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O sono é um estado em que nossa consciência diminui espontaneamente
e que passamos a responder bem menos aos estímulos externos, é
o momento de descanso para o corpo. É o inverso do estado de vigília.
Ele é importante para as funções biológicas,
e seu tempo de duração varia de pessoa para pessoa, sendo
maior na infância e menor na velhice.
O organismo percebe que horas são pela presença ou ausência
de um hormônio controlador do sono chamado “melatonina”
produzido pela “glândula pineal”. Ela recebe ordens
de determinadas áreas do cérebro chamadas de núcleos
supraquiasmáticos, que funcionam como um relógio biológico.
A glândula pineal tem conexão com os nervos dos olhos, que
transmitem o sinal dos olhos para a glândula pineal, determinando
a hora de iniciar e parar a produção de melatonina.
As pesquisas sobre as funções da glândula pineal e
o hormônio malatonina despertaram grande interesse nesta última
década, a partir da descoberta da função da melatonina
na regulação do sono e do ritmo biológico em humanos.
Nos seres humanos, a produção de melatonina se dá
durante à noite, com quantidades máximas entre 2 e 3 horas
da manhã, e mínimas ao amanhecer do dia.
Além de controlar o sono, a melatonina controla o ritmo de outros
processos fisiológicos durante à noite: a digestão
torna-se mais lenta, a temperatura corporal cai, o ritmo cardíaco
e a pressão sanguínea diminuem e o sistema imunológico
é estimulado. A quantidade de melatonina produzida pelo organismo
decresce com o passar do tempo, depois da puberdade, chegando a concentrações
sanguíneas irrisórias nos idosos.
Ritmos circadianos
Todo nosso corpo é marcado por compassos. Nosso coração
bate 70 vezes por minuto, o ciclo menstrual da mulher tem duração
de 28 dias, o sono dura 8 horas. Esse trabalho repetitivo e preciso ocorre
por causa das glândulas e seus hormônios. Tais mecanismos
internos variam de pessoa para pessoa e fazem com que cada atividade renda
de acordo com seu máximo quando realizada na hora certa. Esse ciclo
é chamado de circadiano (do latim “cerda de um dia”).
A comparação entre o ciclo circadiano e o funcionamento
de um relógio é bem antiga em que o sistema ritmo responsável
pela geração da periodicidade biológica e a expressão
aparente dos ritmos corresponderiam aos ponteiros de um relógio.
Atualmente, o conceito atual de relógio implica num sistema de
temporização auto-sustentado continuamente oscilante. Esse
modelo substitui o modelo mais antigo que faz analogia com a ampulheta,
na qual tinha-se a necessidade de ter um estímulo ambiental para
provocar certas mudanças fisiológicas.
Os rítmos circadianos possuem intervalos entre 20 e 28 horas, dentro
do qual o período da oscilação do relógio
biológico pode ser acertado ou sincronizado pelos ciclos ambientais
exteriores. Alterações periódicas da intensidade
de luz e também ciclos de temperatura podem afetar o período
do ritmo biológico.
Nosso corpo sabe muito bem o compromisso da noite e do dia-a-dia. Porém,
a alternância do ciclo sono/vigília é sujeito a modificações
importantes ao longo da vida. Fenômenos comportamentais, fisiológicos
e bioquímicos que se organizam sob forma de ciclos, ocorrendo a
intervalos regulares, são conhecidos como ritmos biológicos.
A regularidade dos ritmos biológicos é controlada de forma
endógena, ou seja por fatores biológicos, podendo ser alternados
por fatores ambientais. Ao anoitecer, por volta das 21 horas a melatonina
secretada pela glândula pineal atinge uma quantidade suficiente
para fazer você sentir sono e já em torno das 23 horas o
corpo já começa avisar que está no horário
de ir para a cama. Durante o sono profundo aumenta a liberação
do hormônio do crescimento, portanto dormir bem é importante
para que as crianças cresçam.
