos nutricionais, físicos, psicológicos e comportamentais devem ser analisados criteriosamente por uma equipe multidisciplinar, constituída por nutricionistas, ginecologistas, preparadores físicos e também psiquiatras e psicólogos.

Deve ser feito um rastreamento dos principais sintomas envolvidos, os tratamentos precisam ser individualizados. A família, principalmente o marido também precisam de orientações e dicas.

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Dr. Joel Rennó Jr - Doutor em Psiquiatria pela Faculdade de Medicina da USP. Coordenador do Projeto de Atenção à Saúde Mental da Mulher-Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP
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