A melatonina provoca o aumento dos glóbulos brancos e de outras
células envolvidas no sistema de defesa do corpo. Por volta das
3/5horas da manhã a pressão sanguínea atinge seu
ponto mais baixo. Por isso é tão difícil acordar
nesse horário. O horário mais comum para jantares é
por volta das 19/21 horas da noite porque é quando a sensibilidade
para o paladar e o olfato está mais apurada.
No estado de vigília, pela manhã a sua capacidade de reter
informações na memória funciona melhor. É
a melhor hora para estudar. Entretanto, a incidência de ataques
cardíacos é maior nas primeiras horas da manhã, quando
o sangue é mais propenso a formar coágulos. No horário
do almoço, o desempenho geral do organismo diminui, porque o corpo
começa a se preparar para receber o alimento e executar a digestão,
aumentando a produção de ácidos gástricos
e as contrações do estômago. É a sensação
de que o estômago está roncando. E geralmente no período
da tarde você tem mais energia porque é o momento de maior
capacidade muscular, o horário ideal para estudar, trabalhar ou
praticar esportes.
Essa ritmicidade não é uniforme para todas as pessoas. Modificações
na ritmicidade biológica podem acontecer, é o caráter
de “matutinidade” e “vespertinidade”.
Existem pessoas que são matutinas e outras que são vespertinas.
Pessoas matutinas são aquelas que acordam mais cedo com mais facilidade
e pessoas vespertinas apresentam mais dificuldade para acordar bem cedo.
Crianças tendem a apresentar um caráter matutino mais acentuado.
Durante a adolescência, ocorre um deslocamento de fase do ciclo
sono/vigília aumentando o caráter de vespertinidade, tendência
que se inverte na velhice.
Ajuste o relógio biológico
É muito comum com o estilo de vida moderno a pessoa apresentar
diversos tipos de perturbações do sono, entre os mais comuns
estão a sonolência durante o dia e a insônia. As queixas
relacionadas ao sono são freqüentes tanto em adultos jovens,
maduros e idosos, o que torna importante adotar hábitos saudáveis
para uma boa higiene do sono e obter melhor qualidade de vida.
Geralmente a falta de sono que ocorre normalmente com o envelhecimento
é confundida com insônia ou qualquer outro distúrbio.
O bom sono é a noite bem dormida, independente do tempo dormido.
A falta de sono leva à fadiga, irritabilidade e prejuízos
na memória. Pessoas com queixa de insônia devem investigar
os distúrbios do sono relacionados a problemas respiratórios,
a fim de melhorar sua qualidade de vida.
Faça a higiene do sono
- Procure estabelecer horários e rotinas regulares para deitar-se
e despertar e hábitos que indicam o horário de dormir.
- Organize o cotidiano em termos de horário de refeições,
lazer, atividade física, etc.
- Avalie as condições ambientais, como condições
do mobiliário, dos colchões e do travesseiro. O quarto deve
ser silencioso, com temperatura agradável.
- Evite dormir mais do que o necessário.
- Estar relaxado e tranqüilo ao ir dormir e procurar dormir sempre
no mesmo lugar.
- Evitar bebidas estimulantes como café e bebidas alcoólicas,
evitar fumo e refeições pesadas antes de dormir.
- A exposição à luz do sol tem sido considerada um
importante sincronizador dos ritmos biológicos do ser humano. A
exposição ao sol atua de forma benéfica para a regularização
do ritmo circadiano na liberação de melatonina, promovendo
ajustes na relação de fase entre o ciclo sono/vigília,
auxiliando na consolidação do padrão de sono.
- Evitar a famosa “soneca” durante o dia. A sonolência
durante o dia pode constituir uma evidência de insônia. Pessoas
que não dorme bem durante a noite podem apresentar sonolência
durante o dia. Este fenômeno pode estar associado com doenças
tal como a depressão.
- Para promover um padrão de sono noturno mais consolidado para
a pessoa idosa, deve-se aumentar a estimulação durante o
dia com atividades produtivas e significativas e diminuir a estimulação
à noite.
- O controle da insônia com medicamentos deve-ser feito com muito
cuidado e com orientação médica.
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